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Férias: só 21% dos jovens praticam atividades fora das telas

Especialista reforça importância da supervisão familiar e do diálogo sobre os riscos do ambiente digital

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SBT News
03/07/2026, 11:16 • Atualizado em 03/07/2026, 11:16
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Férias: Só 21% dos jovens praticam atividades fora das telas | Freepick

Férias: Só 21% dos jovens praticam atividades fora das telas | Freepick

O tempo de descanso nas férias escolares de julho acende um alerta: apenas 21% dos adolescentes praticam atividades de lazer e recreação fora das telas regularmente, como esportes, leitura, passeios ou brincadeiras presenciais, É o que aponta um levantamento da ChildFund.

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A pesquisa ouviu mais de 8 mil adolescentes entre 13 e 18 anos em todo o país. Desta vez, o levantamento aprofundou o tema ao incluir entrevistas com vítimas e perpetradores (abusadores). Os relatos mostraram como agressores utilizam jogos on-line, redes sociais e aplicativos de conversa para criar vínculos de confiança, manipular emocionalmente adolescentes e iniciar situações de abuso.

Segundo os dados, 41% dos adolescentes afirmam já ter interagido com pessoas desconhecidas ou suspeitas na internet. Muitas dessas abordagens começam em plataformas de jogos e redes sociais e migram para aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram, onde ocorre parte das trocas de conteúdos íntimos e da violência.

“Quando falamos em violência sexual on-line, muitas pessoas ainda acreditam que a internet é um ambiente inofensivo por não envolver contato físico direto. No entanto, o abuso virtual existe, provoca graves impactos emocionais e pode deixar marcas psicológicas profundas em crianças e adolescentes, além de expô-los a situações traumáticas e permanentes”, comenta Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund.

O levantamento apontou ainda que o período noturno representa maior vulnerabilidade, especialmente durante a madrugada, quando há menor supervisão familiar. “O anonimato proporcionado pela internet, aliado à facilidade de acesso às vítimas, favorece a atuação de abusadores", acrescenta Cunha.

Principais riscos

Além dos riscos externos, a pesquisa identificou fatores emocionais e sociais que contribuem para a vulnerabilidade dos jovens, como ausência de diálogo familiar, falta de orientação sobre sexualidade, carência afetiva e dificuldade em reconhecer situações de manipulação e abuso. Entre as vítimas entrevistadas, sentimento de culpa, vergonha e medo do julgamento aparecem como barreiras frequentes para denúncias.

Os relatos também mostram que muitas vítimas não reconhecem situações de abuso no momento em que elas acontecem, especialmente quando existe manipulação emocional por parte dos agressores. Em diversos casos, os abusadores ocupam espaços de escuta e acolhimento que muitas vezes não são encontrados no ambiente familiar, criando vínculos que evoluem para controle psicológico e coerção.

Outra estratégia de proteção é a parentalidade lúdica, incentivando momentos de convivência, brincadeiras, esportes, leitura e atividades presenciais para fortalecer vínculos familiares e ampliar o diálogo com crianças e adolescentes.

O bloqueio de perfis suspeitos aparece como uma das reações mais comuns entre os jovens, mas a ausência de denúncias contribui para a subnotificação dos casos e dificulta a responsabilização dos agressores. Os impactos da violência sexual on-line podem se estender para a vida adulta, com consequências como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento e dificuldades de relacionamento.

Para Cunha, as férias escolares podem ser uma oportunidade para fortalecer vínculos familiares, estimular atividades fora do ambiente digital e ampliar o diálogo sobre o acesso ao mundo virtual. “Durante as férias, é importante que as famílias ou responsáveis estejam presentes para criar vínculos de confiança, além da supervisão. Crianças e adolescentes precisam se sentir seguros para conversar sobre o que vivem na internet sem medo de punição ou julgamento”, afirma.

Entre as principais recomendações para pais, mães e responsáveis estão o estabelecimento de limites claros para o uso de telas, o incentivo a atividades presenciais e a manutenção de um diálogo aberto sobre os riscos do ambiente digital. Outras formas de manter a supervisão e a segurança são o uso de filtros de segurança, ferramentas de controle parental e atenção a possíveis mudanças de comportamento, como isolamento, vergonha, medo excessivo ou alterações de humor.

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