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Pagodeiro "proibidão" era "empresário" dos negócios ligados ao PCC, diz MP

Latrell Brito usava empresas dele e de laranjas para simular concorrência em contratações de prefeituras alvos da Operação Munditia

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Ricardo Brandt
17/04/2024, 09:22 • Atualizado em 17/04/2024, 09:22
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Pagodeiro "proibidão" era "empresário" dos negócios ligados ao PCC, diz MP

Nas redes sociais e canais de música da internet, Vagner Borges Dias é o pagodeiro Latrell Brito, que mistura letras estilo "proibidão" (que exalta o crime) ao pagode. Na vida real, é o dono de empresas que fornecem mão de obra para prefeituras paulistas apontadas como parte de um milionário esquema de lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas, usado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para "esquentar" o lucro com o tráfico de drogas.

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Latrell Britto foi um dos principais alvos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nessa terça-feira (16), na Operação Munditia.

Latrell e outras 12 pessoas foram presas: três vereadores (de Cubatão, Ferraz de Vasconcelos e Santa Isabel), uma servidora pública, um advogado do Legislativo e empresários. Duas pessoas seguem foragidas.

Todos são suspeitos de envolvimento com fraudes em contratos públicos e favorecimento a negócios usados pelo PCC para movimentar dinheiro do tráfico. São contratos que totalizam R$ 200 milhões, de prestação de serviços de mão de obra terceirizada, assinados com prefeituras e Câmaras de Vereadores do estado.

Latrell seria parte do núcleo empresarial do esquema do PCC alvo dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele é de Suzano e controlaria empresas em seu nome e em de laranjas. Além da Vagner Borges Dias ME, ele teria controle de pelo menos sete firmas.

Segundo o Gaeco, elas eram usadas para fraudar as disputas em concorrências do poder público — que servem para escolha do melhor negócio para o estado —, em contratos de serviços como para limpeza, porteiros, vigilantes, entre outros. Quebras de sigilo telemático dos alvos apontaram que elas entravam nas disputas de contratos (boa parte por pregão eletrônico) e simulavam uma concorrência.

A juíza da 5ª Vara Criminal de Guarulhos, Priscila Devechi Ferraz Maia, destacou em sua ordem de prisão o "aumento vultuoso" de capital da empresa de Latrell, no período em que as firmas, em nome de terceiros e controladas por ele, assinaram os contratos públicos.

Uma delas é a CJM Comercial e Utilidades, que registra, entre os sócios, Márcio Zeca da Silva, o Gordo. Segundo o Gaeco, ele é ligado ao PCC e foi condenado por tráfico de drogas. Carlos Roberto Galvão Júnior, o Juninho, e Antonio Carlos de Morais também foram presos.

Outras empresas investigadas são a Mova Empreendimentos, em nome de Joyce da Silva Caetano, e a Comercial e Serviços Eireli, registrada em nome de Wellington Costa. Os dois são funcionários de Latrell e também foram detidos.

Em Suzano, a polícia prendeu, também nessa terça, o presidente do União Brasil na cidade, Dário Reisinger Ferreira.

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