Economia

CNI elogia corte da Selic, mas critica nível dos juros

Confederação considerou acertada o corte, mas afirmou que taxa de 14% continua pressionando empresas, famílias e investimentos no país

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Antonio Souza
Foto: CNI / Reprodução

Foto: CNI / Reprodução

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.

Apesar de apoiar o corte, a entidade avalia que a Selic permanece em um nível elevado e continua agravando as dificuldades enfrentadas pela indústria e pelas famílias.

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“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

Segundo Alban, o crédito caro compromete a renda das famílias, que enfrentam níveis elevados de endividamento e inadimplência, além de dificultar a recuperação da atividade industrial.

CNI vê espaço para cortes maiores

A entidade afirma que as expectativas de inflação vêm melhorando. A projeção para o IPCA de 2026 é de alta de 5,03%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 permanecem dentro do intervalo de tolerância da meta.

O IPCA-15 acumulou alta de 4,52% em 12 meses até julho, abaixo dos 4,8% registrados no período anterior.

A CNI também destacou que a média dos núcleos de inflação ficou em 4,44% em junho, indicando uma trajetória mais compatível com a meta de inflação de 3%.

Para a confederação, os dados mostram acomodação das pressões de oferta e demanda, mesmo diante das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic estaria acima do nível considerado adequado, avalia entidade

De acordo com a CNI, os juros permanecem em um patamar restritivo há 55 meses. A entidade calcula que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa estimada pela Regra de Taylor, calculada em 10,4%. Esse modelo busca indicar um nível de juros capaz de controlar a inflação sem desestimular o crescimento econômico.

A taxa de juros real está próxima de 10%, enquanto a taxa de equilíbrio estimada pelo Banco Central é de aproximadamente 5%.

Com base nesses números, a CNI defende que haveria espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o controle da inflação.

Famílias enfrentam crédito mais caro

A CNI também alertou para o impacto dos juros elevados sobre o endividamento das famílias. As taxas do crédito livre encarecem a renegociação de dívidas e comprometem uma parcela maior da renda dos consumidores. Com menos recursos disponíveis para o consumo essencial, aumenta o risco de superendividamento.

Para a entidade, programas de renegociação, como o Desenrola 2.0, ajudam a reduzir os efeitos do problema, mas não enfrentam causas estruturais, como a baixa educação financeira e o alto custo do crédito.

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