Brasil

Caso Marielle: confira os depoimentos do primeiro dia do júri de Lessa e Queiroz

Viúvas, a mãe da vereadora e a única sobrevivente do crime prestaram depoimento no julgamento

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Emanuelle Menezes, Derick Toda
30/10/2024, 14:32 • Atualizado em 31/10/2024, 11:49
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Presencialmente, compareceram no julgamento: Agatha Arnaus, Mônica Benício e Marinete Silva. Fernanda Chaves depôs de forma online | Felipe Cavalcanti/TJRJ

Presencialmente, compareceram no julgamento: Agatha Arnaus, Mônica Benício e Marinete Silva. Fernanda Chaves depôs de forma online | Felipe Cavalcanti/TJRJ

O julgamento dos assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes foi suspenso por volta das 23h50 desta quarta-feira (30), e será retomado às 8h de quinta-feira (31). Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz começaram a ser julgados por volta das 10h30 desta quarta-feira (30), pelo 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

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Foram ouvidas todas as testemunhas de defesa e acusação. A primeira delas foi a assessora de imprensa Fernanda Chaves, que estava no carro com Marielle e Anderson no dia do crime. Ela foi a única sobrevivente do ataque. Veja abaixo os destaques de cada depoimento:

Fernanda Chaves

Fernanda Chaves foi a única sobrevivente do crime que matou Marielle e Anderson | Felipe Cavalcanti/TJRJ
Fernanda Chaves foi a única sobrevivente do crime que matou Marielle e Anderson | Felipe Cavalcanti/TJRJ

A primeira testemunha que prestou depoimento foi a assessora de imprensa Fernanda Chaves, que estava dentro do carro e foi a única sobrevivente do crime. Ela depôs por videoconferência.

Em depoimento, Fernanda afirmou que ao ouvir os barulhos de tiros no dia 14 de março de 2018 acreditou que era um tiroteio.

"No carnaval, poucos dias antes, havia tido ali um confronto de policiais e bandidos, na entrada do Estácio. Foi a primeira coisa que me veio a cabeça. Eu acreditava que havia acabado de passar por um tiroteio, infelizmente essa é uma realidade do Rio de Janeiro", disse.

Marinete Silva

Marinete Silva, mãe de Marielle, testemunhou nesta quarta-feira (30) | Felipe Cavalcanti/TJRJ
Marinete Silva, mãe de Marielle, testemunhou nesta quarta-feira (30) | Felipe Cavalcanti/TJRJ

A segunda testemunha ouvida foi Marinete Silva, a mãe da parlamentar executada em março de 2018, no Rio de Janeiro. Indicada pela acusação, o promotor de Justiça pediu para que Marinete contasse o lado de uma mãe que perdeu a filha e quem era a Marielle fora da figura parlamentar.

Em depoimento, ela disse que "a maior dor é conviver com a falta da filha que podia estar aqui".

"A falta que minha filha faz é imensurável. Falar como minha filha faz falta não tem como definir. A maior dor é conviver com a falta da filha que podia estar aqui [...] É uma dor, uma falta, é um coração que teve um pedaço arrancado covardemente naquele 14 de março de 2018", contou Marinete.

Mônica Benício

Mônica Benício, viúva da vereadora assassinada Marielle Franco, durante depoimento | Felipe Cavalcanti/TJRJ
Mônica Benício, viúva da vereadora assassinada Marielle Franco, durante depoimento | Felipe Cavalcanti/TJRJ

Na sequência, prestou depoimento a vereadora reeleita Mônica Benício (PSOL), viúva da parlamentar. Mônica se emocionou logo no início do depoimento e demorou a conseguir falar.

"A Marielle é uma das pessoas mais companheiras que eu conheci, no sentido mais generoso e bonito que essa palavra pode ter", disse.

Agatha Arnaus Reis

Agatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes, testemunhou nesta quarta-feira (30) | Felipe Cavalcanti/TJRJ
Agatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes, testemunhou nesta quarta-feira (30) | Felipe Cavalcanti/TJRJ

A viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus Reis, foi a quarta a depor. Ela falou sobre o filho, Arthur, e a falta do marido na criação do menino, que tinha 1 ano e 8 meses quando Anderson morreu. A criança nasceu com onfalocele e tem pelo menos cinco alterações genéticas. "Por ele não falar, eu não sei se ele tem total compreensão do que aconteceu", disse ela.

"(O Arthur) Estava vivendo com uma mãe que estava destruída", contou a viúva, ao falar sobre os primeiros meses após o assassinato do motorista. O menino, agora com 8 anos, é acompanhado por uma série de médicos, precisa de fisioterapia e tratamento com fonoaudióloga, além de ter outras condições que necessitam de cirurgias.

O restante dos depoimentos

Além dos familiares e pessoas próximas das vítimas, policiais e peritos que trabalharam na investigação do crime foram ouvidos. O policial civil Carlos Alberto Paúra Júnior fez parte do núcleo de investigação responsável por informações do Chevrolet Cobalt utilizado no crime. Ele descobriu que o veículo usado pelos criminosos foi clonado após longa apuração de placas veículares e análise de imagens de segurança.

Após intervalo para o almoço, foram ouvidas mais testemunhas de acusação. O agente da Polícia Civil do Rio, Luismar Cortelettili foi o primeiro. Ele relatou as investigações que mostram Élcio de Queiroz na região da casa de Ronnie Lessa no dia do crime, e afirmou que ambos estiveram na área do Bar Resenha após o ocorrido.

Em seguida, a perita criminal Carolina Rodrigues Linhares participou do julgamento por videoconferência, e falou sobre os resultados periciais. Segundo ela, uma submetralhadora foi usada no crime. "Possivelmente, foi uma MP5, devido ao impacto causado pelas balas". Os disparos foram abafados de alguma forma, mas a perita não confirmou o uso de um silenciador pelos criminosos.

Na sequência, o delegado da Polícia Federal Guilhermo Catramby, indicado como testemunha pela defesa de Ronnie Lessa, falou sobre a identificação do carro Cobalt, utilizado para transportar os criminosos até o local do crime e facilitar a fuga posteriormente. O delegado também mencionou os avanços nas investigações a partir das delações premiadas feitas pelos envolvidos, como informações sobre a origem das armas.

Depois, também convocado pela defesa do atirador confesso, o policial Marcelo Pasqualetti falou sobre as investigações em âmbito nacional e como as evidências colaboraram para elucidar o caso. Ele falou sobre o veículo usado no crime, as rotas de fuga e o esforço dos envolvidos para destruir provas.

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