4 em cada 10 brasileiras já apostaram em bets, diz pesquisa
Para 67% das mulheres, as bets estão destruindo famílias; 23% dos entrevistados conhecem ou presenciaram casos de violência ligados a apostas
Camilly Rosaboni
Pesquisa aponta percepção de impactos das bets entre mulheres | Reprodução/Agência Brasil
As bets já foram utilizadas por quase metade (49%) dos brasileiros. Entre as mulheres, 42% afirmam que já apostaram ou que apostam atualmente,.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Para 67% das entrevistadas, as apostas estão “acabando com as famílias brasileiras”, percentual superior ao registrado entre os homens (59%). As mulheres também são maioria na defesa de medidas mais rígidas: 62% apoiam a proibição dos jogos online no país, contra 50% dos homens. A posição é majoritária independentemente da orientação política.
Os dados fazem parte da pesquisa “Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias”, divulgada nesta segunda-feira (17). O estudo foi realizado pela Clarice, estúdio de pesquisa e projetos criativos sobre mulheres e poder, em parceria com a Estratégia Latina e o Ideia.
“Quando o Brasil pensa em bets, a imagem que sempre aparece é masculina, mas as mulheres têm um papel fundamental diante deste fenômeno que as atinge, mesmo quando elas não jogam. Onde tem aposta, tem uma mulher pagando a conta”, aponta Mariana Ribeiro, cofundadora e codiretora da Clarice.
“A perspectiva das mulheres é a única por meio da qual se vê a crise inteira. Sem escutá-las, não é possível medir o tamanho real do problema. Nenhuma estratégia de resposta será eficaz sem considerar as mulheres e seu papel social”, conclui.
Os dados apontam ainda um cenário de desestruturação familiar, impactos na saúde mental, superendividamento e episódios de violência relacionados às apostas, com efeitos mais acentuados entre as classes D e E.
“As bets jogam com dois imaginários muito fortes. Elas seduzem pela promessa de vida digna - a conta paga, a mesa farta, o presente para os filhos - e também pelo lado cuidado, papel historicamente atribuído às mulheres. A casa, o principal lugar em que a influência feminina é plenamente exercida, acaba capturada pela armadilha", destaca Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da Clarice.
A rejeição às apostas online também aparece entre eleitores de diferentes espectros políticos. Segundo a pesquisa, 62% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 56% dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL) são favoráveis ao banimento das bets.
Outro dado que chama atenção é que 23% dos entrevistados afirmam conhecer ou ter presenciado alguma situação em que as apostas contribuíram para episódios de violência dentro da família.
A pesquisa também mapeou medidas que os brasileiros apoiam para conter o avanço das bets. O apoio à proibição das casas de apostas é majoritário, com 56% de adesão, novamente impulsionado pelas mulheres.
Entre as medidas apresentadas aos entrevistados, 45% apoiam o bloqueio do Pix para apostas de pessoas que recebem benefícios sociais. Outros 33% demonstram interesse em um canal anônimo de apoio — percentual que chega a 57% entre aqueles que apostam com frequência.
O estudo também alerta para o desconhecimento de políticas já existentes. Cerca de 70% dos brasileiros nunca ouviram falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal. A falta de conhecimento é ainda maior entre mulheres das classes D e E.
As entrevistas qualitativas foram realizadas entre junho e agosto e ouviram 60 pessoas, principalmente mulheres de 18 a 58 anos das classes C, D e E, nas regiões Sudeste e Nordeste. Na etapa quantitativa, foram entrevistados 2.008 mulheres e homens de todo o país, entre 8 e 9 de julho. A amostra seguiu a distribuição da população brasileira de acordo com o Censo 2022 e a Pnad 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
*Sob supervisão
4 em cada 10 brasileiras já apostaram em bets, diz pesquisaPara 67% das mulheres, as bets estão destruindo famílias; 23% dos entrevistados conhecem ou presenciaram casos de violência ligados a apostasBrasil2026-08-17T14:55:04.946ZAs bets já foram utilizadas por quase metade (49%) dos brasileiros. Entre as mulheres, 42% afirmam que já apostaram ou que apostam atualmente,. Para 67% das entrevistadas, as apostas estão “acabando com as famílias brasileiras”, percentual superior ao registrado entre os homens (59%). As mulheres também são maioria na defesa de medidas mais rígidas: 62% apoiam a proibição dos jogos online no país, contra 50% dos homens. A posição é majoritária independentemente da orientação política. Os dados fazem parte da pesquisa “Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias”, divulgada nesta segunda-feira (17). O estudo foi realizado pela Clarice, estúdio de pesquisa e projetos criativos sobre mulheres e poder, em parceria com a Estratégia Latina e o Ideia. “Quando o Brasil pensa em bets, a imagem que sempre aparece é masculina, mas as mulheres têm um papel fundamental diante deste fenômeno que as atinge, mesmo quando elas não jogam. Onde tem aposta, tem uma mulher pagando a conta”, aponta Mariana Ribeiro, cofundadora e codiretora da Clarice. “A perspectiva das mulheres é a única por meio da qual se vê a crise inteira. Sem escutá-las, não é possível medir o tamanho real do problema. Nenhuma estratégia de resposta será eficaz sem considerar as mulheres e seu papel social”, conclui. Os dados apontam ainda um cenário de desestruturação familiar, impactos na saúde mental, superendividamento e episódios de violência relacionados às apostas, com efeitos mais acentuados entre as classes D e E. “As bets jogam com dois imaginários muito fortes. Elas seduzem pela promessa de vida digna - a conta paga, a mesa farta, o presente para os filhos - e também pelo lado cuidado, papel historicamente atribuído às mulheres. A casa, o principal lugar em que a influência feminina é plenamente exercida, acaba capturada pela armadilha", destaca Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da Clarice. Bets, política e violência A rejeição às apostas online também aparece entre eleitores de diferentes espectros políticos. Segundo a pesquisa, 62% dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 56% dos eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL) são favoráveis ao banimento das bets. Outro dado que chama atenção é que 23% dos entrevistados afirmam conhecer ou ter presenciado alguma situação em que as apostas contribuíram para episódios de violência dentro da família. A pesquisa também mapeou medidas que os brasileiros apoiam para conter o avanço das bets. O apoio à proibição das casas de apostas é majoritário, com 56% de adesão, novamente impulsionado pelas mulheres. Entre as medidas apresentadas aos entrevistados, 45% apoiam o bloqueio do Pix para apostas de pessoas que recebem benefícios sociais. Outros 33% demonstram interesse em um canal anônimo de apoio — percentual que chega a 57% entre aqueles que apostam com frequência. O estudo também alerta para o desconhecimento de políticas já existentes. Cerca de 70% dos brasileiros nunca ouviram falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal. A falta de conhecimento é ainda maior entre mulheres das classes D e E. As entrevistas qualitativas foram realizadas entre junho e agosto e ouviram 60 pessoas, principalmente mulheres de 18 a 58 anos das classes C, D e E, nas regiões Sudeste e Nordeste. Na etapa quantitativa, foram entrevistados 2.008 mulheres e homens de todo o país, entre 8 e 9 de julho. A amostra seguiu a distribuição da população brasileira de acordo com o Censo 2022 e a Pnad 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais. *Sob supervisãoSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/bets-mulheres-defendem-proibicao-apostas-online
COP17 começa na Mongólia com foco no combate à seca
Conferência reúne representantes para discutir desertificação, recuperação de áreas degradadas, segurança hídrica e alimentar e adaptação aos efeitos da seca
Flávio cancela agenda em Juiz de Fora por mau tempo
Condições meteorológicas impediram deslocamento do candidato; agenda em Belo Horizonte, com lançamento de candidatura de Roscoe ao governo de MG, está mantida