Brasil

Fomepizol: Anvisa consulta órgãos internacionais para disponibilizar antídoto do metanol

Agência Nacional de Vigilância Sanitária trata importação do medicamento como prioridade em meio a dezenas de casos de intoxicação

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Felipe Moraes
03/10/2025, 11:13 • Atualizado em 03/10/2025, 12:09
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Casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas têm mobilizado autoridades de diversos órgãos | Freepik

Casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas têm mobilizado autoridades de diversos órgãos | Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou na noite dessa quinta-feira (2) que tem acionado autoridades e órgãos reguladores internacionais para disponibilizar fomepizol, antídoto para intoxicação por metanol, no Brasil.

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Esse medicamento ainda não possui registro sanitário para ser vendido no mercado brasileiro, o que, segundo a agência, "torna necessária a busca por fornecedores em outros países para atender à demanda do Sistema Único de Saúde (SUS)".

"Uma das prioridades da Anvisa é viabilizar a disponibilidade do medicamento fomepizol, indicado como antídoto para intoxicação por metanol. A Agência já consultou formalmente autoridades reguladoras internacionais sobre a autorização de comercialização do produto em seus respectivos países", declarou o órgão, que integra a Sala de Situação montada pelo Ministério da Saúde para ações estratégicas diante da onda de casos de intoxicação.

Veja lista de órgãos consultados pela Anvisa:

  • Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (Anmat), da Argentina;
  • Comisión Federal para la Protección contra Riesgos Sanitarios (Cofepris), do México;
  • European Medicines Agency (EMA), da União Europeia;
  • Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos;
  • Health Canada (Canadá);
  • MHLW, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão;
  • Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), do Reino Unido;
  • NMPA, departamento que realiza supervisão de medicamentos na China;
  • Agency for Therapeutic Products (Swissmedic), da Suíça;
  • Therapeutic Goods Administration (TGA), da Austrália.

Além da consulta a autoridades estrangeiras, a Anvisa informou que, após pedido de urgência enviado pelo governo federal, publicou um edital de chamamento para "identificar fabricantes e distribuidores internacionais com disponibilidade imediata de fornecimento do medicamento ao Ministério da Saúde".

O edital da Anvisa saiu nesta sexta (3), no Diário Oficial da União (DOU). "Tem como objetivo identificar fabricantes e distribuidores internacionais do medicamento Fomepizol, em ampolas de 1,5 ml e concentração de 1.000 mg/ml", explicou o órgão.

A ideia da agência é acelerar aquisição do produto para uso no Brasil e "garantir atendimento aos pacientes no menor tempo possível".

E qual a alternativa ao fomepizol?

A Anvisa afirmou que tem identificado farmácias de manipulação e laboratórios farmacêuticos aptos à preparação estéril de etanol grau farmacêutico, considerado como alternativa "terapêutica" ao fomepizol em casos de intoxicação por metanol.

A agência já realizou levantamento nacional de farmácias – 604 até o momento – e "está pronta para adotar medidas regulatórias que viabilizem a produção do etanol manipulado, caso essa estratégia seja aprovada pelo Ministério da Saúde".

Disque-intoxicação

A população pode notificar casos suspeitos pelo disque-intoxicação (0800-722-6001), mantido pela Anvisa. Atualmente, há 13 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) ligados a esse serviço.

"Esses centros estão preparados para oferecer assistência e informações de primeiros socorros em casos de intoxicação, até que o paciente chegue ao local de atendimento médico de emergência", explica a agência.

O disque-intoxicação centraliza ligações e redistribui ao Ciatox mais próximo do local de origem do telefonema. "Se o Ciatox de uma localidade não fizer parte do disque-intoxicação, ainda assim ele pode fornecer atendimento por canais próprios."

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