Justiça mantém prisão de Oruam em audiência de custódia
Rapper se entregou após mandado de prisão preventiva por crimes relacionados a confronto com policiais em frente à sua casa; ele ficará no Complexo de Gericinó
E
Emanuelle Menezes
A Justiça do Rio de Janeiro manteve a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, em audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (23). O artista seguirá para a Penitenciária Dr. Serrano Neves, no Complexo de Gericinó, em Bangu, onde está em uma cela individual e separado dos demais detentos.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
De acordo com o Tribunal de Justiça, a juíza Rachel Assad da Cunha avaliou que a prisão foi feita de forma correta e que o preso não sofreu abusos. Sendo assim, a detenção foi mantida e o processo deve seguir com o juiz que originalmente decretou a medida.
A audiência de custódia serve para analisar a legalidade da prisão e eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos. Não cabe, ao juiz responsável pela audiência de custódia, rever as decisões judiciais anteriores.
A defesa do rapper informou que já entrou com pedido de habeas corpus.
O artista foi indiciado por 7 crimes: desacato, resistência, ameaça, dano, lesão corporal, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Após se apresentar voluntariamente ao sub-secretário da Polícia Civil, Carlos Alberto de Oliveira, em um posto de gasolina na Avenida Brasil, o rapper foi levado para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), no entanto, decidiu transferir Oruam ainda na terça para Bangu. A Seap não explicou os motivos para a transferência. Segundo a administração penitenciária, o cantor passou a noite sem intercorrências e recebeu a alimentação padrão da unidade. O cardápio contempla quatro refeições:
Café da manhã: café com leite e pão com manteiga;
Almoço: frango misto, cenoura cozida, feijão, arroz, salada de beterraba ralada e suco;
Jantar: feijoada, farofa de milho, salada (mix de folhas) e suco;
"Não sou bandido, tudo o que eles querem é que eu fique aqui, mas eu não sou bandido, então vou me entregar", afirmou.
O artista, junto de um grupo de amigos, xingou e atirou pedras em agentes – incluindo o delegado Moysés Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) – que foram ao local para apreender o adolescente "Menor Piu", de 17 anos. Contra o jovem, havia um mandado de busca e apreensão por atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais, expedido pela Vara da Infância e Juventude. O cantor pediu desculpas ao delegado e alegou que não sabia do que se tratava a ação policial.
"Eu tava saindo de casa, do nada vi um carro saindo muito voado e saiu falando: 'Perdeu, perdeu', totalmente descaracterizado. Eu não entendia o que tava acontecendo", disse o rapper ao relembrar o momento.
Mansão virou "refúgio de criminosos"
O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou na terça-feira (22), em representação pela prisão do rapper, que a casa dele se tornou um refúgio "de criminosos foragidos". O parecer do órgão foi acolhido pela juíza Ane Cristine Scheele Santos, do Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça, que decretou a prisão preventiva do artista.
"A vinculação orgânica do representado [Oruam] com a organização criminosa Comando Vermelho, evidenciada pela reiterada utilização de sua residência como local de acoitamento de criminosos foragidos e pela ostentação pública de sua filiação à facção, demonstra que sua liberdade representa risco concreto e atual à segurança da coletividade", diz o MPRJ.
Essa é a segunda vez que um foragido da Justiça é encontrado no interior da residência do cantor. Em fevereiro, agentes cumpriam dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele quando encontraram o traficante Yuri Pereira Gonçalves, procurado pelo crime de organização criminosa, na mansão do Joá. Com o suspeito, conhecido como "Batata", foram encontradas uma pistola 9mm com kit rajada, de uso restrito e com numeração raspada, além de munições.
Ao anunciar o indiciamento de Oruam para a imprensa, na manhã desta terça, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou que ele era "um marginal, bandido, delinquente, criminoso e associado para o tráfico. Um bandido da pior espécie".
"Se alguém tinha alguma dúvida de que o Oruam é um artista periférico ou um marginal, hoje nós temos a certeza de que se trata de um bandido da pior espécie, associado à facção criminosa Comando Vermelho, da qual o pai dele [Marcinho VP] é o chefe e controla a distância, de fora do estado, mesmo estando acautelado em presídio federal", disse Curi.
Quem é Oruam
Rapper Oruam em show | Reprodução
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho, condenado a 44 anos de prisão por crimes, como homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Aos 24 anos, o músico se destaca pelo estilo de vida ostentador e tem mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
Apesar do laço familiar, o cantor nega ligações com o crime organizado e o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. "Tudo o que eu conquistei foi com minha música", disse Oruam em vídeo publicado nesta madrugada.
Ativo nas redes sociais, ele tem mais de 2,1 milhões de seguidores em sua conta reserva no Instagram. O perfil principal foi derrubado. Seus fãs, a "Tropa do Oruam", são fiéis e o acompanham para todo canto – incluindo na delegacia. Em fevereiro, quando foi levado para a Cidade da Polícia, saiu do local sob gritos e aplausos dos admiradores.
O artista vem se envolvendo em polêmicas desde 2024, quando pediu a liberdade do pai durante uma apresentação no festival de música Lollapalooza. À época, ele foi duramente criticado, mas se explicou dizendo que havia feito apenas um "desabafo".
"Meu pai errou, mas está pagando pelos seus erros e com sobra. Não tentem tirar de uma pessoa o direito de reivindicar condições melhores para o seu pai, e nem de querer vê-lo em liberdade", disse o músico na época.
Justiça mantém prisão de Oruam em audiência de custódiaRapper se entregou após mandado de prisão preventiva por crimes relacionados a confronto com policiais em frente à sua casa; ele ficará no Complexo de GericinóBrasil2025-07-23T17:45:56.892ZA Justiça do Rio de Janeiro manteve a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, em audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (23). O artista seguirá para a Penitenciária Dr. Serrano Neves, no Complexo de Gericinó, em Bangu, onde está em uma cela individual e separado dos demais detentos. De acordo com o Tribunal de Justiça, a juíza Rachel Assad da Cunha avaliou que a prisão foi feita de forma correta e que o preso não sofreu abusos. Sendo assim, a detenção foi mantida e o processo deve seguir com o juiz que originalmente decretou a medida. A audiência de custódia serve para analisar a legalidade da prisão e eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos. Não cabe, ao juiz responsável pela audiência de custódia, rever as decisões judiciais anteriores. A defesa do rapper informou que já entrou com pedido de habeas corpus. Oruam se entregou ontem após o Tribunal de Justiça expedir um . A decisão veio depois de uma confusão entre o cantor e policiais em frente à mansão dele, no Joá, na zona oeste do Rio (saiba mais abaixo). O : desacato, resistência, ameaça, dano, lesão corporal, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Após se apresentar voluntariamente ao sub-secretário da Polícia Civil, Carlos Alberto de Oliveira, em um posto de gasolina na Avenida Brasil, o rapper foi levado para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), no entanto, decidiu . A Seap não explicou os motivos para a transferência. Segundo a administração penitenciária, o cantor passou a noite sem intercorrências e recebeu a alimentação padrão da unidade. O cardápio contempla quatro refeições: "Não sou bandido", diz rapper Em , Oruam negou qualquer envolvimento com o crime organizado e comentou a confusão ocorrida em frente à sua casa. "Não sou bandido, tudo o que eles querem é que eu fique aqui, mas eu não sou bandido, então vou me entregar", afirmou. O artista, junto de um grupo de amigos, xingou e atirou pedras em agentes – incluindo o delegado Moysés Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) – que foram ao local para apreender o adolescente "Menor Piu", de 17 anos. Contra o jovem, havia um mandado de busca e apreensão por atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais, expedido pela Vara da Infância e Juventude. O cantor pediu desculpas ao delegado e alegou que não sabia do que se tratava a ação policial. "Eu tava saindo de casa, do nada vi um carro saindo muito voado e saiu falando: 'Perdeu, perdeu', totalmente descaracterizado. Eu não entendia o que tava acontecendo", disse o rapper ao relembrar o momento. Mansão virou "refúgio de criminosos" O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou na terça-feira (22), em representação pela prisão do rapper, que a casa dele se tornou um . O parecer do órgão foi acolhido pela juíza Ane Cristine Scheele Santos, do Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça, que decretou a prisão preventiva do artista. "A vinculação orgânica do representado [Oruam] com a organização criminosa Comando Vermelho, evidenciada pela reiterada utilização de sua residência como local de acoitamento de criminosos foragidos e pela ostentação pública de sua filiação à facção, demonstra que sua liberdade representa risco concreto e atual à segurança da coletividade", diz o MPRJ. Essa é a segunda vez que um foragido da Justiça é encontrado no interior da residência do cantor. Em fevereiro, agentes cumpriam dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele quando encontraram o . Com o suspeito, conhecido como "Batata", foram encontradas uma pistola 9mm com kit rajada, de uso restrito e com numeração raspada, além de munições. Ao anunciar o indiciamento de Oruam para a imprensa, na manhã desta terça, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou que ele era "um marginal, bandido, delinquente, criminoso e associado para o tráfico. Um bandido da pior espécie". "Se alguém tinha alguma dúvida de que o Oruam é um artista periférico ou um marginal, hoje nós temos a certeza de que se trata de um bandido da pior espécie, associado à facção criminosa Comando Vermelho, da qual o pai dele [Marcinho VP] é o chefe e controla a distância, de fora do estado, mesmo estando acautelado em presídio federal", disse Curi. Quem é Oruam O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho, condenado a 44 anos de prisão por crimes, como homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Aos 24 anos, o músico se destaca pelo estilo de vida ostentador e tem mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Apesar do laço familiar, o cantor nega ligações com o crime organizado e o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. "Tudo o que eu conquistei foi com minha música", disse Oruam em vídeo publicado nesta madrugada. Ativo nas redes sociais, ele tem mais de 2,1 milhões de seguidores em sua conta reserva no Instagram. O perfil principal foi derrubado. Seus fãs, a "Tropa do Oruam", são fiéis e o acompanham para todo canto – incluindo na delegacia. Em fevereiro, quando foi levado para a Cidade da Polícia, saiu do local sob . O artista vem se envolvendo em polêmicas desde 2024, quando pediu a liberdade do pai durante uma apresentação no festival de música Lollapalooza. À época, ele foi duramente criticado, mas se explicou dizendo que havia feito apenas um "desabafo". "Meu pai errou, mas está pagando pelos seus erros e com sobra. Não tentem tirar de uma pessoa o direito de reivindicar condições melhores para o seu pai, e nem de querer vê-lo em liberdade", disse o músico na época. Neste ano, uma para impedir que a prefeitura da cidade contrate shows de artistas que fazem supostamente apologia às drogas e ao crime organizado. O , também acabou protocolado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/justica-mantem-prisao-de-oruam-em-audiencia-de-custodia
Menores que entraram em Ceuta podem ficar na Espanha
Governo espanhol analisa situação de aproximadamente 1.100 crianças e adolescentes que chegaram ao enclave; número de mortes na travessia já chega a 100
"Ele me bate": menino morto apelou para não ir à casa do pai
Pai e madrasta foram presos por suspeita de envolvimento na morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas (TO); investigação aponta sinais de agressão