PM deixa 3 mortos em menos 24h no Rio e mobiliza protestos
Casos ocorreram em São Gonçalo e na Ilha do Governador; policiais envolvidos nas mortes de duas das vítimas foram afastados

A morte de dois pedreiros e de um motorista de aplicativo em ações da Polícia Militar provocou revolta e protestos no Rio de Janeiro. Os três casos aconteceram em menos de 24 horas na região metropolitana.
Em São Gonçalo, parentes e moradores bloquearam trechos da rodovia BR-101 após a morte de dois trabalhadores que estavam a caminho do serviço. Manifestantes queimaram pneus, espalharam entulho na pista e atiraram pedras em veículos. A polícia reagiu com balas de borracha.
Segundo testemunhas, Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, seguiam de moto para o trabalho quando foram baleados por policiais militares.
Familiares afirmam que os agentes confundiram uma régua de pedreiro com uma arma. Ferramentas de trabalho ficaram espalhadas no local após os disparos.
"Era um cara trabalhador, de segunda a sexta", disse Vera Lúcia Lourenço, prima de Marcelo.
A PM informou que os agentes atuavam na região para garantir a segurança de técnicos de uma empresa de telefonia. A corporação abriu um procedimento para investigar a ocorrência.
Os policiais envolvidos foram afastados e tiveram as armas apreendidas. As imagens das câmeras corporais também serão analisadas.
Um dia antes, outro caso causou indignação entre familiares. Lucas Rodrigues Rocha, de 25 anos, morreu baleado durante uma operação da PM na Ilha do Governador.
Segundo parentes, ele trabalhava como motorista de aplicativo e fazia uma entrega no momento do tiroteio. Já a polícia afirma que houve confronto com criminosos.
"Eu só quero justiça. Ele não merecia esse fim", afirmou Larissa de Oliveira Gomes, esposa de Lucas.
De acordo com o Instituto Fogo Cruzado, 178 pessoas morreram em ações policiais neste ano na região metropolitana do Rio de Janeiro.















