Prejuízo provocado por bebidas falsificadas chega a R$ 471 bilhões no Brasil, diz associação
País registra dezenas de casos de intoxicação por metanol; Câmara acelera projeto para tornar crime hediondo a falsificação de bebidas alcoólicas
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SBT News, Murillo Otavio
03/10/2025, 18:23 • Atualizado em 03/10/2025, 18:35
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Onda de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas preocupa autoridades | Freepik
Os recentes casos de possível intoxicação por metanol no Brasil reacenderam o debate sobre bebidas alcoólicas adulteradas. Até o momento, há confirmação de uma morte, e outras ocorrências seguem em investigação. Entre 2024 e 2025, a falsificação e o contrabando de bebidas movimentaram cerca de R$ 471 bilhões, segundo o Anuário da Falsificação, publicado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
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Uísque e gim lideram entre os produtos mais adulterados. Nos anos de 2024 e 2025, foram realizadas 1.587 operações contra o mercado ilegal de bebidas alcoólicas por agentes das Polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e da Receita Federal.
O estado de São Paulo é o principal destino das bebidas falsificadas, seguido de Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás e Pará.
O estudo aponta que o mercado ilegal continua crescendo de forma acelerada, impulsionado pelo aumento da tributação da indústria nacional, que reduz a competitividade dos produtos originais.
A crise econômica, a perda de poder aquisitivo da população, os reflexos da pandemia e a fiscalização limitada em portos e fronteiras também agravam o problema.
Outro ponto destacado no levantamento é a sofisticação da produção. Embora ainda existam falsificadores atuando em estruturas precárias, a maior parte das fraudes envolve grandes esquemas industriais.
O corte de recursos federais para órgãos de fiscalização como Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Receita agrava a situação, gerando riscos à saúde pública, perda de arrecadação e até desemprego.
Para Rodolpho Heck Ramazzini, diretor da ABCF, é preciso intensificar o controle da produção.
"A lei precisa ser cumprida, pois o que está acontecendo agora é a face mais dura e nociva do mercado ilegal, da indústria da falsificação e do crime organizado: a perda de vidas humanas por ganância de uns e inação de outros", afirmou.
Segundo a entidade, a circulação de bebidas falsas gera um prejuízo anual de cerca de R$ 88 bilhões em impostos. O SBT News entrou em contato com o Ministério da Fazenda, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Câmara tenta endurecer punição
Nessa quinta (2), a Câmara dos Deputados aprovou a urgência do projeto de lei que torna crime hediondo a falsificação de bebidas alcoólicas e adulteração de alimentos. A votação foi unânime e simbólica.
A medida acelera a tramitação da proposta, permitindo que seja votada diretamente em plenário. O texto prevê aumento da pena para falsificação de bebidas, hoje de 4 a 8 anos, para 6 a 12 anos de prisão. A tipificação como crime hediondo endurece o cumprimento da pena e restringe benefícios como progressão de regime ou indulto.
O projeto foi apresentado em 2007, após o escândalo da adulteração de leite em Minas Gerais, e estava parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Casos seguem sendo identificados em diferentes estados. A Secretaria da Saúde da Bahia confirmou nesta sexta (3) a morte de um homem de 56 anos em Feira de Santana, com suspeita de intoxicação.
O fígado metaboliza o metanol em substâncias altamente tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que causam lesões graves no fígado, no cérebro e nos nervos ópticos.
Os sintomas podem surgir em até 12 horas após a ingestão e incluem:
Náuseas e vômitos;
Dor abdominal;
Tontura;
Visão borrada e sensibilidade à luz.
Prejuízo provocado por bebidas falsificadas chega a R$ 471 bilhões no Brasil, diz associação País registra dezenas de casos de intoxicação por metanol; Câmara acelera projeto para tornar crime hediondo a falsificação de bebidas alcoólicasBrasil2025-10-03T18:23:43.840ZOs recentes casos de possível intoxicação por metanol no Brasil reacenderam o debate sobre bebidas alcoólicas adulteradas. Até o momento, há confirmação de uma morte, e outras ocorrências seguem em investigação. Entre 2024 e 2025, a falsificação e o contrabando de bebidas movimentaram cerca de R$ 471 bilhões, segundo o Anuário da Falsificação, publicado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). Uísque e gim lideram entre os produtos mais adulterados. Nos anos de 2024 e 2025, foram realizadas 1.587 operações contra o mercado ilegal de bebidas alcoólicas por agentes das Polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e da Receita Federal. O estado de São Paulo é o principal destino das bebidas falsificadas, seguido de Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Goiás e Pará. O estudo aponta que o mercado ilegal continua crescendo de forma acelerada, impulsionado pelo aumento da tributação da indústria nacional, que reduz a competitividade dos produtos originais. A crise econômica, a perda de poder aquisitivo da população, os reflexos da pandemia e a fiscalização limitada em portos e fronteiras também agravam o problema. Outro ponto destacado no levantamento é a sofisticação da produção. Embora ainda existam falsificadores atuando em estruturas precárias, a maior parte das fraudes envolve grandes esquemas industriais. O corte de recursos federais para órgãos de fiscalização como Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Receita agrava a situação, gerando riscos à saúde pública, perda de arrecadação e até desemprego. Para Rodolpho Heck Ramazzini, diretor da ABCF, é preciso intensificar o controle da produção. "A lei precisa ser cumprida, pois o que está acontecendo agora é a face mais dura e nociva do mercado ilegal, da indústria da falsificação e do crime organizado: a perda de vidas humanas por ganância de uns e inação de outros", afirmou. Segundo a entidade, a circulação de bebidas falsas gera um prejuízo anual de cerca de R$ 88 bilhões em impostos. O SBT News entrou em contato com o Ministério da Fazenda, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Câmara tenta endurecer punição Nessa quinta (2), a Câmara dos Deputados aprovou a urgência do projeto de lei que torna crime hediondo a falsificação de bebidas alcoólicas e adulteração de alimentos. A votação foi unânime e simbólica. A medida acelera a tramitação da proposta, permitindo que seja votada diretamente em plenário. O texto prevê aumento da pena para falsificação de bebidas, hoje de 4 a 8 anos, para 6 a 12 anos de prisão. A tipificação como crime hediondo endurece o cumprimento da pena e restringe benefícios como progressão de regime ou indulto. O projeto foi apresentado em 2007, após o escândalo da adulteração de leite em Minas Gerais, e estava parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em São Paulo, onde os primeiros casos recentes foram identificados, a Bares, adegas e distribuidoras foram interditados pela Vigilância Sanitária, incluindo o Ministrão Bar, nos Jardins, zona oeste da capital. No local, a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, Operações e novos casos Nesta sexta (3), a PF e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MapaForam coletadas amostras que serão analisadas em laboratório. Na noite dessa quinta, a antídoto contra intoxicação por metanol, já que o medicamento não tem registro no Brasil. Casos seguem sendo identificados em diferentes estados. A Secretaria da Saúde da Bahia confirmou nesta sexta (3) a morte de um homem de 56 anos em Feira de Santana, com suspeita de intoxicação. Em Pernambuco, uma mulher passou mal após ingerir vodca adulterada em Olinda. No , o rapper Hungria Hip Hop segue internado em UTI após ingerir bebida adulterada. Sintomas O fígado metaboliza o metanol em substâncias altamente tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que causam lesões graves no fígado, no cérebro e nos nervos ópticos. Os sintomas podem surgir em até 12 horas após a ingestão e incluem: São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/prejuizo-provocado-por-mercado-de-bebidas-falsificadas-chega-a-r-471-bilhoes-no-brasil-diz-associacao
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