Economia

Brasil vai negociar com EUA sem oferta inicial

Ministro Elias Rosa diz estar “animadíssimo” para reunião de segunda-feira (31), mas prevê diálogo difícil

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Caio Barcellos
Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula e Trump em encontro na Casa Branca, nos EUA | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O Brasil chegará à reunião de segunda-feira (31) com os Estados Unidos sem apresentar uma oferta inicial e pretende usar o encontro para definir o formato e o caminho das negociações antes de entrar na discussão sobre setores, listas de exceções ou eventuais concessões tarifárias.

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse nesta quinta-feira (27) estar “animadíssimo” com a retomada do diálogo, embora reconheça que a negociação será difícil.

A reunião virtual entre Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, já havia sido anunciada e ocorre após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. Segundo o ministro, a conversa entre os dois chefes de Estado foi determinante para que o Brasil voltasse à mesa sem precisar apresentar previamente uma oferta aos norte-americanos.

“Nós precisávamos desse gesto, porque antes disso, antes do telefonema, não era possível retomar as negociações sem que o Brasil fizesse, por exemplo, uma oferta”, afirmou durante evento na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília.

Para Elias Rosa, isso permitiu que o governo brasileiro evitasse iniciar as conversas em uma posição que considera desfavorável. Ele afirmou que Lula transmitiu a Trump que o Brasil não aceita as tarifas adicionais de 25% e 12,5% impostas pelos Estados Unidos, consideradas pelo governo brasileiro indevidas e prejudiciais às exportações nacionais, mas que Brasília mantém disposição para negociar.

Primeiro, as regras da negociação

A estratégia para segunda-feira será começar pela definição de como as negociações serão conduzidas. Elias Rosa descartou que o encontro inicial seja usado especificamente para buscar uma ampliação da lista de produtos brasileiros isentos das tarifas.

“Na segunda-feira nós não vamos tratar disso. Segunda-feira nós vamos retomar o diálogo, a conversa. Depois é que nós vamos caminhar e vamos definir, provavelmente, na segunda-feira, qual o caminho que nós vamos percorrer. A discussão será de um acordo, a discussão será por setores, a discussão será listas de exceções”, respondeu ao ser questionado sobre novas exceções.

Segundo o ministro, primeiro será necessário retomar a conversa e definir o caminho das discussões, que poderão posteriormente envolver acordos por setores e negociações de listas de produtos.

Elias Rosa argumentou que a variedade de interesses envolvidos torna inviável iniciar a negociação diretamente por produtos. Ele citou máquinas, bens industriais, produtos químicos, autopeças, etanol, açúcar, defensivos e fertilizantes entre os segmentos que poderiam entrar em uma eventual negociação bilateral.

“Ou você combina a regra do jogo, ou não vai ficar pronto nunca”, disse.

A Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo brasileiro adotar contramedidas diante de ações comerciais consideradas prejudiciais ao país, também permanece como instrumento disponível durante as negociações. Elias Rosa afirmou que a legislação está “na mesma mesa de negociação”, embora tenha indicado que a prioridade do governo neste momento é buscar uma solução negociada.

Otimismo com cautela

Apesar de demonstrar entusiasmo com a retomada das conversas, Elias Rosa reconheceu que o processo não deverá ser simples. O ministro afirmou que o histórico de diálogo comercial entre os dois países mostra que as discussões podem ser difíceis, mas disse que o governo já conhece os principais pontos que terão de ser percorridos.

Ele também descartou a possibilidade de o Brasil apresentar propostas que prejudiquem setores da economia nacional e afirmou que o objetivo da negociação é reduzir os danos provocados pelas medidas adotadas pelos Estados Unidos.

“Nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional”, declarou.

Além do MDIC, o Ministério das Relações Exteriores participará das conversas, e a expectativa de Elias Rosa é de que o chanceler Mauro Vieira também esteja na reunião. Segundo o ministro, um acordo com os Estados Unidos passou a ser tratado pelo governo Lula como prioridade, mas não há prazo estabelecido para que as negociações sejam concluídas.

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