Minerais críticos podem somar R$ 192 bi ao PIB do Brasil
Agregação de valor no país e maior entrada de capital externo elevam em R$ 63,4 bi o impacto no PIB ante modelo meramente extrativista e voltado para exportação
Caio Barcellos
Minerais críticos podem somar R$ 192 bi ao PIB do Brasil | Reprodução
A expansão da produção de minerais críticos combinada ao uso desses insumos pela indústria brasileira pode acrescentar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil novos empregos de 2026 a 2050.
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A estimativa consta de estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) sobre os efeitos econômicos da cadeia de cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras no Brasil.
Dois cenários
O levantamento da Amcham considera dois cenários viáveis. No primeiro, o Brasil amplia a extração e exporta a maior parte dos minerais, com investimentos financiados apenas por recursos nacionais. Nesse caso, o impacto sobre o PIB seria de R$ 128,7 bilhões ao longo dos anos, com a geração de 304 mil ocupações.
No segundo, parte dos minerais também é usada no país para fabricar produtos de maior valor agregado, como baterias, veículos, turbinas eólicas e motores elétricos. A projeção considera ainda uma participação maior de investidores estrangeiros no financiamento dos projetos.
Nesse cenário mais amplo, o acumulado até 2050 PIB ficaria 1,64% acima do projetado para uma trajetória sem os novos investimentos e sem o aumento da produção. O percentual representa o efeito acumulado até 2050, e não uma alta anual.
A diferença entre os 2 cenários, chamada pelo estudo de “efeito de adensamento”, seria de R$ 63,4 bilhões no PIB e de 446 mil ocupações. O ganho não decorre apenas da fabricação de produtos no Brasil, mas também da maior entrada de capital externo considerada na projeção.
"O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A indústria de transformação seria a principal beneficiada pela incorporação dos minerais às cadeias produtivas nacionais.
No cenário voltado à extração e à exportação, o setor teria crescimento acumulado de 0,64% até 2050. Com o processamento e o uso doméstico dos minerais, a alta chegaria a 1,82%, quase o triplo.
A construção subiria 4,54% no cenário mais amplo, ante 3,81% no primeiro. As indústrias extrativas teriam alta de 4,15%, ante 4,05%.
Também seriam registrados efeitos maiores no comércio, nos transportes, na eletricidade e gás e nos serviços profissionais e técnicos. Segundo o estudo, o resultado mostra que o processamento doméstico permite que os ganhos avancem para além das áreas diretamente ligadas à mineração.
O maior efeito adicional seria observado justamente na indústria de transformação, com 1,18 ponto percentual.
Na sequência, aparecem construção (0,73 ponto percentual), outros serviços (0,42 ponto percentual), comércio (0,40 ponto percentual) e atividades profissionais, científicas e técnicas (0,31 ponto percentual).
Os menores efeitos adicionais seriam registrados na agropecuária e na administração pública.
Efeitos nos estados
O Pará teria crescimento acumulado de 16,01% em relação à trajetória de referência. Na sequência, aparecem Bahia (9,85%), Goiás (9,75%), Piauí (3,96%) e Minas Gerais (3,08%).
Com o uso dos minerais pela indústria, os efeitos passam a alcançar de forma mais intensa Estados sem grandes investimentos na extração.
No cenário 2, o Pará teria crescimento acumulado de 16,01%. Na sequência, aparecem Bahia (10,31%), Goiás (9,95%), Piauí (3,99%), Minas Gerais (3,83%), Santa Catarina (1,26%) e São Paulo (0,72%).
No Pará, os dois cenários produzem o mesmo resultado porque o ganho projetado para o estado vem principalmente da própria expansão da mineração. A etapa adicional de industrialização dos minerais não aumenta a estimativa. Segundo o estudo, “os impactos já estavam plenamente capturados no Cenário 1”.
Investimento
Os projetos de minerais críticos considerados no levantamento somam US$ 20,5 bilhões de 2026 a 2030.
O cobre concentra a maior parcela, com US$ 8,62 bilhões previstos para Pará e Bahia. O níquel responde por US$ 4,74 bilhões em projetos no Pará e em Goiás.
Também estão previstos:
- US$ 2,39 bilhões em terras raras, em Goiás e Minas Gerais;
- US$ 1,22 bilhão em bauxita, no Pará;
- US$ 1,17 bilhão em lítio, em Minas Gerais;
- US$ 2,34 bilhões em outras substâncias, no Piauí e na Bahia.
Entre as empresas citadas estão Vale, Ero Copper, Atlantic Nickel, Sigma Lithium, Companhia Brasileira de Lítio, Mineração Serra Verde, Alcoa e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração.
Reservas
O estudo afirma que as reservas brasileiras são superiores à demanda projetada para tecnologias relacionadas à transição energética até 2050.
A disponibilidade de níquel seria 128 vezes maior que a necessidade estimada. Na grafita, essa relação seria de 43 vezes. Enquanto no cobre e no lítio, seriam 19 vezes e 10 vezes, respectivamente.
Apesar das reservas, o documento afirma que o Brasil ainda concentra sua produção na extração e no beneficiamento inicial. Em 2023, só 5% do lítio extraído no país teria sido processado internamente. No caso do níquel, a parcela refinada ficou abaixo de 40%.
Atualmente, o Brasil exporta os minérios e depois importa produtos de maior valor agregado, como baterias e componentes eletrônicos.
“A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto.
Minerais críticos podem somar R$ 192 bi ao PIB do Brasil Agregação de valor no país e maior entrada de capital externo elevam em R$ 63,4 bi o impacto no PIB ante modelo meramente extrativista e voltado para exportaçãoEconomia2026-08-04T16:03:20.641ZA expansão da produção de minerais críticos combinada ao uso desses insumos pela indústria brasileira pode acrescentar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil novos empregos de 2026 a 2050. A estimativa consta de estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) sobre os efeitos econômicos da cadeia de cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras no Brasil. Dois cenários O levantamento da Amcham considera dois cenários viáveis. No primeiro, o Brasil amplia a extração e exporta a maior parte dos minerais, com investimentos financiados apenas por recursos nacionais. Nesse caso, o impacto sobre o PIB seria de R$ 128,7 bilhões ao longo dos anos, com a geração de 304 mil ocupações. No segundo, parte dos minerais também é usada no país para fabricar produtos de maior valor agregado, como baterias, veículos, turbinas eólicas e motores elétricos. A projeção considera ainda uma participação maior de investidores estrangeiros no financiamento dos projetos. Nesse cenário mais amplo, o acumulado até 2050 PIB ficaria 1,64% acima do projetado para uma trajetória sem os novos investimentos e sem o aumento da produção. O percentual representa o efeito acumulado até 2050, e não uma alta anual. A diferença entre os 2 cenários, chamada pelo estudo de “efeito de adensamento”, seria de R$ 63,4 bilhões no PIB e de 446 mil ocupações. O ganho não decorre apenas da fabricação de produtos no Brasil, mas também da maior entrada de capital externo considerada na projeção. "O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Impacto industrial A indústria de transformação seria a principal beneficiada pela incorporação dos minerais às cadeias produtivas nacionais. No cenário voltado à extração e à exportação, o setor teria crescimento acumulado de 0,64% até 2050. Com o processamento e o uso doméstico dos minerais, a alta chegaria a 1,82%, quase o triplo. A construção subiria 4,54% no cenário mais amplo, ante 3,81% no primeiro. As indústrias extrativas teriam alta de 4,15%, ante 4,05%. Também seriam registrados efeitos maiores no comércio, nos transportes, na eletricidade e gás e nos serviços profissionais e técnicos. Segundo o estudo, o resultado mostra que o processamento doméstico permite que os ganhos avancem para além das áreas diretamente ligadas à mineração. O maior efeito adicional seria observado justamente na indústria de transformação, com 1,18 ponto percentual. Na sequência, aparecem construção (0,73 ponto percentual), outros serviços (0,42 ponto percentual), comércio (0,40 ponto percentual) e atividades profissionais, científicas e técnicas (0,31 ponto percentual). Os menores efeitos adicionais seriam registrados na agropecuária e na administração pública. Efeitos nos estados O Pará teria crescimento acumulado de 16,01% em relação à trajetória de referência. Na sequência, aparecem Bahia (9,85%), Goiás (9,75%), Piauí (3,96%) e Minas Gerais (3,08%). Com o uso dos minerais pela indústria, os efeitos passam a alcançar de forma mais intensa Estados sem grandes investimentos na extração. No cenário 2, o Pará teria crescimento acumulado de 16,01%. Na sequência, aparecem Bahia (10,31%), Goiás (9,95%), Piauí (3,99%), Minas Gerais (3,83%), Santa Catarina (1,26%) e São Paulo (0,72%). No Pará, os dois cenários produzem o mesmo resultado porque o ganho projetado para o estado vem principalmente da própria expansão da mineração. A etapa adicional de industrialização dos minerais não aumenta a estimativa. Segundo o estudo, “os impactos já estavam plenamente capturados no Cenário 1”. Investimento Os projetos de minerais críticos considerados no levantamento somam US$ 20,5 bilhões de 2026 a 2030. O cobre concentra a maior parcela, com US$ 8,62 bilhões previstos para Pará e Bahia. O níquel responde por US$ 4,74 bilhões em projetos no Pará e em Goiás. Também estão previstos: - US$ 2,39 bilhões em terras raras, em Goiás e Minas Gerais; - US$ 1,22 bilhão em bauxita, no Pará; - US$ 1,17 bilhão em lítio, em Minas Gerais; - US$ 2,34 bilhões em outras substâncias, no Piauí e na Bahia. Entre as empresas citadas estão Vale, Ero Copper, Atlantic Nickel, Sigma Lithium, Companhia Brasileira de Lítio, Mineração Serra Verde, Alcoa e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. Reservas O estudo afirma que as reservas brasileiras são superiores à demanda projetada para tecnologias relacionadas à transição energética até 2050. A disponibilidade de níquel seria 128 vezes maior que a necessidade estimada. Na grafita, essa relação seria de 43 vezes. Enquanto no cobre e no lítio, seriam 19 vezes e 10 vezes, respectivamente. Apesar das reservas, o documento afirma que o Brasil ainda concentra sua produção na extração e no beneficiamento inicial. Em 2023, só 5% do lítio extraído no país teria sido processado internamente. No caso do níquel, a parcela refinada ficou abaixo de 40%. Atualmente, o Brasil exporta os minérios e depois importa produtos de maior valor agregado, como baterias e componentes eletrônicos. “A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/minerais-criticos-podem-somar-r-192-bi-ao-pib-do-brasil
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