Brasil

Golpe de Bolsonaro não vingou por falta de apoio do comando das Forças Armadas, diz PF

Freire Gomes (Exército) e Baptista Jr. (Aeronáutica) foram contra plano para impedir posse de Lula e viraram alvo de ataques de aliados de Bolsonaro

R
Ricardo Brandt
26/11/2024, 23:28 • Atualizado em 26/11/2024, 23:28
compartilhar
Golpe de Bolsonaro não vingou por falta de apoio do comando das Forças Armadas, diz PF

O golpe de Estado tramado no final de 2022 para impedir o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de assumir o cargo, após derrotar Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, só não foi efetivado por falta de apoio dos comandantes das Forças Armadas. É o que informa a Polícia Federal no relatório final que indiciou o ex-presidente e 36 pessoas na última semana.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

"A resistência dos Comandantes do Exército e da Aeronáutica impediu a consumação do ato", conclui a PF nas 889 páginas do documento que foi entregue ao STF.

As investigações apontam que, após a derrota no 2º turno das Eleições 2022, Bolsonaro, ministros, militares e políticos aliados iniciaram um plano para impedir a posse do governo eleito e intervir no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma das ações previa a prisão e até morte do ministro Alexandre de Moraes, que era presidente da Corte eleitoral e é relator de processos contra Bolsonaro no STF.

"Conforme os elementos de prova obtidos, a consumação do golpe de Estado e Abolição violenta do Estado Democrático de Direito estava prevista para ocorrer no dia 15 de dezembro de 2022", informa a PF.

O plano "Copa 2022", como teriam batizado os golpistas, envolvia Bolsonaro, ministros e assessores, como Mauro Cid e o general Walter Braga Netto (ex-Casa Civil e então vice na chapa derrotada).

Dos três chefes das Forças Armadas, apenas o almirante Almir Garnier, da Marinha, teria aderido. "As evidências descritas ao longo do presente relatório demonstraram que o comandante da Marinha, Almirante ALMIR GARNIER, e o ministro da Defesa, PAULO SÉRGIO, aderiram ao intento golpista."

Segundo a PF, Freire Gomes e Baptista Junior foram "contrários a qualquer medida que causasse a ruptura institucional no país".

Mesmo com um documento prevendo intervenção no TSE (a minuta do golpe) e apoio de parte dos militares, “a consumação do golpe necessitaria de um elemento fundamental, o apoio do braço armado do Estado, em especial a força terrestre, o Exército”.

Relatório PF
Relatório PF

“Para isso, o então presidente JAIR BOLSONARO realizou várias reuniões com os comandantes das Forças e com o ministro da Defesa para apresentar o decreto e obter seus respectivos apoios. As evidências descritas ao longo do presente relatório demonstraram que o comandante da Marinha, Almirante ALMIR GARNIER, e o ministro da Defesa, PAULO SÉRGIO, aderiram ao intento golpista." Trecho do relatório final da PF que indiciou Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.

Milícia digital

Com a resistência de Freire Gomes e Baptista Jr., os dois passaram a ser alvos de ataques e pressão interna.

“Recrudesceram os ataques da milícia digital e de militares aderentes à ruptura institucional aos referidos comandantes e aos demais militares de alta patente contrários ao golpe de Estado”, após as primeiras negativas em meados de novembro. Segundo a PF, com a negativa de Freire Gomes, Bolsonaro "buscou e obteve o apoio do então comandante do COTER, general Estevam Theóphilo".

"Ao mesmo tempo, o núcleo responsável pela incitação de militares, utilizando o modus operandi da milícia digital, desencadeou a propagação de ataques pessoais aos comandantes Freire Gomes e Baptista Junior, além de manifestações em suas residências para pressioná-los a aderirem ao golpe de Estado.”

Relatório PF
Relatório PF
Relatório PF
Relatório PF
Relatório PF
Relatório PF

Ouvido pela PF, o então comandante do Exército "confirmou que passou a receber pressões para anuir a uma possível ruptura institucional, recebendo ataques pelas mídias sociais". Os ataques e investidas não tiveram sucesso.

“Apesar de todas as pressões realizadas, o general FREIRE GOMES e a maioria do Alto Comando do Exército mantiveram a posição institucional, não aderindo ao golpe de Estado. Tal fato não gerou confiança suficiente para o grupo criminoso avançar na consumação do ato final e, por isso, o então presidente da República JAIR BOLSONARO, apesar de estar com o decreto pronto, não o assinou. Com isso, a ação clandestina para prender/executar ministro ALEXANDRE DE MORAES foi 'abortada'".

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Sem corda, jovem morre durante queda de bungee jump em SP

Sem corda, jovem morre durante queda de bungee jump em SP

Imagem da notícia: Keiko Fujimori rejeita recontagem total de votos no Peru

Keiko Fujimori rejeita recontagem total de votos no Peru

Imagem da notícia: Catar e Suíça na Copa do Mundo; siga em tempo real

Catar e Suíça na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Flávio lamenta não poder ver jogo da Copa com pai

Flávio lamenta não poder ver jogo da Copa com pai

Imagem da notícia: Sem corda, jovem morre durante queda de bungee jump em SP

Sem corda, jovem morre durante queda de bungee jump em SP

Imagem da notícia: Keiko Fujimori rejeita recontagem total de votos no Peru

Keiko Fujimori rejeita recontagem total de votos no Peru

Imagem da notícia: Catar e Suíça na Copa do Mundo; siga em tempo real

Catar e Suíça na Copa do Mundo; siga em tempo real

Imagem da notícia: Flávio lamenta não poder ver jogo da Copa com pai

Flávio lamenta não poder ver jogo da Copa com pai

Últimas notícias

Irã descarta assinar acordo de paz com EUA no domingo (14)

Governo iraniano mantém possibilidade de formalização nos próximos dias, mas cita cautela diante da postura norte-americana

Marrocos: de colônia ao protagonismo, além do gramado

País une geopolítica, identidade e futebol para se firmar como potência emergente no cenário internacional

Morre Vovô Anésio, fenômeno do TikTok, aos 88 anos

Influenciador conhecido pelo humor simples acumulava mais de 6,8 milhões de seguidores na plataforma digital ao lado do neto Caio Fiori

Lula a Ancelotti: "Copa a gente não disputa, a gente ganha"

Em recado a Ancelotti, presidente incentivou jogadores antes da estreia do Brasil contra o Marrocos neste sábado (13)

Mega-Sena: estreia do Brasil na Copa altera datas do sorteio

Concurso 3018 deste sábado (13) passou para domingo (14); horário também sofreu alteração

Nome de Trump é removido da fachada do Kennedy Center

Presidente colocou seu nome em cima do nome do ex-presidente; Justiça afirmou que medida aconteceu sem aprovação do Congresso