Gêmeas serial killers e amiga vão a júri por 4 mortes em SP
Acusadas de envenenar vítimas com chumbinho entre janeiro e maio de 2025 foram pronunciadas; Ministério Público aponta crimes em série e motivação torpe

Gêmeas Ana Paula e Roberta, à esquerda, e Michele Paiva, à direita | Reprodução
A Justiça de São Paulo determinou que as irmãs gêmeas Ana Paula Veloso Fernandes e Roberta Cristina Veloso Fernandes, juntamente com a amiga Michelle Paiva da Silva, sejam levadas a julgamento pelo Tribunal do Júri. As três, presas preventivamente, responden pelas mortes de quatro pessoas por envenenamento, ocorridas entre janeiro e maio de 2025 nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
As rés são acusadas pelos homicídios de Marcelo Hari Fonseca e Maria Aparecida Rodrigues, em Guarulhos; de Neil Corrêa da Silva, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; e de Hayder Mhazres, na capital paulista. De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, as irmãs atuavam como assassinas em série ("serial killers") e demonstravam satisfação na execução dos crimes.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que os advogados de defesa apresentaram recursos contra a sentença de pronúncia. A data do julgamento popular será definida apenas após a conclusão definitiva de toda a fase recursal, caso a decisão que determinou o júri seja mantida pelos desembargadores.
Relembre o caso
A identificação dos homicídios começou a partir de uma ocorrência registrada em 9 de julho de 2025, quando Ana Paula foi detida em flagrante sob a suspeita de tentar envenenar colegas de faculdade com um bolo contaminado.
Ana Paula, foi considerada uma serial killer pela polícia. Segundo as investigações, ela se aproximava das vítimas fingindo interesse afetivo ou amizade, com o objetivo de se apropriar de bens e valores.
A investigação apontou que o objetivo de Ana Paula era incriminar a esposa de um policial militar com quem ela mantinha um relacionamento amoroso fora do casamento. O episódio chamou a atenção da Polícia Civil, que passou a cruzar informações de mortes súbitas registradas na Grande São Paulo:
As vítimas não apresentavam sinais de violência física ou ferimentos externos aparentes, o que fez com que os óbitos fossem registrados inicialmente como causas naturais ou infartos.
A reviravolta ocorreu após uma denúncia anônima recebida pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que apontava o sumiço de quatro mil reais pertencentes ao aposentado Neil Corrêa da Silva.
Peritos constataram posteriormente que as quatro vítimas haviam ingerido veneno raticida conhecido popularmente como chumbinho.
Plano para matar pai com feijoada e cumplicidade
Em outubro de 2025, os policiais civis prenderam Michelle Paiva da Silva, acusada de planejar e financiar a morte do próprio pai, Neil Corrêa.
Michelle e Ana Paula haviam se conhecido em um curso superior e mantiveram proximidade mesmo após Ana Paula se transferir para a capital paulista. As investigações comprovaram a divisão de tarefas no assassinato do idoso
Mensagens obtidas com autorização judicial revelaram que Michelle contratou a amiga por mil e quatrocentos reais para eliminar o pai por interesse financeiro.
Ana Paula viajou ao Rio de Janeiro e almoçou com a vítima, colocando veneno no prato de feijoada servido ao aposentado.
Conversas interceptadas entre as irmãs Ana Paula e Roberta demonstraram o uso de códigos e termos velados para alinhar o planejamento e a execução do assassinato.
O atestado de óbito original de Neil, que indicava insuficiência respiratória e crise convulsiva, foi revisto após a confissão formal de Ana Paula sobre a utilização do produto tóxico.
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