Justiça suspende imposto de exportação de petróleo
Liminar foi concedida no mesmo dia em que o Gecex se reuniu para decidir se manteria, encerraria ou prorrogaria a cobrança de 12%
Caio Barcellos
Visão aérea de uma plataforma da Petrobras na Bacia de Campos, a P-52 | Reuters/Bruno Domingos
A Justiça Federal suspendeu nesta quinta-feira (27) a cobrança do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo cru das empresas representadas pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (Abep). A liminar foi concedida no mesmo dia em que o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) se reuniu para reavaliar a manutenção da alíquota, que estava prevista para vigorar até 9 de setembro.
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A decisão é do juiz Diego Câmara Alves, da 17ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, que determinou que a Receita Federal deixe de exigir o tributo das empresas representadas pela associação e estendeu a ordem a eventuais novas normas da Camex editadas ainda nesta sessão legislativa com a mesma finalidade.
O imposto havia sido criado por medida provisória em março, mas a norma perdeu validade em 9 de julho depois de não ser aprovada pelo Congresso dentro do prazo constitucional. Na mesma data, o Gecex publicou uma resolução que restabeleceu a alíquota de 12% por 60 dias.
“Reputo descabida, com ainda mais razão, a renovação de tal majoração mediante ato normativo infralegal, sob pena de burla ao devido processo legislativo”, destacou o juiz.
A liminar não representa uma decisão definitiva sobre a validade do imposto, com possibilidade de a União apresentar informações no processo. Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) será ouvido antes do julgamento do mérito.
Gecex discutia cobrança
A decisão judicial saiu justamente no dia em que o Gecex tinha na pauta uma nova avaliação do imposto. O colegiado poderia manter a alíquota de 12% até o fim da vigência atual, encerrá-la antecipadamente ou decidir por uma nova prorrogação.
Mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, havia defendido a continuidade da cobrança enquanto persistissem os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços e a logística internacional. Ele afirmou, porém, que ainda não conhecia o resultado da reunião do Gecex.
“Eu acho que, enquanto nós tivermos uma conturbação séria, infelizmente, lamentável lá no Oriente Médio, que desequilibra completamente a relação de preços e o impacto, sobretudo o impacto logístico para o mundo todo, nós precisamos discutir seriamente o imposto. Acho que pelos dados técnicos, na minha modesta avaliação, não só se justifica como ele é necessário”, disse Elias Rosa durante evento na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília.
O governo sustenta que o imposto ajuda a preservar a oferta de petróleo para o mercado interno em um momento de instabilidade internacional, enquanto as petroleiras brasileiras contestam a medida e afirmam que a tributação prejudica investimentos e tem caráter predominantemente arrecadatório.
Justiça suspende imposto de exportação de petróleoLiminar foi concedida no mesmo dia em que o Gecex se reuniu para decidir se manteria, encerraria ou prorrogaria a cobrança de 12%Economia2026-08-27T16:17:11.044ZA Justiça Federal suspendeu nesta quinta-feira (27) a cobrança do imposto de 12% sobre as exportações de petróleo cru das empresas representadas pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (Abep). A liminar foi concedida no mesmo dia em que o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) se reuniu para reavaliar a manutenção da alíquota, que estava prevista para vigorar até 9 de setembro. A decisão é do juiz Diego Câmara Alves, da 17ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, que determinou que a Receita Federal deixe de exigir o tributo das empresas representadas pela associação e estendeu a ordem a eventuais novas normas da Camex editadas ainda nesta sessão legislativa com a mesma finalidade. O imposto havia sido criado por medida provisória em março, mas a norma perdeu validade em 9 de julho depois de não ser aprovada pelo Congresso dentro do prazo constitucional. Na mesma data, o Gecex publicou uma resolução que restabeleceu a alíquota de 12% por 60 dias. “Reputo descabida, com ainda mais razão, a renovação de tal majoração mediante ato normativo infralegal, sob pena de burla ao devido processo legislativo”, destacou o juiz. A liminar não representa uma decisão definitiva sobre a validade do imposto, com possibilidade de a União apresentar informações no processo. Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) será ouvido antes do julgamento do mérito. Gecex discutia cobrança A decisão judicial saiu justamente no dia em que o Gecex tinha na pauta uma nova avaliação do imposto. O colegiado poderia manter a alíquota de 12% até o fim da vigência atual, encerrá-la antecipadamente ou decidir por uma nova prorrogação. Mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, havia defendido a continuidade da cobrança enquanto persistissem os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços e a logística internacional. Ele afirmou, porém, que ainda não conhecia o resultado da reunião do Gecex. “Eu acho que, enquanto nós tivermos uma conturbação séria, infelizmente, lamentável lá no Oriente Médio, que desequilibra completamente a relação de preços e o impacto, sobretudo o impacto logístico para o mundo todo, nós precisamos discutir seriamente o imposto. Acho que pelos dados técnicos, na minha modesta avaliação, não só se justifica como ele é necessário”, disse Elias Rosa durante evento na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília. O governo sustenta que o imposto ajuda a preservar a oferta de petróleo para o mercado interno em um momento de instabilidade internacional, enquanto as petroleiras brasileiras contestam a medida e afirmam que a tributação prejudica investimentos e tem caráter predominantemente arrecadatório.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/justica-suspende-imposto-de-exportacao-de-petroleo