Polícia cumpre 170 mandados em operação contra golpes digitais; MC Negão Original é alvo
Informação exclusiva aponta que funkeiro, que tinha mandado de prisão, fugiu 10 horas antes da operação

Derick Toda
Uma operação nos estados de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal cumpriu, nesta terça-feira (24), 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão contra uma quadrilha suspeita de praticar golpes digitais. Entre os alvos está João Vitor Ribeiro, de 28 anos, funkeiro conhecido como MC Negão Original.
Negão Original, que tem mais de 2,3 milhões de seguidores e ostenta vida de luxo nas redes sociais, é apontado como integrante de uma quadrilha milionária especializada em estelionato e lavagem de dinheiro. Os agentes foram até o condomínio de luxo do MC, em Arujá, na Grande São Paulo, mas ele não foi localizado e está foragido da Justiça.
O SBT obteve com exclusividade vídeos que mostram a mansão do funkeiro. De acordo com a investigação, ele deixou o local por volta das 20h20, dez horas antes da operação, levando documentos, celulares e outros materiais que seriam fundamentais para a investigação. A polícia tenta descobrir se ele recebeu informações privilegiadas.

Em nota, a defesa do funkeiro disse que, até o momento, não teve acesso integral aos autos da investigação, o que impede qualquer análise técnica aprofundada sobre os fatos. Segundo o advogado Robson Cyrillo, João Vitor Ribeiro comprovará sua inocência.
"Todas as transações financeiras relacionadas ao artista possuem lastro documental e origem lícita, o que será devidamente demonstrado no momento oportuno, tão logo a defesa tenha acesso aos documentos e elementos investigativos. A defesa reafirma confiança nas instituições e no devido processo legal, reiterando que quaisquer esclarecimentos serão prestados nos autos, foro adequado para a análise técnica e imparcial dos fatos", disse a defesa do artista.
Segundo as investigações, o esquema de estelionato consistia em diferentes golpes com grupos separados. Havia o "golpe do falso advogado", o "golpe do INSS" e até o da "mão fantasma", quando criminosos instalam aplicativos no celular que passam a controlar o aparelho. O dinheiro roubado era lavado por meio de apostas online e fintechs.
A operação, nomeada "Fim da Fábula", identificou ao menos 36 imóveis que pertencem aos investigados. Muitos estão em nome de laranjas, empresas de fachada e até embarcações. A Justiça bloqueou R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas correntes identificadas, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica.
A ação foi comandada por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), com apoio do Ministério Público. A mobilização reuniu mais de 400 agentes de forças de segurança. Até o momento, não foi divulgado o número de detidos na operação.









