China condena ataque dos EUA e de Israel ao Irã e pede cessar-fogo
País se mostrou "profundamente preocupado" com situação, dizendo estar disposto a trabalhar num acordo que restaure a paz no Oriente Médio


Camila Stucaluc
A China condenou o ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em nota publicada no sábado (28), o governo, que é aliado estratégico do país, afirmou que a soberania de Teerã deve ser respeitada, pedindo que os países retomem as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“A China está profundamente preocupada com os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irã devem ser respeitadas. A China apela para a cessação imediata das ações militares, para evitar uma maior escalada das tensões, retomar o diálogo e as negociações, e preservar a paz e a estabilidade na região do Oriente Médio”, disse o governo.
A preocupação com a dimensão da operação militar no Irã também foi levada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), durante reunião de emergência. No encontro, que aconteceu na noite de sábado, o representante chinês Fu Cong disse que Pequim está disposta a trabalhar em conjunto com a comunidade internacional para definir um acordo que restaure a paz no Oriente Médio.
“Os ataques militares ocorreram em um momento em que os EUA e o Irã estavam envolvidos em negociações diplomáticas, o que é chocante. O uso da força não é a forma correta de resolver disputas internacionais. Isso só intensifica o ódio e o confronto. A escalada e o transbordamento das tensões no Oriente Médio não servem aos interesses de ninguém. Diálogo e negociações são as únicas formas de resolver as diferenças”, disse.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última quinta-feira (26), representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado (28), no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques contra instalações nucleares em junho de 2025. Ataques coordenados com Israel foram lançados em direção ao Irã, culminando na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Em retaliação, Teerã vem lançando mísseis contra Israel e atacando bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos foi prometido pelos militares.









