Brasil

Polícia investiga desvios milionários no Juventus em SP

Duas investigações apuram supostos desvios de R$ 1 milhão e de parte dos R$ 20 milhões de uma negociação de SAF envolvendo o clube da zona leste

Avatar de Fabio Diamante
Avatar de Robinson Cerantula
Fabio Diamante, Robinson Cerantula
Clube Juventus na Mooca, zona leste de São Paulo | Foto: divulgação

Clube Juventus na Mooca, zona leste de São Paulo | Foto: divulgação

A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de desvios milionários no Clube Atlético Juventus, tradicional instituição esportiva da Mooca, na Zona Leste da capital paulista. A apuração ocorre em meio a uma crise financeira e institucional no clube, que envolve disputas internas entre grupos políticos. O caso também passou a incluir denúncias de violência doméstica e estupro envolvendo um ex-casal de advogados ligado às investigações.

Ao todo, duas frentes de investigação estão em andamento na Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCCPAT).

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Desvio de R$ 1 milhão

A primeira investigação apura o desvio de R$ 1 milhão que deveria ter entrado nos cofres do Juventus. Segundo a polícia, a movimentação foi identificada por meio de uma quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça. O inquérito tem mais de 700 páginas.

O dinheiro seria proveniente da venda de parte do potencial construtivo do Estádio Conde Rodolfo Crespi, conhecido como Rua Javari. A negociação foi formalizada em 2022, por meio de um termo de compromisso com a Prefeitura de São Paulo, em decorrência do tombamento do estádio como patrimônio histórico.

Segundo as investigações, o principal alvo desse inquérito é o ex-presidente do Juventus Antônio Ruiz Gonsalez.

SAF de R$ 20 milhões

Enquanto o Juventus comemorava em campo o retorno à elite do Campeonato Paulista, o clube passou a ser alvo de uma segunda investigação. Dessa vez, as suspeitas envolvem a atual diretoria e a negociação para a venda do controle do futebol a uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

A apuração investiga um suposto desvio de parte dos R$ 20 milhões previstos no negócio.

Um dos personagens centrais do caso é o advogado Guilherme Rodrigues, que integrou o Conselho Deliberativo e comissões internas do clube, além da ex-esposa dele, a advogada Luma Zaffarani.

Rodrigues chegou a declarar que R$ 900 mil teriam sido desviados sob a justificativa de pagamento de honorários advocatícios. Segundo o relato inicial, o valor seria dividido e repassado para contas de Carlos Eduardo Pedroso, policial civil e presidente do Conselho Deliberativo, e de Dilson Tadeu dos Santos Deradeli, atual presidente do Juventus.

Posteriormente, o advogado recuou das acusações em mensagens e documentos. A investigação, no entanto, continuou em andamento na Polícia Civil.

Denúncias de violência doméstica e estupro

Paralelamente à apuração financeira, a separação de Guilherme Rodrigues e Luma Zaffarani passou a integrar o caso. O rompimento foi acompanhado por acusações de traição, violência doméstica e estupro.

Luma afirmou ter sido vítima de agressões físicas e abuso sexual cometidos pelo ex-marido. Entre os documentos anexados à investigação está um áudio de uma conversa entre os dois. Na gravação, Guilherme diz: "Do dia da calcinha, que eu já me desculpei, me arrependo. Ou de outras vezes, que eu fui muito abusivo com você mesmo e eu reconheço."

O que diz Guilherme Rodrigues

Em nota, Guilherme Rodrigues negou as acusações de ordem pessoal e afirmou que as denúncias contra ele seriam uma retaliação por ter apontado supostas irregularidades dentro do Juventus. "Não tenho condenação nem respondo a ação penal, muito menos tenho conhecimento de inquérito. Tomei conhecimento com a matéria dessa alegação de estupro surgida após sete meses de separação e quase uma década de convivência. Minha trajetória de mais de dez anos de advocacia, docência e pesquisa acadêmica se defende com documentos e com o exame sereno dos fatos", argumentou.

O advogado afirmou que se associou ao clube em janeiro de 2025, como sócio remido, e que atuou voluntariamente na Comissão de Auditoria, na Comissão de Sindicância e no Conselho Deliberativo.

Segundo Rodrigues, ao identificar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos, ele levou as informações às autoridades por iniciativa própria. Ele afirmou ainda que renunciou aos cargos em abril de 2026 e deixou o quadro de sócios do clube.

O que diz Antonio Ruiz Gonsalez

Em nota, Antonio Ruiz Gonsalez negou irregularidades em suas gestões à frente do Clube Atlético Juventus e afirmou que todas as contas foram aprovadas pelos órgãos competentes. Sobre o potencial construtivo da Rua Javari, disse que a operação seguiu as normas do clube e não lhe trouxe benefício pessoal. Ele também afirmou que as sindicâncias abertas contra ele são questionadas na Justiça e tiveram os efeitos suspensos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Gonsalez classificou as acusações como parte de uma suposta perseguição política dentro do clube e disse que as medidas adotadas contra ele teriam como objetivo influenciar o processo sucessório do Juventus. O ex-presidente informou ainda que move ações judiciais para anular as sindicâncias e decisões internas e buscar reparação por danos morais.

Confira nota na íntegra de Guilherme Rodrigues

1. Associei-me ao Clube em janeiro de 2025, com a aquisição de título remido, para a prática esportiva de minha família, e nessa condição integrei, sem qualquer remuneração, a Comissão de Auditoria, a Comissão de Sindicância e o Conselho Deliberativo.

2. Tudo o que soube a respeito de contratos e pagamentos do Clube levei, por iniciativa própria, ao conhecimento das autoridades competentes, a quem presto e continuarei prestando esclarecimentos. Tão logo constatei indícios de irregularidade, afastei-me: deixei a Comissão de Sindicância, o Conselho Deliberativo em abril de 2026 e, em seguida, o quadro associativo.

3. As apurações em curso dizem respeito à gestão do Clube e aos contratos por ela celebrados. SOBRE AS ACUSAÇÕES DE NATUREZA PESSOAL

4. Fui casado por dez anos e, durante todo esse tempo, participei integralmente da vida familiar, inclusive da criação da filha de minha excônjuge, a quem sempre tratei como minha própria filha.

5. Em 19 de agosto de 2026 — após a publicação de reportagem sobre as irregularidades do —, em reunião realizada nas dependências do Clube e diante de dezenas de pessoas, foi-me atribuída a prática de estupro durante o casamento. A imputação é falsa e a repudio de forma categórica: jamais pratiquei qualquer ato sexual sem consentimento e nunca, ao longo de dez anos de convivência, existiu alegação dessa. Registrei imediatamente a ocorrência de calúnia (BO nº MO9071-1/2026).

6. A matéria menciona ainda agressões físicas. Nunca agredi minha excônjuge, e em dez anos de convivência não existiu um único registro, queixa ou alegação de agressão física.

7. A sequência dos fatos dispensa adjetivos: as representações que apresentei contra dirigentes do Clube; a repercussão delas na imprensa; no dia seguinte, a acusação pública; em 31 de agosto, a “nota pública” dirigida aos conselheiros e divulgada em grupos de mensagens, hoje objeto de queixacrime perante a 16ª Vara Criminal da Capital; e, em 16 de setembro, a matéria. Cada um desses fatos está documentado e submetido às instâncias competentes.

8. Não tenho condenação nem respondo a ação penal, muito menos tenho conhecimento de inquérito. Tomei conhecimento com a matéria dessa alegação de estupro surgida após sete meses de separação e quase uma década de convivência. Minha trajetória de mais de dez anos de advocacia, docência e pesquisa acadêmica se defende com documentos e com o exame sereno dos fatos.

Confira nota na íntegra Antonio Ruiz Gonsalez

1. Legalidade de todos os atos de gestão

O Sr. Antonio Ruiz Gonsalez sempre pautou sua atuação na estrita observância do Estatuto Social, das deliberações dos Conselhos de Administração, Deliberativo e Fiscal, da legislação aplicável e dos princípios da boa-fé, da transparência e da probidade administrativa.

Todas as contas de suas gestões foram regularmente aprovadas, sem ressalvas, pelos órgãos competentes do clube, conferindo-lhe quitação plena (quitus). Não existe qualquer condenação judicial, administrativa ou estatutária contra o Sr. Antonio Ruiz Gonsalez. As sindicâncias instauradas contra ele — nº 49/2025 e nº 51/2025 — são alvo de ações judiciais e tiveram seus efeitos suspensos por decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo.

2. Especificamente sobre o potencial construtivo da Rua Javari

A operação envolvendo o potencial construtivo do Estádio Conde Rodolfo Crespi (Rua Javari) foi conduzida dentro das normas estatutárias e legais, com aprovação dos órgãos deliberativos do clube, pareceres técnicos e jurídicos e sem qualquer vantagem pessoal para o Sr. Antonio Ruiz Gonsalez.

Eventual discussão sobre tombamento e multa foi objeto de defesa administrativa regular perante o CONPRESP, tendo o próprio clube formulado requerimento para afastamento da multa e concessão de prazo para conclusão das obras — requerimento integralmente acolhido. A obrigação de reforma do estádio, aliás, foi assumida como contrapartida pela investidora da SAF do Juventus, conforme o Acordo de Investimento e seu Anexo 2.1.3.

Não houve, portanto, qualquer ato ilícito, desvio de finalidade ou prejuízo ao clube imputável ao Sr. Antonio Ruiz Gonsalez.

3. Perseguição política e lawfare

O Sr. Antonio Ruiz Gonsalez é vítima de evidente perseguição política dentro do Clube Atlético Juventus. As sindicâncias e ações movidas contra ele não têm substrato fático, mas sim motivação eleitoral e política, com o objetivo de afastá-lo do Conselho Deliberativo e de influenciar o processo sucessório do clube.

Essa perseguição se intensificou em período eleitoral e utilizou instrumentos internos de forma casuística, como a Resolução nº 01/2026, editada monocraticamente pelo Presidente do Conselho Deliberativo às vésperas de julgamento, para restringir o direito de voto de conselheiros e manipular o colégio votante.

4. Confissão nos autos

Em petição protocolada nos autos do processo nº 4049342-29.2025.8.26.0100, o corréu Guilherme Vinicius Justino Rodrigues, que atuou como Coordenador da Comissão de Sindicância, reconheceu expressamente, em juízo, que:

· o parecer contra o Sr. Antonio foi solicitado por motivo declaradamente político, para “implicar” o ex-presidente;

· a Resolução nº 01/2026 foi criada após a derrota da gestão em plenário, com o objetivo de restringir quais conselheiros poderiam votar e impedir que opositores participassem do julgamento;

· muitos conselheiros assinaram a ratificação da Resolução sem compreender plenamente seu conteúdo, finalidade e efeitos;

· a lógica do expediente foi: “não obtido o resultado pretendido pela votação, alterou-se a composição do colégio votante para obtê-lo na votação seguinte”.

Trata-se de confissão judicial que corrobora integralmente a tese do Sr. Antonio Ruiz Gonsalez de que as sindicâncias e a Resolução nº 01/2026 foram fabricadas e manipuladas para prejudicá-lo politicamente.

5. Ações judiciais em curso

O Sr. Antonio Ruiz Gonsalez já ajuizou as medidas judiciais cabíveis contra o Clube Atlético Juventus e contra os dirigentes que o difamaram, buscando:

· a anulação das Sindicâncias nº 49/2025 e nº 51/2025;

· a anulação da deliberação do Conselho Deliberativo de 24/11/2025 e da Resolução nº 01/2026;

· a reparação por danos morais em razão das acusações falsas e da perseguição política;

· a reintegração de seus direitos estatutários e associativos.

Os processos tramitam perante a 12ª Vara Cível e a 3ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem do Foro Central de São Paulo, além de recursos no Tribunal de Justiça de São Paulo.

6. Compromisso com a verdade

O Sr. Antonio Ruiz Gonsalez reafirma sua trajetória de dedicação ao Clube Atlético Juventus, sua confiança na Justiça e seu compromisso com a verdade. Não aceitará passivamente que seu nome e sua honra sejam atingidos por narrativas fabricadas para fins políticos.

A todos os órgãos de imprensa, colocamo-nos à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos e apresentar os documentos que comprovam a legalidade de sua gestão e a perseguição de que é vítima.

Últimas notícias