Mais de 4 milhões de alunos estão em defasagem idade-série no Brasil, aponta Unicef
Estados investem em inteligência artificial, formação de professores e ensino personalizado para recuperar aprendizagens e reduzir desigualdades

Vinícius Rangel
Cerca de 4,2 milhões de estudantes brasileiros estão em defasagem idade-série, ou seja, frequentam turmas incompatíveis com a própria faixa etária, segundo dados do Censo Escolar divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O cenário evidencia desigualdades de aprendizagem e tem levado estados de diferentes regiões do país a investir em novas estratégias educacionais.
No Rio de Janeiro, a rede estadual passou a utilizar inteligência artificial na correção de redações e simulados. A tecnologia permite identificar dificuldades individuais dos alunos e criar trilhas personalizadas de estudo, de acordo com as necessidades de cada estudante.
No Piauí, o foco está na formação continuada de educadores. Mais de 1.300 professores, dos 224 municípios do estado, participam de capacitações voltadas à recomposição das aprendizagens.
Já no Espírito Santo, as ações concentram esforços nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, consideradas fundamentais para o avanço escolar.
Projeto aposta em ensino por nível de aprendizagem
Em São Paulo, a estratégia combina ciência, acolhimento e ensino personalizado. Um projeto-piloto desenvolvido pela Secretaria Estadual da Educação, em parceria com a Universidade de Harvard, busca recuperar aprendizagens essenciais de alunos dos anos finais do ensino fundamental, especialmente na zona sul da capital.
Na escola participante, estudantes que chegam ao 6º ano sem alfabetização consolidada passam por avaliações diagnósticas. A partir dos resultados, as turmas são organizadas por nível de aprendizagem, com conteúdos mais acessíveis e foco em leitura, escrita e matemática.
Segundo Mauro Alberto Romano, coordenador do Programa de Ensino Integral, o Projeto VOAR permite reorganizar o processo de ensino-aprendizagem, retomando conteúdos essenciais de anos anteriores.
“Um aluno do 9º ano pode precisar revisitar conteúdos do 5º ano para resgatar essas aprendizagens e, só então, avançar nos conteúdos da série em que está matriculado”, explica.
Atualmente, o VOAR está presente em 147 escolas estaduais. Os alunos são organizados em grupos temporários, recebem acompanhamento mais próximo dos professores e passam por avaliações que consideram também o desenvolvimento socioemocional.
Professores relatam avanços
Para a professora Ana Paula Ferreira, o projeto tem impacto direto no cotidiano escolar.
“O aluno se sente mais valorizado, consegue acompanhar as aulas e deixa de se sentir para trás. É uma ferramenta importante tanto para o estudante quanto para o professor”, afirma.
Impacto pode chegar ao ensino superior
Especialistas destacam que ações como essas são fundamentais para garantir que nenhum aluno fique para trás e para ampliar o acesso ao ensino superior no futuro.
“É um projeto de equidade, que busca corrigir lacunas rapidamente para que o aluno avance em um ritmo saudável e chegue à universidade com mais chances de sucesso”, reforça Mauro Alberto Romano.









