Brasil

Filha de vítima de tornado no PR viaja de SP às pressas, mas não consegue ir a velório: "Não deu pra ver meu pai"

Terezinha Walter chegou a Rio Bonito do Iguaçu logo após enterro do pai, José Gietesk; outras cinco pessoas morreram durante fenômeno que destruiu a cidade

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Caroline Vale, com informações da Rede Massa, SBT Manhã
10/11/2025, 13:48 • Atualizado em 10/11/2025, 14:09
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Filha de José Geteski, que morreu durante tornado no Paraná | Reprodução/SBT

Filha de José Geteski, que morreu durante tornado no Paraná | Reprodução/SBT

No Hospital São José, em Laranjeiras do Sul (PR), Terezinha Walter chorou a morte do pai, José Gieteski, de 83 anos, que morreu durante a passagem de um tornado de categoria EF-3 em Rio Bonito do Iguaçu (PR) na última sexta-feira (7).

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Assim que soube sobre o tornado na cidade, que fica no Centro-Sul do estado, Terezinha viajou às pressas de São Paulo para ajudar a família. Ela encontrou a mãe internada, mas não deu tempo de ver o pai.

"Eu nem consegui ir no velório do pai, acabaram de enterrar, eu cheguei agora de São Paulo, não deu pra ver meu pai. É muito triste... Não sei como vou superar isso", contou ela ao SBT, emocionada.

Além de José, mais cinco pessoas morreram, outras quatro em Rio Bonito e uma em Guarapuava. Mais de mil ficaram desabrigadas, segundo a Defesa Civil. O número de feridos passa de 750. Médicos, bombeiros e voluntários se revezam no atendimento a quem perdeu tudo em escolas, ginásios e campos de futebol.

O amanhecer nesse domingo (9) foi de trabalho intenso na cidade, que teve 90% de sua área urbana destruída, segundo a Defesa Civil estadual. Equipes tentam restabelecer a energia elétrica, que ainda falta em mais da metade da cidade.

Solidariedade mobiliza o país

De todas as partes do Brasil chegam voluntários para reconstruir o que sobrou, trazendo doações e mão de obra: "Ficamos sabendo dessa tragédia, nos reunimos e viemos pra cá pra fazer o que for necessário, pra ajudar essas pessoas", contou um dos voluntários.

No que restou do salão paroquial, pessoas cozinham sem parar, distribuindo alimentos e água. "A gente veio pra cá ontem de manhã e está cozinhando desde então. Ontem fomos até duas horas da noite servindo café e marmita pro pessoal", relatou outra.

Em frente à Igreja Santo Antônio de Pádua, epicentro da ajuda, uma missa aquece a fé dos moradores. Dentro do templo, há pontos de apoio com roupas, alimentos, cobertores e colchões. "Eu vou levar pra mim, pro meu marido e pro meu filho. Meus móveis foram embora, tudo", contou Maria Vieira, uma das moradoras que tenta recomeçar.

Em meio à destruição, surgem gestos de humanidade. "As pessoas se ajudando assim gera uma coisa boa, sabe? Mostra bondade, solidariedade de vários lugares ajudando", disse uma moradora.

Máquinas pesadas removem destroços sem parar. O ginásio de esportes, antes símbolo de bem-estar, é agora um amontoado de concreto. No bairro Vista Alegre, um dos mais atingidos, casas foram completamente arrasadas. "Chegar e ver tudo demolido, procurando por alguém e não conseguir achar é desesperador. Vamos tentar erguer a cabeça agora e seguir em frente", desabafou Cleverson, morador da região.

Estado em calamidade e reconstrução da cidade

O governo do Paraná manteve o decreto de calamidade pública e iniciou o cadastro das famílias afetadas. "Já começamos a movimentar todas as equipes, tanto do interior quanto da capital, para dar apoio imediato às famílias desabrigadas, inclusive algumas vítimas que foram surgindo. (...) Também estudamos estratégias para reconstrução de casas", afirmou o governador Ratinho Júnior (PSD).

O prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino (PSD), disse que o município começa a cadastrar empresas e famílias afetadas. Três dos principais mercados da cidade foram destruídos. "Já passamos pela parte difícil, agora temos que reconstruir", afirmou.

A Defesa Civil acompanha de perto o processo e disse que todas as famílias atingidas estão em abrigos provisórios com alimentação e infraestrutura básica. "Estamos agora no segundo momento, avaliando os danos e o que será necessário para reconstruir as casas e restabelecer o comércio na cidade, para que a economia volte a girar", explicou o coordenador Fernando Raimundo.

Nas regiões atingidas, as provas do Enem foram adiadas. O Ministério da Educação (MEC) garantiu que nenhum aluno será prejudicado e que uma nova data será divulgada ainda neste mês.

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