Dona da Betnacional é alvo de operação da Receita e do MPF
Força-tarefa Jogo de Sombras apura suspeita de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no mercado de apostas online
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Felipe Moraes, Caroline Vale
Operação Jogo de Sombras cumpriu seis mandados de busca e aprensão em capitais de três estados | Divulgação/Receita Federal
O grupo NSX Brasil, suspeito de movimentar mais de R$ 5 bilhões no mercado de apostas esportivas online, as bets, em 2025 foi alvo da operação Jogo de Sombras, na manhã desta sexta-feira (28). A marca é dona da Flutter Entertainment, empresa escocesa que tem a Betnacional como uma de suas subsidiárias.
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Deflagrada pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a força-tarefa cumpriu seis mandados de busca e apreensão três capitais: João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP).
Segundo a Receita, alvos teriam cometido ilícitos tributários e financeiros "tanto antes quanto após a regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil", em vigor desde dezembro de 2023. Investigadores apuram a suspeita de crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Detalhes de como esquema funcionava | Divulgação/Receita Federal
Em paralelo às ordens judiciais, o órgão afirmou em nota que instaurou 11 procedimentos fiscais para aprofundar o caso, "com potencial de recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos".
Participaram da ação 28 servidores da Receita, entre auditores fiscais e tributários, 10 procuradores da República, policiais do MPF e peritos da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), vinculada ao Ministério Público Federal.
Em nota enviada ao SBT News, o grupo NSX Brasil afirmou que ainda não vai se manifestar sobre o conteúdo da investigação, argumentando que "advogados da companhia ainda não tiveram acesso aos autos".
A empresa ainda disse que "conduz suas operações" no país "em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance". Leia comunicado na íntegra:
"A NSX Brasil confirma que recebeu, na manhã desta sexta-feira (28), em seu escritório em Recife, uma diligência da Receita Federal, no âmbito de investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). Os advogados da companhia ainda não tiveram acesso aos autos da investigação e, por essa razão, não é possível se manifestar sobre o seu conteúdo neste momento.
A companhia reforça que colaborará integralmente com as autoridades competentes e permanecerá à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, tendo já apresentado os documentos e informações solicitados.
Ao longo de sua atuação no País, a empresa conduz suas operações em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance, alinhadas aos padrões internacionais da Flutter Entertainment, grupo global do qual faz parte, listado na Bolsa de Nova York (NYSE) e com atuação em mais de 100 países."
A companhia respeita o devido processo legal e seguirá prestando os esclarecimentos necessários pelos canais institucionais adequados."
Como esquema funcionava
De acordo com investigadores, integrantes do grupo empresarial teriam aberto uma empresa de fachada em Curaçao, ilha localizada no Caribe, para simular a operação de uma plataforma de apostas digitais. Isso ocorreu antes da regulamentação do setor pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.
"As investigações indicam, contudo, que empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil", explicou a Receita.
Autoridades também identificaram indícios de uso de instituições de pagamento e operações financeiras estruturadas para "movimentação de recursos" entre o território brasileiro e o exterior.
"Parte desses valores teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por prestação de serviços, em possível mecanismo destinado a justificar a repatriação de recursos anteriormente enviados ao exterior", acrescentou.
Receita Federal e MPF deflagraram operação Jogo de Sombras | Divulgação/Receita
Operadores ainda teriam criado contas-bolsão em fintechs para dificultar rastreamento de valores e beneficiários finais dos recursos.
"Embora o grupo investigado tenha obtido autorização para atuação no segmento a partir de 2025, há indícios de que a exploração da atividade já ocorria anteriormente em território nacional, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos. As investigações também buscam esclarecer se os recursos utilizados para o pagamento da outorga tiveram origem em atividades desenvolvidas antes da regulamentação do setor", detalhou a Receita.
Órgãos também averiguam irregularidades cometidas após a regulamentação das bets. "Segundo os elementos apurados, parte das estruturas utilizadas anteriormente teria sido adaptada para continuar viabilizando mecanismos de sonegação fiscal", disse.
Uma das linhas de investigação é sobre a declaração ao Fisco de "despesas supostamente fictícias, com potencial impacto na redução indevida dos tributos devidos a partir do ano-calendário de 2025".
A Jogo de Sombras é a segunda força-tarefa de grande porte deflagrada em agosto pela Receita e pelo MPF contra irregularidades no setor de apostas. Em 13/8, a operação Arena apreendeu bens e valores de até R$ 1 bilhão e cumpriu 17 ordens de busca e apreensão em cinco estados.
Dona da Betnacional é alvo de operação da Receita e do MPFForça-tarefa Jogo de Sombras apura suspeita de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no mercado de apostas onlineBrasil2026-08-28T12:41:04.520ZO grupo NSX Brasil, suspeito de movimentar mais de R$ 5 bilhões no mercado de apostas esportivas online, as bets, em 2025 foi alvo da operação Jogo de Sombras, na manhã desta sexta-feira (28). A marca é dona da Flutter Entertainment, empresa escocesa que tem a Betnacional como uma de suas subsidiárias. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Deflagrada pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a força-tarefa cumpriu seis mandados de busca e apreensão três capitais: João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Segundo a Receita, alvos teriam cometido ilícitos tributários e financeiros "tanto antes quanto após a regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil", em vigor desde dezembro de 2023. Investigadores apuram a suspeita de crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em paralelo às ordens judiciais, o órgão afirmou em nota que instaurou 11 procedimentos fiscais para aprofundar o caso, "com potencial de recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos". Participaram da ação 28 servidores da Receita, entre auditores fiscais e tributários, 10 procuradores da República, policiais do MPF e peritos da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea), vinculada ao Ministério Público Federal. Em nota enviada ao SBT News, o grupo NSX Brasil afirmou que ainda não vai se manifestar sobre o conteúdo da investigação, argumentando que "advogados da companhia ainda não tiveram acesso aos autos". A empresa ainda disse que "conduz suas operações" no país "em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance". Leia comunicado na íntegra: "A NSX Brasil confirma que recebeu, na manhã desta sexta-feira (28), em seu escritório em Recife, uma diligência da Receita Federal, no âmbito de investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). Os advogados da companhia ainda não tiveram acesso aos autos da investigação e, por essa razão, não é possível se manifestar sobre o seu conteúdo neste momento. A companhia reforça que colaborará integralmente com as autoridades competentes e permanecerá à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, tendo já apresentado os documentos e informações solicitados. Ao longo de sua atuação no País, a empresa conduz suas operações em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis e mantém estruturas robustas de governança, controles internos e compliance, alinhadas aos padrões internacionais da Flutter Entertainment, grupo global do qual faz parte, listado na Bolsa de Nova York (NYSE) e com atuação em mais de 100 países." A companhia respeita o devido processo legal e seguirá prestando os esclarecimentos necessários pelos canais institucionais adequados." Como esquema funcionava De acordo com investigadores, integrantes do grupo empresarial teriam aberto uma empresa de fachada em Curaçao, ilha localizada no Caribe, para simular a operação de uma plataforma de apostas digitais. Isso ocorreu antes da regulamentação do setor pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. "As investigações indicam, contudo, que empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil", explicou a Receita. Autoridades também identificaram indícios de uso de instituições de pagamento e operações financeiras estruturadas para "movimentação de recursos" entre o território brasileiro e o exterior. "Parte desses valores teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por prestação de serviços, em possível mecanismo destinado a justificar a repatriação de recursos anteriormente enviados ao exterior", acrescentou. Operadores ainda teriam criado contas-bolsão em fintechs para dificultar rastreamento de valores e beneficiários finais dos recursos. "Embora o grupo investigado tenha obtido autorização para atuação no segmento a partir de 2025, há indícios de que a exploração da atividade já ocorria anteriormente em território nacional, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos. As investigações também buscam esclarecer se os recursos utilizados para o pagamento da outorga tiveram origem em atividades desenvolvidas antes da regulamentação do setor", detalhou a Receita. Órgãos também averiguam irregularidades cometidas após a regulamentação das bets. "Segundo os elementos apurados, parte das estruturas utilizadas anteriormente teria sido adaptada para continuar viabilizando mecanismos de sonegação fiscal", disse. Uma das linhas de investigação é sobre a declaração ao Fisco de "despesas supostamente fictícias, com potencial impacto na redução indevida dos tributos devidos a partir do ano-calendário de 2025". A Jogo de Sombras é a segunda força-tarefa de grande porte deflagrada em agosto pela Receita e pelo MPF contra irregularidades no setor de apostas. Em 13/8, a operação Arena apreendeu bens e valores de até R$ 1 bilhão e cumpriu 17 ordens de busca e apreensão em cinco estados.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/operacao-mira-grupo-que-movimentou-r-5-bilhoes-com-bets
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