STF decide que empregador e INSS devem garantir salário a mulheres afastadas por violência
Decisão unânime assegura renda durante afastamento e amplia eficácia econômica das medidas protetivas da Lei Maria da Penha
Antonio Souza
Decisão reforça a eficácia das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha | Reprodução
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (17), por unanimidade, que mulheres que precisarem se afastar do trabalho em razão de violência doméstica ou familiar têm direito ao pagamento de salário, ou a auxílio assistencial, quando não houver vínculo empregatício.
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A Corte rejeitou o recurso apresentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que questionava uma decisão do TRF-4 garantindo a uma funcionária de cooperativa no Paraná o afastamento do trabalho, com manutenção do vínculo, com base nas medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha.
Entre os argumentos, o INSS sustentava que não haveria incapacidade para o trabalho por lesão e que apenas a Justiça Federal poderia decidir sobre o pagamento de benefícios previdenciários ou assistenciais.
Como a decisão teve repercussão geral, ela deverá ser seguida por todas as instâncias da Justiça em casos semelhantes.
Entendimento do STF
Para o relator, ministro Flávio Dino, o afastamento por violência doméstica configura interrupção do contrato de trabalho.
“A manutenção da remuneração, nesse contexto, constitui consequência lógica e garantia da eficácia do afastamento”, afirmou.
Dino destacou que a situação é alheia à vontade da trabalhadora e compromete sua integridade física e psicológica, devendo ser equiparada, para fins previdenciários, a uma incapacidade decorrente de acidente de qualquer natureza.
Como funciona o pagamento
Com vínculo de trabalho (seguradas do RGPS):
Empregador paga os primeiros 15 dias de afastamento;
INSS assume o período subsequente.
Sem empregador:
INSS arca com todo o período, sem exigência de carência.
Não segurada:
Benefício terá caráter assistencial, com base na LOAS;
O juízo competente deverá atestar ausência de meios de subsistência.
A Lei Maria da Penha já garante estabilidade de até seis meses quando o afastamento do trabalho for necessário.
O STF definiu que o juízo criminal estadual é competente para processar e julgar causas envolvendo a Lei Maria da Penha, inclusive pedidos de prestação pecuniária à vítima afastada, ainda que o cumprimento envolva empregador e INSS.
A Justiça Federal atuará quando União, autarquias ou empresas públicas federais figurarem como partes. Também caberá à Justiça Federal julgar ações regressivas do INSS para ressarcimento contra os responsáveis pela violência.
STF decide que empregador e INSS devem garantir salário a mulheres afastadas por violênciaDecisão unânime assegura renda durante afastamento e amplia eficácia econômica das medidas protetivas da Lei Maria da PenhaBrasil2025-12-18T02:03:17.214ZO Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (17), por unanimidade, que mulheres que precisarem se afastar do trabalho em razão de violência doméstica ou familiar têm direito ao pagamento de salário, ou a auxílio assistencial, quando não houver vínculo empregatício. O entendimento reforça a eficácia das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha também no âmbito econômico. + A Corte rejeitou o recurso apresentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que questionava uma decisão do TRF-4 garantindo a uma funcionária de cooperativa no Paraná o afastamento do trabalho, com manutenção do vínculo, com base nas medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha. Entre os argumentos, o INSS sustentava que não haveria incapacidade para o trabalho por lesão e que apenas a Justiça Federal poderia decidir sobre o pagamento de benefícios previdenciários ou assistenciais. + Como a decisão teve repercussão geral, ela deverá ser seguida por todas as instâncias da Justiça em casos semelhantes. Entendimento do STF Para o relator, ministro Flávio Dino, o afastamento por violência doméstica configura interrupção do contrato de trabalho. “A manutenção da remuneração, nesse contexto, constitui consequência lógica e garantia da eficácia do afastamento”, afirmou. Dino destacou que a situação é alheia à vontade da trabalhadora e compromete sua integridade física e psicológica, devendo ser equiparada, para fins previdenciários, a uma incapacidade decorrente de acidente de qualquer natureza. Como funciona o pagamento Com vínculo de trabalho (seguradas do RGPS): Sem empregador: Não segurada: A Lei Maria da Penha já garante estabilidade de até seis meses quando o afastamento do trabalho for necessário. O STF definiu que o juízo criminal estadual é competente para processar e julgar causas envolvendo a Lei Maria da Penha, inclusive pedidos de prestação pecuniária à vítima afastada, ainda que o cumprimento envolva empregador e INSS. + A Justiça Federal atuará quando União, autarquias ou empresas públicas federais figurarem como partes. Também caberá à Justiça Federal julgar ações regressivas do INSS para ressarcimento contra os responsáveis pela violência.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/stf-decide-que-empregador-e-inss-devem-garantir-salario-a-mulheres-afastadas-por-violencia
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