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Mortes por ataque de cães: Brasil registra maior quantidade de casos em quase 30 anos

Com 51 vítimas em 2023, país teve a maior quantidade de óbitos provocados por cães desde 1996, início da série histórica

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Derick Toda
19/04/2024, 19:34 • Atualizado em 19/04/2024, 23:34
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Mortes por ataque de cães: Brasil registra maior quantidade de casos em quase 30 anos

A escritora Roseana Murray, de 73 anos, atacada por três cães da raça pitbull, entrou no hospital com o braço e uma das orelhas dilaceradas. Ela recebeu alta após 13 dias internada, na quinta-feira (18), e saiu aplaudida pela equipe médica que a atendeu devido à sua força de sobrevivência.

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Casos como a de Roseana chamam a atenção para o ataque de cães de grande porte e aqueles considerados “agressivos”, como pitbull, rottweiler e pastor alemão.

Em 2023, 51 pessoas morreram em ataques de cães no Brasil, o maior número de vítimas desde o início da série histórica, em 1996. É um número 27% maior do que em 2022, quando foram registradas 40 fatalidades. O levantamento exclusivo do SBT News foi obtido por meio do Sistema de Informações Sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Veja:

Para Ary Dutra, professor de Medicina Veterinária da Universidade Veiga de Almeida, a culpa desses acidentes nunca é dos animais ou das vítimas.

Ary afirma que um dos grandes problemas ocorre quando o tutor retira o filhote de grande porte pós-nascimento, com no máximo 60 dias de vida, sem conhecer o comportamento do cão e, sem informações sobre a linhagem dessas raças consideradas mais agressivas.

“Infelizmente falta conscientização na hora de obter animais de grande porte. Muitos tutores não conhecem o comportamento e a origem natural de cada linhagem. há linhagens mais dóceis e amorosas, o que é possível identificar ao conhecer o canil e o sistema de criação do animal”, diz Ary Dutra.

No ano passado, o estado de São Paulo teve a maior quantidade de casos do país, sendo responsável por 19 mortes. Foi um aumento de 137,5%, comparado ao ano anterior.

Em seguida, aparecem o Rio Grande do Sul, com 7 óbitos, um salto de 40%; Goiás, com alta de 200%; e Bahia, que manteve a mesma quantidade de 2022, ambos com 3 mortes.

Veja a quantidade de casos por estado, em 2023:

Tiago Monteiro, adestrador de cachorros há pelo menos dez anos, aponta que o principal cuidado com o animal está no dia-a-dia: não é suficiente colocá-lo dentro de casa e oferecer água, comida e um pouquinho de carinho.

"Aquele cachorro passa a ser mal cuidado e vira um cão de quintal, que não tem atenção, não tem espaço, não tem atividade física e aí aparece uma série de problemas comportamentais. O que o dono faz? Vai e bate no cachorro, que reage. Soma isso com a questão da linhagem e ele está com uma bomba-relógio na casa dele – aí vira notícia. É necessário qualidade de vida para suprir as necessidades desse cachorro para não acontecer acidentes", explica Tiago.
Oscar, um dos pitbulls adestrados por Thago Monteiro
Oscar, um dos pitbulls adestrados por Thago Monteiro

No caso da escritora, a Polícia prendeu em flagrante três donos dos pitbulls por maus-tratos contra animais, omissão de cautela e lesão corporal. Mas, a Justiça concedeu liberdade provisória aos acusados.

A raça pitbull possui restrições em mais de 20 países, como Espanha, Rússia, Argentina, Itália e Nova Zelândia. De acordo com Ary Dutra, a proibição, entretanto, não é a solução. "Não se deve impedir a criação, mas, sim, regulamentar a criação e a venda, para que as pessoas tenham certeza de que o animal se enquadra nos padrões da linhagem”.

O SBT News questionou o Ministério da Justiça (MJ) e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) sobre o que têm feito diante do aumento de mortes por ataques de cães. O MJ afirmou que cabe aos estados políticas preventivas e a SSP não nos respondeu. O espaço segue aberto.

Dicas para agir diante de cães soltos

O professor e médico veterinário ensina o que não fazer ao se deparar um cão de grande porte solto ou sem focinheira:

1) “Nunca encare nem olhe nos olhos do animal dominante. Ele pode entender o sinal como um desafio de dominância e atacar”.

2) “Não corra – a não ser que tenha consciência de que atingirá abrigo próximo e seguro. Os cães correm até 10 vezes mais rápido que o homem”.

3) “Não grite. Se se sentir ameaçado ou for atacado, quanto mais você grita e esperneia, mais o cão ataca. Pitbulls têm força muscular torácica muito grande e são animais de chão e tração”.

4) “Nunca passe próximo a cães soltos desconhecidos, independentemente da raça".

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