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Irã diz que recebeu e está analisando resposta dos EUA à sua oferta de negociação

Teerã analisa resposta dos EUA a proposta de paz, enquanto divergências sobre programa nuclear e bloqueio no Golfo travam avanço nas negociações

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Reuters
03/05/2026, 21:11 • Atualizado em 03/05/2026, 21:11
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Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

O Irã disse neste domingo (3) que recebeu a resposta dos Estados Unidos à sua mais recente oferta de negociação de paz, um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que provavelmente rejeitaria a proposta iraniana porque "eles não pagaram um preço grande o suficiente".

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A mídia estatal iraniana informou que Washington transmitiu sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão, sendo que Teerã a estava analisando. Não houve confirmação imediata de Washington ou Islamabad sobre a resposta dos EUA.

"Nesta fase, não temos negociações nucleares", registrou mídia estatal, citando o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, em uma aparente referência à proposta iraniana de deixar de lado as negociações sobre questões nucleares até que a guerra termine e os bloqueios à navegação no Golfo Pérsico sejam suspensos.

Trump disse no sábado (2) que ainda não havia analisado a redação exata da proposta de paz iraniana, mas que provavelmente a rejeitaria.

"Em breve analisarei o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável, uma vez que ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos", escreveu ele nas redes sociais.

Estreito ainda bloqueado

EUA e Israel suspenderam sua campanha de bombardeios contra o Irã há quatro semanas, e as autoridades norte-americanas e iranianas realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de marcar novas reuniões fracassaram até o momento.

O Irã entregou sua última proposta na quinta-feira, e uma alta autoridade do país confirmou no sábado que Teerã prevê o fim da guerra e, em primeiro lugar, a resolução do impasse do transporte marítimo, deixando as negociações sobre o programa nuclear para depois.

Embora Trump tenha dito na sexta-feira, inicialmente, que não estava satisfeito com a proposta iraniana, ele afirmou no sábado que ainda a estava analisando.

"Eles me falaram sobre o conceito do acordo. Agora vão me dar a redação exata", disse ele a repórteres. Questionado sobre se ele poderia reiniciar os ataques ao Irã, Trump respondeu: "Não quero dizer isso. Quero dizer, não posso dizer isso a um repórter. Se eles se comportarem mal, se fizerem algo ruim, veremos. Mas é uma possibilidade que pode acontecer."

Proposta do Irã vs. exigências dos EUA

A proposta de adiar as negociações sobre questões nucleares para uma fase posterior parece estar em desacordo com a exigência repetida de Washington, de que o Irã aceite restrições rigorosas sobre seu programa nuclear antes que a guerra seja encerrada.

Washington deseja que Teerã desista de seu estoque de mais de 400kg de urânio altamente enriquecido, que, segundo os EUA, poderia ser usado para fabricar uma bomba. Já o Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas restrições em troca do levantamento das sanções, como havia aceitado em um acordo de 2015 que Trump abandonou.

Embora diga repetidamente que não tem pressa, Trump está sob pressão interna para romper o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, que bloqueou 20% dos suprimentos de petróleo e gás do mundo e elevou os preços da gasolina nos EUA.

O Partido Republicano de Trump enfrenta o risco de uma reação negativa dos eleitores em relação aos preços mais altos nas eleições parlamentares de meio de mandato, em novembro.

A mídia iraniana disse que a proposta de 14 pontos de Teerã inclui a retirada das forças dos EUA das áreas próximas, o fim do bloqueio, a liberação de ativos congelados, o pagamento de indenizações, o levantamento de sanções, o encerramento da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano, e a criação de um novo mecanismo de controle para o estreito.

O Irã tem bloqueado quase todos os navios do Golfo, exceto os seus próprios, há mais de dois meses. No mês passado, os EUA impuseram seu próprio bloqueio aos navios dos portos iranianos.

Falando sob condição de anonimato, uma alta autoridade iraniana disse que Teerã acreditava que sua mais recente proposta de postergar as negociações nucleares para uma fase posterior era uma mudança significativa com o objetivo de facilitar o acordo.

"Sob essa estrutura, as negociações sobre a questão nuclear mais complicada foram transferidas para o estágio final, para criar uma atmosfera mais propícia", disse a autoridade.

Israel ordena evacuação no Líbano

Israel ordenou neste domingo que milhares de libaneses deixem os vilarejos no sul do Líbano, em meio à guerra contra o Hezbollah, aliado do Irã.

Teerã disse que as negociações com Washington não podem ser retomadas a menos que um cessar-fogo também seja mantido no Líbano.

Líbano e Israel concordaram com uma trégua no mês passado, mas os combates continuaram, ainda que em menor escala. Neste domingo, militares israelenses emitiram um alerta urgente para os moradores de 11 cidades e vilarejos no sul do Líbano, pedindo que eles deixem suas casas e se afastem pelo menos 1.000 metros para áreas abertas.

Os militares disseram que estavam conduzindo operações contra o Hezbollah após o que descreveram como uma violação do cessar-fogo. Eles alertaram que qualquer pessoa próxima aos combatentes ou às instalações do Hezbollah está em risco.

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