Funcionários da USP entram em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (14)
Paralisação começa com apoio de estudantes, que também suspendem atividades e organizam mobilização no campus

Naiara Ribeiro
Agência SBT
Funcionários da Universidade de São Paulo (USP) entram em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (14). A paralisação foi aprovada por unanimidade em assembleia geral realizada no dia 9 de abril, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). No mesmo dia, estudantes também vão paralisar as atividades em apoio ao movimento.
Segundo os trabalhadores, o principal motivo da greve é a quebra de isonomia nos reajustes salariais e benefícios. A situação foi provocada após a aprovação, no Conselho Universitário, de uma gratificação mensal de R$ 4.500 destinada apenas aos professores docentes da USP, com duração de dois anos, prorrogáveis.
A medida não inclui cerca de 13 mil funcionários da universidade. Como resposta, a principal reivindicação aprovada na assembleia é que o valor total previsto para o pagamento da gratificação, estimado em cerca de R$ 476 milhões em dois anos, seja dividido entre os servidores. O cálculo apresentado pelos trabalhadores indica cerca de R$ 1.600 para cada funcionário, com incorporação aos salários.
A assembleia também aprovou a reivindicação de que não sejam cobradas dos funcionários as horas referentes a pontes de feriados e ao recesso de fim de ano, prática que, segundo a categoria, já não é aplicada aos professores. Também foram incluídas reivindicações voltadas a terceirizados, como a criação de um bilhete único especial para uso nos circulares da USP e o fim da escala 6x1.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), pelo menos 31 das 40 unidades da universidade vão aderir à paralisação. A entidade afirma que tenta contato com a reitoria, mas não obteve retorno até o momento.
Os estudantes que apoiam o movimento realizam paralisação nesta terça-feira, primeiro dia da greve dos funcionários e também devem fazer reivindicações próprias. Entre elas estão o aumento do auxílio permanência, voltado a quem não tem condições de se manter na universidade, e melhorias na alimentação oferecida nos restaurantes universitários, conhecidos como "bandejões".









