Ministro de Israel celebra aniversário com bolo alusivo à pena de morte para palestinos
Parlamento de Israel aprovou recentemente uma lei que prevê o enforcamento de palestinos que forem condenados por tribunais militares do país

Sofia Pilagallo
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, celebrou seu aniversário de 50 anos com um bolo que fazia referência a uma lei israelense que prevê a pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por tribunais militares. A sobremesa foi decorada com uma forca dourada e a frase "às vezes os sonhos se realizam".
Ben-Gvir publicou nas redes sociais fotos e vídeos da festa, realizada no sábado (2), no assentamento Emunim — área que antes integrava a cidade palestina de Bayt Daras, tomada por Israel em 1948. Nas imagens, ele aparece ao lado da esposa, Ayala, exibindo o bolo e discursando.
A lei mencionada foi aprovada no fim de março pelo Parlamento israelense. O texto prevê que a execução ocorra 90 dias após a condenação, sem possibilidade de recurso. Em "circunstâncias especiais", poderá ser aplicada a pena alternativa de prisão perpétua.
A legislação é alvo de questionamentos na Justiça e vem sendo considerada discriminatória. No início de abril, um grupo de rabinos defensores dos direitos humanos pediu à Suprema Corte de Israel que a declare inválida e impeça sua aplicação na Cisjordânia.
Ministro extremista
Ben-Gvir é conhecido por sua retórica extremista e ultranacionalista e já esteve envolvido em diversas polêmicas ao longo de seu mandato. Em janeiro de 2024, ele chegou a sugerir que os palestinos saíssem da Faixa de Gaza e fossem reassentados em outro lugar.
A declaração ocorreu após o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmar que palestinos deveriam deixar Gaza para dar lugar a israelenses, que poderiam "fazer o deserto florescer".
Na sequência, Ben-Gvir apoiou o reassentamento de palestinos no exterior e declarou, em reunião política, que a guerra representa uma "oportunidade para se concentrar no incentivo à migração dos residentes de Gaza".
O ministro da Segurança Nacional também é um dos maiores defensores dos assentamentos de colonos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pela comunidade internacional.
Ele é acusado de incitar a violência contra árabes e mantinha em seu gabinete um retrato de Baruch Goldstein, responsável por matar 29 palestinos e ferir outros 125 em Hebron, em 1994, no ataque conhecido como Massacre do Túmulo dos Patriarcas.









