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Trend que incentiva violência contra mulher nas redes sociais será investigada pelo MPF

Caso também será analisado pelo Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos, por possível incitação ao crime

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Pessoa segurando celular | Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) determinou, na terça-feira (10), a abertura de uma investigação sobre a disseminação de vídeos que incentivam a violência contra a mulher nas redes sociais. O foco da apuração é a trend denominada “caso ela diga não”, que associa a recusa feminina em interações afetivas ou sexuais a reações violentas.

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Sob uma roupagem de humor, os vídeos utilizam imagens com cenas de agressão física extraídas de jogos eletrônicos, animes ou competições de luta. Essas imagens são acompanhadas pela legenda "quando ela diz não", sugerindo a violência física como uma resposta aceitável em casos de pedidos de casamento recusados, por exemplo.

A disseminação dos vídeos levantou preocupação entre as autoridades. Segundo o MPF, o TikTok foi apontado como a principal rede social de circulação no Brasil, apresentando elevado alcance entre o público jovem.

“Os conteúdos contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero e fortalecem discursos de ódio no ambiente digital, tornando urgente a avaliação do papel das empresas de tecnologia na moderação dessas veiculações”, disse o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino.

Além da abertura da investigação, que busca apurar a responsabilidade de criadores, plataformas e usuários envolvidos, Dino enviou o caso ao Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaccti). O órgão deverá analisar e tomar providência na área penal, em meio à potencial configuração de crimes cibernéticos e incitação ao crime.

Violência contra mulher

A preocupação das autoridades com a trend acontece em meio ao aumento da violência contra a mulher no Brasil. Em 2025, o país registrou recorde de feminicídios, 1.470 casos entre janeiro e dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em meio ao cenário, a Polícia Federal abriu um inquérito sobre a trend, o que resultou na exclusão de vídeos envolvidos na temática e na identificação de ao menos quatro perfis responsáveis pela disseminação, conforme relatado pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Além disso, o governo federal enviou um ofício ao TikTok Brasil, dando cinco dias para a plataforma detalhar as medidas adotadas diante da circulação dos conteúdos. A gestão reforçou que os provedores podem ser responsabilizados civilmente caso não removam rapidamente conteúdos que configurem crimes, que, neste caso, envolvem a propagação de ódio e a aversão contra mulheres.

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