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Magistrada relata episódio de 'racismo estrutural' no MT

Adenir Carruesco foi confundida com funcionária de mercado; relato provocou debate sobre “viés cognitivo”, que associa negros a posições de serviço

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SBT News
23/05/2026, 00:44 • Atualizado em 23/05/2026, 00:44
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A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região em Mato Grosso, Adenir Carruesco, afirmou ter sido vítima de racismo estrutural durante uma ida a um supermercado em Cuiabá.

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O caso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu discussões sobre preconceito racial e representatividade negra nas instituições brasileiras.

Segundo a magistrada, o episódio não deve ser interpretado como uma ofensa individual intencional, mas como reflexo de padrões históricos e sociais reproduzidos de forma automática na sociedade.

O que aconteceu no supermercado?

A desembargadora relatou que foi confundida com uma funcionária do supermercado enquanto fazia compras. Segundo ela, esse tipo de situação já ocorreu outras vezes e está ligado ao que classificou como um “viés cognitivo” que associa pessoas negras a posições de prestação de serviço.

Carruesco afirmou que o problema não está na profissão em si, mas na naturalização de determinados papéis sociais atribuídos às pessoas negras.

"Quis denunciar o preconceito estrutural. Não se trata de uma maldade individual ou da intenção da pessoa de cometer uma ofensa ou uma injúria. O que o vídeo quis colocar em evidência é uma um padrão cognitivo, é um viés cognitivo que naturaliza a ideia do preto como o prestador de serviço", declarou

Debate sobre representatividade

A presidente do TRT-MT também destacou a baixa presença de mulheres negras em cargos de destaque no Judiciário brasileiro.

Ela citou, por exemplo, a ausência histórica de mulheres negras em tribunais superiores e afirmou que a falta de representatividade impacta diretamente a forma como a população negra se vê nas instituições públicas.

“Eu penso que isso muda com conscientização, quando a pessoa reflete sobre seus atos, pensa antes de agir. Isso vem com a educação, vem com o letramento racial. Precisa passar por todas as instituições, pelas empresas privadas. A gente precisa falar sobre isso, debater sobre isso. E um fator determinante é o fato de as pessoas negras terem realmente a oportunidade de ocupar os espaços que lhes foram negados por muito tempo”, afirmou.

Apesar das críticas ao racismo estrutural, a desembargadora afirmou defender o diálogo e disse acreditar que mudanças sociais precisam ocorrer sem discursos de ódio ou revanchismo.

“O meu diálogo é sempre de muita compreensão, de muito respeito e de amor ao próximo, sem qualquer questão de ódio, revanchismo ou vingança. Eu penso que juntos a gente pode construir um país melhor. Por isso também quisemos abrir esse espaço para falar sobre esse assunto", completou.

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