Brasil

"Não queremos uma ditadura no nosso país", afirma presidente do STM

Em entrevista ao Perspectivas, Joseli Camelo abordou a relação dos militares com o presidente Lula e a participação das Forças Armadas nas eleições municipais

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Samir Mello
22/05/2024, 10:55 • Atualizado em 22/05/2024, 16:18
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Joseli Camelo

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Joseli Camelo, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), é o convidado do programa Perspectivas desta semana. Em entrevista à jornalista Paola Cuenca, o ministro abordou a participação de militares como candidatos nas próximas eleições municipais, o papel das Forças Armadas na defesa da democracia atualmente e os excessos cometidos durante a ditadura militar, assim como a relação atual das Forças com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Outro dia me perguntaram se a relação melhorou. Eu não disse que melhorou porque nunca foi ruim. A relação das Forças Armadas com o presidente Lula sempre foi muito boa", afirmou.

Camelo também reforçou que qualquer desconfiança do governo em relação às Forças já foi superada. "Depois daqueles acampamentos, do 8 de janeiro, da forma que houve a transição… isso foi completamente ultrapassado. Não há mais essa desconfiança, se é que houve lá naquele 8 de janeiro", concluiu.

O ministro também condenou os excessos cometidos durante a ditadura militar, mas defendeu que os militares não devem ter vergonha, pois estavam atendendo uma "comoção nacional", causada pela degradação da disciplina e da hierarquia e da ameaça do comunismo. No entanto, o ministro alertou que, de fato, erros e excessos aconteceram.

"A revolução era para durar dois anos, já em 66 era para termos eleições gerais e isso não aconteceu, então virou uma bola de neve. Aí veio guerrilha rural, urbana, repressão e o AI-5. Daí não podemos concordar com tudo isso. Então, não é motivo para comemorar. É motivo para jamais desejarmos que aquelo momento seja repetido. Não queremos mais algo parecido no Brasil como aquele momento e não queremos jamais uma ditadura no nosso país", opinou.

Eleições municipais

Ao ser questionado sobre a candidatura de militares para cargos políticos nas próximas eleições municipais, Camelo condenou a prática. "Eu acho que os militares têm que se dedicar a sua função específica da defesa da pátria, de cuidar das nossas fronteiras, da pacificação social, como estamos vendo no Rio Grande do Sul. Militares não devem se envolver na política", opinou.

"Não que os militares não possam se candidatar à política. Seria muito bom ter um grupo de militares no Congresso, entre os deputados e os senadores. O que não pode, é o militar simplesmente se candidatar e, ao perder, retornar à Força, já com aquela mentalidade de um político. Isso eu não concordo", completou.

Tragédia no RS

O ministro defendeu a participação das Forças Armadas na tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul, e também elogiou o trabalho do governo e dos voluntários. "As nossas Forças Armadas treinam para a guerra e tudo aquilo que nós treinamos estamos aplicando neste momento no Rio Grande do Sul", afirmou.

"Foi uma tragédia realmente lamentável, mas nós pudemos ver o quanto o povo brasileiro, a sociedade brasileira, tem um espírito de solidariedade. Eu gostaria de inicialmente enaltecer os nossos voluntários, que estão fazendo um papel brilhante. Os poderes da República também tiveram um papel fundamental no início de todo esse processo, buscando uma solução para aquele problema", defendeu.

A entrevista completa com Joseli Camelo pode ser conferida no programa Perspectivas nesta quarta-feira (22), no site e canal do SBT News no YouTube.

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