Lula faz aceno a católicos e diz que papa é atacado por “poderosos que se julgam divindades"
Presidente divulgou vídeo para a 62ª Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil e relembrou papel da instituição na luta contra a ditadura


SBT News
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transmitiu nesta quarta-feira (15) uma mensagem à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que deu início hoje à sua 62ª Assembleia Geral em Aparecida (SP). No recado ao principal conglomerado católico do país, Lula prestou solidariedade ao papa Leão XIV, alvo de críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, por se manifestar publicamente contra o drama humanitário causado pela guerra no Irã.
Sem citar diretamente Trump, Lula disse que o pontífice é mais uma vítima de “poderosos que se julgam divindades” por se posicionar em defesa da paz.
“Quero, em primeiro lugar, manifestar a minha mais profunda solidariedade ao papa Leão XIV. Ao longo da história da humanidade, defensores da paz e dos oprimidos têm sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a serem adoradas pelos simples mortais. A mesma história tem demonstrado que mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro", afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
No domingo (12) Trump disse que Leão XIV era "fraco no combate ao crime e terrível em política externa" em publicação na rede Truth Social. Antes, o republicano já havia sugerido que o papa só tinha sido eleito pelo colégio de cardeais em um gesto da Santa Sé para agradá-lo, já que ambos são americanos.
Na sequência da mensagem, Lula saudou o papel da CNBB na luta contra a ditadura militar e no acolhimento aos perseguidos pelo regime, além de ter apoiado as greves sindicais que sacudiram o ABC Paulista no início da década de 1980 e contribuíram para a estruturação do Partido dos Trabalhadores e para a própria a ascensão de Lula como liderança política.
“Hoje, a defesa intransigente da dignidade da vida renova e inspira a relação entre o governo do Brasil e a CNBB. Nosso governo trabalha dia e noite para que o Brasil seja, definitivamente, um país livre da fome, da extrema pobreza e da desigualdade”, disse o petista.
Sem querer desagradar outros segmentos religiosos, Lula finalizou o vídeo reafirmando o “compromisso com o estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa”.
O Planalto tem tentado equilibrar a aprovação do presidente entre o eleitorado católico, ainda majoritário no Brasil, ciente de que a barreira de entrada entre evangélicos é mais estreita. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostra que a aprovação entre fiéis da Igreja Católica se manteve em 49%, com 46% desaprovando a gestão. Já entre as correntes pentecostais e neopentecostais, a rejeição ao governo disparou: passou de 61% para 68%.
CNBB
A 62ª Assembleia Geral da CNBB, que vai desta quarta até 24 de abril, marca o principal encontro anual dos bispos católicos do país. O episcopado votará as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, documento construído desde 2022 com participação das dioceses e que vai orientar a atuação pastoral da Igreja Católica no Brasil nos próximos anos.









