Cidades

Soldado Gisele: policiais limparam apartamento após morte por "humanidade", diz corregedor da PM

Corregedoria afirma que limpeza não interferiu na investigação e ocorreu após liberação; tenente-coronel foi preso acusado de forjar suicídio da esposa

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Emanuelle Menezes
18/03/2026, 16:05 • Atualizado em 18/03/2026, 16:12
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Coletiva de imprensa foi realizada na manhã desta quarta-feira (18) | Reprodução/SBT

Coletiva de imprensa foi realizada na manhã desta quarta-feira (18) | Reprodução/SBT

Autoridades da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmaram, nesta quarta-feira (18), que a limpeza do apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça, na região central da capital paulista, ocorreu por "humanidade" e sem intenção de prejudicar a investigação.

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A declaração foi dada pelo corregedor da Polícia Militar, coronel Alex dos Reis Asaka, durante entrevista coletiva sobre a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio e fraude processual. Ele alega que a esposa se suicidou.

Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução
Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução

Segundo o corregedor, o local já havia sido liberado pelas equipes responsáveis pela perícia quando três policiais mulheres entraram no imóvel, localizado no bairro do Brás, para realizar a limpeza.

"Foi uma questão de humanidade. Em um primeiro momento, a notícia que se tinha era de um suicídio. Em momento algum essa limpeza foi feita no sentido de suprimir qualquer tipo de prova", afirmou Asaka.

De acordo com o coronel, a limpeza não foi pedida por Geraldo Leite Rosa Neto, mas sim pelo comandante da área e pelo Departamento de Psicologia da PM. O objetivo seria evitar que a família da vítima tivesse que lidar com o ambiente do suposto suicídio.

As três policiais, sendo uma soldado e duas cabos, foram ao apartamento no dia 18 de fevereiro, horas após a morte de Gisele. Elas chegaram ao prédio às 17h48 e acessaram o imóvel acompanhadas por uma funcionária. As agentes foram identificadas e prestaram depoimento à Corregedoria da PM.

Prisão

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) | Reprodução/SBT
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) | Reprodução/SBT

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo prendeu o tenente-coronel na manhã desta quarta-feira. Um comboio com agentes da corregedoria, com apoio da Polícia Civil, chegou por volta das 8h ao apartamento do oficial em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O SBT News teve acesso à decisão, da 5ª Auditoria Militar do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, que determinou a prisão preventiva de Geraldo Neto. De acordo com o documento, a policial teria sido vítima de feminicídio.

As provas coletadas indicam que Gisele foi surpreendida por trás. Geraldo teria segurado a mandíbula ou o rosto da soldado com a mão esquerda, enquanto apontava a arma, com a mão direita, para a têmpora dela. Após o disparo, o corpo de Gisele teria sido colocado no chão.

"O mosaico probatório, portanto, afasta a hipótese de suicídio e indica que Gisele foi abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita", diz um trecho.

A cena do crime foi manipulada depois, segundo o relatório. Houve escoamento de sangue e indícios de alterações posteriores, como a posição da arma na mão da vítima. O texto também menciona que o investigado teria tomado banho após o crime, o que reforça a suspeita de tentativa de ocultação de vestígios.

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