Brasil

Desastre de Mariana: Barroso, presidente do STF, diz que ações coletivas estão "em vias de serem solucionadas"

O ministro afirma "não querer" que o tema seja encerrado fora do Brasil; em Londres, há um julgamento marcado para outubro

S
SBT News
03/09/2024, 12:07 • Atualizado em 03/09/2024, 12:09
compartilhar
"Não queremos que isso seja resolvido em fórum internacional”, disse o ministro em evento sobre ações coletivas | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF e José Cruz/Agência Brasil

"Não queremos que isso seja resolvido em fórum internacional”, disse o ministro em evento sobre ações coletivas | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF e José Cruz/Agência Brasil

Após mais de oito ano do episódio em que o distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana (MG), foi engolido por um mar de lama da mineradora Samarco, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luís Roberto Barroso, afirmou que as ações coletivas movidas pelas vítimas estão "em vias de serem solucionadas". Para o ministro, a finalização se deve dar em acordo, evitando uma resolução em fórum internacional.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O magistrado afirmou "não querer" que o tema seja encerrado fora do Brasil. “Em matéria de interesses coletivos, há três episódios que geraram muitas ações, inclusive coletivas, que nós estamos cuidando: o caso da Braskem, com o afundamento de um bairro inteiro em Maceió, o caso que envolve Brumadinho, da ruptura de uma barragem, e o caso de Mariana, igualmente, o rompimento de uma barragem — e que felizmente está em vias de ser solucionada mediante um acordo, porque não queremos que isso seja resolvido em fórum internacional".

Segundo o presidente da Suprema Corte, esses são temas que envolvem litígios estruturais e ações civis públicas. Em evento do CNJ, citou tutelas coletivas, ações movidas em conjunto pela sociedade civil, como alternativa para mitigar o que chamou de "epidemia de judicialização" no país. Segundo ele, mais de 83 milhões de processos judiciais estão pendentes no Brasilum provável recorde mundial, analisa Barroso.

O rompimento da barragem, em 5 de novembro de 2015, liberou 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A lama correu e chegou até o mar do Espírito Santo. A empresa pertence às gigantes Vale e Broken Hill Proprietary Company Limited Billiton (BHP), anglo-australiana.

Acordos

Barroso referiu-se a um julgamento marcado para outubro deste ano na Justiça do Reino Unido, país de origem da BHP, onde o advogado e ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo defende as vítimas e cobra responsabilização em todas as possíveis instâncias.

No Brasil, o processo reparatório gira em torno do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), firmado entre as três mineradoras envolvidas, a União e os governos mineiro e capixaba. Nele, estipulou-se a criação da Fundação Renova, com mais de 40 programas de medidas de reparação.

Desde o início, o TTAC chegou a ser duramente criticado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), bem como por entidades representativas dos atingidos. Uma das principais queixas era a falta de participação das vítimas na negociação e também na implementação das medidas.

Dois anos mais tarde, um acordo, que ficou conhecido como TAC Governança (Termo de Ajustamento de Conduta relativo à Governança), foi firmado pelas mineradoras e pelas instituições de Justiça visando sanar a questão. No entanto, as vagas só foram preenchidas neste ano, após quase nove anos do rompimento e seis anos da assinatura do termo.

Apesar da inclusão, as mineradoras continuam sendo majoritárias no Conselho Curador da Fundação Renova. A Samarco, a Vale e a BHP Billiton indicam seis dos nove nomes. Entre os demais, dois são representantes das vítimas e um nomeado pelo Comitê Interfederativo.

Uma tentativa de repactuação do processo reparatório, capaz de indicar solução para mais de 85 mil processos sobre a tragédia, está em andamento desde 2022. Até o momento, não houve sucesso.

Houve a abertura de dois processos: o primeiro dos governos estaduais de Minas e Espírito Santo, que também teve regiões atingidas pela onda de dejetos, gerando um acordo. O outro, movido pelo Ministério Público e pela Justiça Federal, condenou as empresas a um pagamento de R$ 47,6 bilhões em indenização coletiva, valor a ser corrigido por juros.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

Imagem da notícia: Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Imagem da notícia: EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

Imagem da notícia: Acidente em rodovia dos EUA deixa 5 mortos e 44 feridos

Acidente em rodovia dos EUA deixa 5 mortos e 44 feridos

Imagem da notícia: JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

Imagem da notícia: Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Imagem da notícia: EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

Imagem da notícia: Acidente em rodovia dos EUA deixa 5 mortos e 44 feridos

Acidente em rodovia dos EUA deixa 5 mortos e 44 feridos

Últimas notícias

Morre Edgar Morin, importante filósofo francês, aos 104 anos

Pensador francês, criador da teoria do pensamento complexo, era considerado um dos intelectuais mais importantes do século XX

PCC e CV atuam em 12 estados americanos, diz porta-voz

Amanda Roberson, do Departamento de Estado, não especificou em quais regiões dos EUA as facções estão, mas disse que autoridades monitoram atuação

Escutas são encontradas em gabinete do governador do Rio

Dispositivos foram localizados durante varredura de segurança no Palácio Guanabara; governo afirma que material não estava em funcionamento

Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Caso ocorreu em 14 de janeiro, no auge da agressiva onda de deportações promovida pelo presidente Donald Trump em Minnesota

Conselho de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos

Nova regra impede médicos de utilizar a substância em procedimentos estéticos; caso da maquiadora Roseli Fernandes, de 48 anos, reascendeu debate

PM entrega flores à mulher salva após pedido de pizza

Vítima simulou uma solicitação de delivery para não despertar suspeitas do companheiro; homem a agredia e mantinha uma arma de fogo em casa