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“Cenário de guerra”: advogado relata destruição após temporal em MG

Estado tem 22 mortes confirmadas depois das chuvas de segunda-feira (23); Juiz de Fora registrou um volume de água quase duas vezes acima da média para o mês

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Temporal deixa Juiz de Fora em situação de calamidade | Reprodução Redes Sociais
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A forte chuva que atingiu Minas Gerais nesta segunda-feira (23) provocou desastres em áreas da Zona da Mata. Segundo o Corpo de Bombeiros, 16 pessoas morreram em Juiz de Fora. Em Ubá, seis mortes foram confirmadas.

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Na cidade mais afetada, Juiz de Fora, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, quase o dobro da média prevista para todo o mês. Ao jornal Estado de Minas, moradores afirmaram que nunca tinham presenciado uma situação semelhante no município.

“Cenário de guerra. Eu tenho mais ou menos altura de 1,75 metro e a altura da água chegou a mais de 2 metros de altura, tampando a janela e as entradas do nosso escritório. Praticamente perdemos tudo ali dentro”, contou o advogado Iury Rocha, de 38 anos, que tem um escritório no Bairro Vitorino Braga, afetado pelo temporal.

Iury afirma que não há condições de retomar o trabalho nos próximos dias e dispensou três funcionários. Segundo ele, o acesso ao bairro está comprometido pelos estragos da chuva e a rotina foi interrompida.

Diante da situação, a prefeitura suspendeu as aulas na rede municipal e o transporte público da cidade. Na manhã desta terça-feira (24), o advogado retornou à escola do filho para buscá-lo após a suspensão das atividades.

“Pelo relato dos moradores, o barro, a lama, está chegando mais ou menos na altura do joelho e tem ponto de alagamento ainda dentro do Bairro de Vitorino Braga”, relata. Ele acrescenta que alguns vizinhos perderam pertences e estão desesperados, embora a casa dele não tenha sido atingida.

Situação em Juiz de Fora

A prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública e informou que atua junto com a Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros no atendimento às ocorrências.

Cerca de 440 pessoas foram encaminhadas para escolas municipais, que servem como abrigos provisórios.

Até o momento, são 251 registros, entre eles 20 soterramentos. Equipes de resgate estão recebendo apoio de empresas particulares nas buscas às vítimas.

“Vários bombeiros foram empenhados assim que as ocorrências foram notificadas. O Batalhão Especializado de Atendimento a Desastres está presente e há reforço de tropas. Todas as ocorrências de soterramento têm pelo menos um bombeiro presente. O que aconteceu [o volume de chuva], realmente foi algo surreal, algo fora do que a gente consegue prever.”, disse o Cel Joselito, do Corpo de Bombeiros.
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