Polícia identifica novas fintechs e ‘máfia da Nafta’
Operação Fluxo Oculto aponta movimentação de R$ 6 bilhões em esquema de combustíveis fraudados, lavagem de dinheiro e sonegação


Operação fluxo oculto - Reprodução
A Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), identificou ao menos seis fintechs que movimentaram, juntas, cerca de R$ 6 bilhões em um esquema envolvendo sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A ação também revelou a atuação da chamada “máfia da Nafta”, voltada à manipulação ilegal de combustíveis.
Segundo Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, as fintechs investigadas tinham papel central na ocultação de clientes e movimentações financeiras, criando camadas de proteção para dificultar o rastreamento do dinheiro.
A Operação Carbono Oculto, a megaoperação que deu início às investigações desta quinta, revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraude fiscal utilizando fintechs.
Após esta investigação, a organização criminosa passou a adotar novas estratégias para esconder as atividades ilegais, incluindo a criação de novas fintechs.
De acordo com ele, o caso evidencia um processo de “convergência criminosa”, em que facções utilizam estruturas do setor financeiro para tentar legitimar grandes quantias de dinheiro ilícito.
As investigações desta quinta apontam que, em um dos casos, as operações financeiras de 56 postos de combustíveis eram realizadas por meio de uma única conta bancária. Durante a operação desta quinta, a polícia apreendeu R$ 1 milhão em espécie, valor considerado incompatível com movimentações regulares.
Um dos principais focos da apuração desta quinta é o acesso às chamadas contas gráficas, registros internos vinculados às contas-bolsão mantidas por fintechs em bancos tradicionais.
Segundo o Ministério Público, as contas-bolsão funcionam como uma conta única aberta pela fintech em um banco tradicional para concentrar recursos de vários clientes. Nesse modelo, o banco identifica apenas a fintech como titular da conta, sem acesso aos dados de quem realmente depositou o dinheiro.
A fintech, por sua vez, mantém um registro interno com informações sobre origem, destino, remetente e beneficiário dos valores movimentados, mecanismo conhecido como conta gráfica.
De acordo com os investigadores, esse sistema criou um “ponto cego” para os mecanismos de combate à lavagem de dinheiro, permitindo blindagem patrimonial e ocultação de recursos ilícitos. Com o acesso às contas gráficas, os promotores conseguiram rastrear as movimentações financeiras realizadas pelas instituições de pagamento ligadas às contas-bolsão.
Máfia da Nafta
A operação Fluxo Oculto também identificou o desvio de Nafta para a produção de combustíveis adulterados. Segundo os investigadores, empresas criavam companhias de fachada para simular compras do produto.
O grupo utilizava solventes petroquímicos importados, conhecidos como nafta, que possuem tributação menor, para utilizá-los ilegalmente para misturar com gasolina automotiva.
Com isso, produtoras e importadoras de solventes emitiam notas fiscais falsas para registrar supostas vendas de nafta a empresas químicas fictícias. Essas empresas eram registradas em nome de “laranjas”.
Na prática, o produto não chegava às empresas registradas nas notas fiscais. Os caminhões desviavam as rotas e descarregavam a nafta diretamente em distribuidoras e terminais, onde o solvente era misturado à gasolina tipo A. O combustível adulterado era, então, vendido aos consumidores em postos de combustíveis.
A operação
O Ministério Público de São Paulo realiza, desde as primeiras horas desta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto para combater fraudes no setor de combustíveis. Ao todo, são cumpridos 55 mandados de busca e apreensão.
A ação ocorre em parceria com a Receita Federal, o Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as polícias Militar e Civil.
Os agentes cumprem mandados em instituições de pagamento localizadas na região da Faria Lima, considerada o principal centro financeiro do país.
Além disso, as cidades de Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim também tiveram ação policial. Também há ações em Cascavel e Paranavaí, no Paraná; Iguatemi, em Mato Grosso do Sul; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e na capital do Rio de Janeiro.
A operação busca reunir provas para combater esquemas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em operações suspeitas de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Sobre a operação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as fintechs investigadas foram identificadas graças às informações recebidas pela Receita Federal a partir de meados do ano passado.
O ministro também acusou deputados e influenciadores de direita de atrasarem a implementação das novas regras da e-Financeira, o que, segundo ele, dificultou a fiscalização. Em janeiro de 2025, integrantes da direita afirmaram que o governo pretendia taxar o Pix, o que levou o Ministério da Fazenda a revogar a norma. Em agosto, a Receita Federal publicou uma resolução semelhante.
Sobre a operação, ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as fintechs investigadas foram identificadas graças às informações recebidas pela Receita Federal a partir de meados do ano passado.
O ministro também acusou deputados e influenciadores de direita de atrasarem a implementação das novas regras da e-Financeira, o que teria dificultado a fiscalização.


















