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MP-SP denuncia Beto Louco e Primo por lavagem de dinheiro

Carbono Oculto: foragidos desde agosto de 2025, empresários são acusados de fraudes no setor de combustíveis e falsidade ideológica

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Guilherme Seto
Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, conhecidos como "Beto Louco" e "Primo" | Reprodução

Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, conhecidos como "Beto Louco" e "Primo" | Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, sob acusação de comandarem uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis.

A denúncia é um recorte da Operação Carbono Oculto, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e que mira a infiltração do crime organizado nos mercado financeiro e de combustíveis.

Em nota, a defesa de Mourad afirma que a denúncia está baseada em "especulação sobre fatos não provados e que são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade". A defesa de Leme, por sua vez, diz que provará "a improcedência da denúncia ofertada" (veja mais abaixo).

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Segundo a Promotoria, os empresários, que estão foragidos desde agosto de 2025, uniram forças por volta de 2020, quando adquiriram a formuladora Copape e a distribuidora Aster. A partir daí, a organização teria ampliado sua atuação e formado um conglomerado empresarial com diferentes frentes no setor de combustíveis.

A atual denúncia tem como objeto a estrutura que teria sido montada pelos empresários para ocultar recursos obtidos por meio de adulteração de combustíveis e sonegação de ICMS.

No final de agosto, Beto Louco foi denunciado pelo MP-SP por desvio de metanol para a adulteração de combustíveis.

A investigação descreve a formação de um ecossistema de empresas que alcançava diferentes etapas da cadeia. A denúncia identifica três principais vertentes: o Grupo Copape-Aster, ligado à formulação e distribuição; o GGX Global, relacionado a postos de combustíveis; e o Grupo Itajobi, voltado às usinas sucroalcooleiras. Ao redor dessas estruturas, segundo o MP, havia centenas de empresas espalhadas pela cadeia de produção e comercialização de combustíveis.

A primeira fase da Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025. De acordo com a denúncia, a operação aprofundou a investigação sobre a estrutura que havia sido identificada anteriormente pela Operação Cassiopeia. O MP afirma que a organização havia se espalhado por atividades como produção de combustíveis, distribuição, transporte, armazenamento e comercialização, além de utilizar empresas para ocultação patrimonial.

Segundo a Promotoria, a organização utilizava empresas de fachada, pessoas interpostas, fundos de investimento e contas em fintechs para ocultar a origem dos recursos e a propriedade dos bens. O MP afirma que a lavagem de dinheiro era incorporada ao funcionamento do grupo e servia para financiar sua expansão.

A denúncia sustenta que o grupo obtinha recursos por meio de fraudes fiscais e adulterações de combustíveis, entre outras práticas, e reinvestia o dinheiro na própria expansão empresarial. Segundo o MP, esse mecanismo permitiu a formação de um patrimônio de valores bilionários.

Além da lavagem de capitais, a denúncia atribui aos acusados crimes de falsidade ideológica relacionados à ocultação dos verdadeiros beneficiários de empresas e bens.

Expansão para Catanduva

Uma das novas frentes identificadas pela Carbono Oculto foi o chamado Grupo Itajobi, denominação utilizada pelo MP para descrever a expansão da organização para Catanduva e região. A cidade teria sido escolhida como ponto focal para a nova etapa de crescimento no setor de combustíveis.

O projeto envolveu a aquisição da Usina Itajobi, em Catanduva, e da Usina Carolo, em Pontal, ambos no interior de São Paulo. A denúncia cita ainda planos de aquisição de outras usinas, incluindo a Virgolino de Oliveira, em Catanduva, e a Rio Pardo, na região de Avaré.

Nesse contexto, Beto Louco e Primo teriam adquirido dois imóveis em Catanduva para a construção da sede do Grupo Itajobi no valor de R$ 3,9 milhões, segundo a denúncia. O MP-SP afirma que o pagamento passou por uma ‘conta bolsão’ da BK Instituição de Pagamento, como parte da estrutura usada para ocultar a origem dos recursos.

No caso dos imóveis, recursos provenientes de infrações teriam passado por empresas e por contas gráficas ocultadas em contas “bolsões” de uma instituição de pagamento antes de serem utilizados na aquisição dos bens.

A dimensão da estrutura financeira aparece em outro trecho da denúncia. A Insight Participações S.A., segundo o MP, movimentou cerca de R$ 1,7 bilhão para a organização criminosa e foi utilizada como empresa de fachada.

Na denúncia, a Promotoria pede o perdimento definitivo dos dois imóveis de Catanduva e da construção destinada à sede administrativa do Grupo Itajobi. O projeto previa um edifício corporativo com mais de 6.000 m² de área construída.

Outro Lado

Em nota, a defesa de Mourad afirma que "não é possível, a partir da denúncia, extrair qual é o fato que está sendo objeto da acusação."

"É uma denúncia de 300 páginas, da qual nem sequer é possível apontar qual é o crime antecedente quer seria objeto de lavagem. Ora a denúncia fala de contexto, ora ela fala de outros processos em curso, de operações investigatórias que vieram antes, para no fim repetir aquela narrativa especulativa: de que há um grande processo de lavagem sem explicar qual é o dinheiro que está sendo lavado, proveniente de onde e de que maneira se dá a alegada lavagem", completa.

A defesa de Leme, por sua vez, diz que "provará, no curso do processo, a improcedência da denúncia ofertada, demonstrando, outrossim, a nulidade do feito que tramita em Juízo Estadual, o que à toda evidência contraria os termos legais."

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