Mendonça prorroga investigação do caso Master por 60 dias
Pedido foi feito pela Polícia Federal "para a realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento" do caso


Kenzô Machida
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu nesta quarta-feira (18) a investigação sobre o Banco Master por mais 60 dias.
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal feito na terça-feira (17). Os responsáveis pelo caso pediram mais prazo para analisar materiais apreendidos durante a apuração. Ao autorizar a prorrogação, o ministro destacou que a medida é necessária para a realização de diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos investigados.
A PF já realizou três fases da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes cometidas pelo Banco Master no sistema financeiro e a teia de relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades da República, incluindo congressistas, ministros do Supremo e integrantes do Banco Central (BC).
A primeira delas foi deflagrada em novembro, com a apreensão de bens de Vorcaro, incluindo seu celular, e a identificação de operações fraudulentas com o Banco de Brasília (BRB) para salvar o Master da liquidação.
A segunda, em janeiro, decretou a prisão de Vorcaro – posteriormente convertida para domiciliar – e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens do banqueiro, de familiares e outras pessoas próximas.
Na mais recente, no início de março, Vorcaro foi alvo de prisão preventiva acusado de chefiar uma espécie de milícia privada com o objetivo de ameaçar e coagir jornalistas e ex-funcionários que considerava adversários, segundo a PF. Há também menções a acessos a sistemas restritos de órgãos de segurança, incluindo o FBI e a Interpol, para se adiantar a possíveis investigações. Ele foi transferido para um presídio de segurança máxima em Brasília.
Delação premiada à vista
Como mostrou o SBT News, a defesa de Daniel Vorcaro se reuniu com Mendonça para falar sobre a possibilidade de firmar um acordo de delação. O encontro foi no STF.
O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, tratou sobre a possibilidade de delação em linhas gerais e afirmou avaliar uma colaboração conjunta entre Polícia Federal e PGR (Procuradoria-Geral da República), sob a supervisão de Mendonça, segundo relatos.
Foi a primeira conversa do novo integrante da defesa de Vorcaro com o STF desde que a Segunda Turma formou maioria para manter a prisão do banqueiro. É também a primeira vez que a defesa de Vorcaro sinaliza diretamente a Mendonça o interesse em firmar uma colaboração premiada.









