Dívidas comprometem recorde de 28,9% da renda das famílias
Número referente a junho atingiu o maior nível da série, iniciada em 2011; inadimplência das famílias também foi recorde, aos 5,8%
Caio Barcellos
Comprometimento da renda com dívidas bate recorde no Brasil | Reprodução
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu 28,9% em junho de 2026, maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. Os dados foram publicados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central (BC).
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O indicador avançou 0,4 ponto percentual em relação a maio, quando estava em 28,5% - o maior nível registrado até então. Em 12 meses, a alta foi de 1,7 ponto percentual.
O indicador mede a relação entre o valor estimado para o pagamento do serviço das dívidas das famílias e sua renda. Os dados de comprometimento são divulgados com uma defasagem de um mês em relação às demais estatísticas de crédito, razão pela qual o resultado mais recente se refere a junho, enquanto os números de inadimplência e do estoque de empréstimos já abrangem julho.
Inadimplência também bate recorde
A inadimplência das famílias também alcançou o maior nível da série histórica em julho, ao subir de 5,4% para 5,8%. Considerando toda a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que inclui também as operações com empresas, o percentual de empréstimos com atraso superior a 90 dias avançou de 4,6% para 4,9%, igualmente um recorde desde março de 2011. Em 12 meses, a inadimplência total aumentou 0,9 ponto percentual, enquanto a das famílias subiu 1,1 ponto.
Entre as empresas, a inadimplência ficou em 3,3% em julho, avanço de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,5 ponto em 12 meses. No segmento de crédito com recursos livres, no qual as condições das operações são definidas entre as instituições financeiras e os clientes, a inadimplência total chegou a 6,4%, também o maior percentual da série, enquanto entre as pessoas físicas atingiu 7,8%, igualmente recorde.
Os dados do BC também mostram que o nível de endividamento das famílias permanece elevado. O indicador, que mede o tamanho das dívidas em relação à renda acumulada em 12 meses e não se os pagamentos estão sendo feitos em dia, ficou em 49,8% em junho, estável em relação a maio e 1 ponto percentual acima do nível de um ano antes. O percentual está apenas 0,1 ponto abaixo do recorde de 49,9% observado na série histórica.
O aumento da inadimplência ocorreu ao mesmo tempo em que o estoque de crédito continuou crescendo. O total das operações do SFN chegou a R$ 7,4 trilhões em julho, com alta de 0,3% no mês e de 9,5% em 12 meses. O volume destinado às pessoas físicas avançou 0,8% em julho, para R$ 4,6 trilhões, enquanto a carteira das empresas recuou 0,7%, para R$ 2,7 trilhões.
Em 12 meses, o crédito destinado às famílias aumentou 10,8%, ante crescimento de 7,4% nas operações com empresas. O ritmo de expansão do crédito total, por sua vez, desacelerou ligeiramente em relação aos 9,7% registrados nos 12 meses encerrados em junho.
No crédito com recursos livres, o estoque ficou em R$ 4,2 trilhões, com queda de 0,1% no mês e alta de 7% em 12 meses. Entre as pessoas físicas, essa carteira cresceu 1% em julho e 10,8% em 12 meses, para R$ 2,6 trilhões. Segundo o BC, contribuíram para a expansão o cartão de crédito à vista, o crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, no qual estão concentradas as operações do Crédito do Trabalhador, e os financiamentos para aquisição de veículos.
Juros caem em julho
Apesar do avanço da inadimplência, a taxa média de juros das novas operações de crédito recuou 1,2 ponto percentual em julho, para 32,1% ao ano. Em 12 meses, porém, houve alta de 0,3 ponto. O spread bancário caiu 0,9 ponto no mês e ficou em 20,9 pontos percentuais, ainda 0,3 ponto acima do registrado um ano antes.
Nas operações com recursos livres, a taxa média recuou de 49,7% para 47,7% ao ano. A queda foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, cujos juros passaram de 63,9% para 60% ao ano, redução de 3,9 pontos percentuais. Para as empresas, houve movimento contrário, com alta de 1,1 ponto, para 25,4% ao ano.
Entre as modalidades destinadas às pessoas físicas, o BC destacou a redução de 16,1 pontos percentuais na taxa média do crédito pessoal não consignado e de 5,7 pontos no cartão de crédito total. Já as concessões totais, consideradas com ajuste sazonal, ficaram estáveis em julho, com queda de 0,3% nas operações com empresas e alta de 0,3% nas destinadas às famílias.
Dívidas comprometem recorde de 28,9% da renda das famíliasNúmero referente a junho atingiu o maior nível da série, iniciada em 2011; inadimplência das famílias também foi recorde, aos 5,8%
Economia2026-08-28T12:47:10.105ZO comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu 28,9% em junho de 2026, maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. Os dados foram publicados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central (BC). O indicador avançou 0,4 ponto percentual em relação a maio, quando estava em 28,5% - o maior nível registrado até então. Em 12 meses, a alta foi de 1,7 ponto percentual. O indicador mede a relação entre o valor estimado para o pagamento do serviço das dívidas das famílias e sua renda. Os dados de comprometimento são divulgados com uma defasagem de um mês em relação às demais estatísticas de crédito, razão pela qual o resultado mais recente se refere a junho, enquanto os números de inadimplência e do estoque de empréstimos já abrangem julho. Inadimplência também bate recorde A inadimplência das famílias também alcançou o maior nível da série histórica em julho, ao subir de 5,4% para 5,8%. Considerando toda a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN), que inclui também as operações com empresas, o percentual de empréstimos com atraso superior a 90 dias avançou de 4,6% para 4,9%, igualmente um recorde desde março de 2011. Em 12 meses, a inadimplência total aumentou 0,9 ponto percentual, enquanto a das famílias subiu 1,1 ponto. Entre as empresas, a inadimplência ficou em 3,3% em julho, avanço de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,5 ponto em 12 meses. No segmento de crédito com recursos livres, no qual as condições das operações são definidas entre as instituições financeiras e os clientes, a inadimplência total chegou a 6,4%, também o maior percentual da série, enquanto entre as pessoas físicas atingiu 7,8%, igualmente recorde. Endividamento segue próximo do recorde Os dados do BC também mostram que o nível de endividamento das famílias permanece elevado. O indicador, que mede o tamanho das dívidas em relação à renda acumulada em 12 meses e não se os pagamentos estão sendo feitos em dia, ficou em 49,8% em junho, estável em relação a maio e 1 ponto percentual acima do nível de um ano antes. O percentual está apenas 0,1 ponto abaixo do recorde de 49,9% observado na série histórica. O aumento da inadimplência ocorreu ao mesmo tempo em que o estoque de crédito continuou crescendo. O total das operações do SFN chegou a R$ 7,4 trilhões em julho, com alta de 0,3% no mês e de 9,5% em 12 meses. O volume destinado às pessoas físicas avançou 0,8% em julho, para R$ 4,6 trilhões, enquanto a carteira das empresas recuou 0,7%, para R$ 2,7 trilhões. Em 12 meses, o crédito destinado às famílias aumentou 10,8%, ante crescimento de 7,4% nas operações com empresas. O ritmo de expansão do crédito total, por sua vez, desacelerou ligeiramente em relação aos 9,7% registrados nos 12 meses encerrados em junho. No crédito com recursos livres, o estoque ficou em R$ 4,2 trilhões, com queda de 0,1% no mês e alta de 7% em 12 meses. Entre as pessoas físicas, essa carteira cresceu 1% em julho e 10,8% em 12 meses, para R$ 2,6 trilhões. Segundo o BC, contribuíram para a expansão o cartão de crédito à vista, o crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, no qual estão concentradas as operações do Crédito do Trabalhador, e os financiamentos para aquisição de veículos. Juros caem em julho Apesar do avanço da inadimplência, a taxa média de juros das novas operações de crédito recuou 1,2 ponto percentual em julho, para 32,1% ao ano. Em 12 meses, porém, houve alta de 0,3 ponto. O spread bancário caiu 0,9 ponto no mês e ficou em 20,9 pontos percentuais, ainda 0,3 ponto acima do registrado um ano antes. Nas operações com recursos livres, a taxa média recuou de 49,7% para 47,7% ao ano. A queda foi puxada pelo crédito às pessoas físicas, cujos juros passaram de 63,9% para 60% ao ano, redução de 3,9 pontos percentuais. Para as empresas, houve movimento contrário, com alta de 1,1 ponto, para 25,4% ao ano. Entre as modalidades destinadas às pessoas físicas, o BC destacou a redução de 16,1 pontos percentuais na taxa média do crédito pessoal não consignado e de 5,7 pontos no cartão de crédito total. Já as concessões totais, consideradas com ajuste sazonal, ficaram estáveis em julho, com queda de 0,3% nas operações com empresas e alta de 0,3% nas destinadas às famílias.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/comprometimento-renda-familias-dividas-recorde-banco-central
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