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Dez pessoas são condenadas na França por assédio cibernético contra primeira-dama

Réus sentenciados por um tribunal de Paris espalharam informações falsas de que Brigitte Macron seria uma mulher transgênero nascida homem

Imagem da noticia Dez pessoas são condenadas na França por assédio cibernético contra primeira-dama
Primeira-dama da França, Brigitte Macron | 13/11/2025/Ludovic Marin/Pool via Reuters

Um tribunal de Paris considerou nesta segunda-feira (5) dez pessoas culpadas de assédio cibernético contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron, por espalharem informações falsas de que ela seria uma mulher transgênero nascida homem.

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Brigitte e seu marido, o presidente francês Emmanuel Macron, enfrentam há muito tempo essas falsidades, incluindo alegações de que ela teria nascido com o nome de Jean-Michel Trogneux — o nome verdadeiro de seu irmão mais velho.

A diferença de idade de 24 anos entre o casal também gerou críticas e comentários sarcásticos, que o casal ignorou em grande parte durante anos, mas que recentemente começou a contestar na Justiça.

A decisão desta segunda representa uma vitória para o casal Macron, que prossegue com um processo de difamação de grande repercussão nos EUA contra a influenciadora e podcaster de direita Candace Owens, que também afirmou que Brigitte nasceu homem.

Os oito homens e duas mulheres foram considerados culpados de fazer comentários maliciosos sobre o gênero e a sexualidade de Brigitte Macron, chegando a equiparar a diferença de idade entre ela e o marido à "pedofilia".

Eles receberam sentenças variadas. Um deles foi condenado a seis meses de prisão sem possibilidade de suspensão. Outros receberam penas de prisão suspensas de até oito meses. As punições adicionais incluíram multas e cursos obrigatórios de conscientização sobre assédio cibernético. Cinco foram proibidos de usar a plataforma de mídia social na qual haviam feito a publicação.

Comentários como sátira

A Reuters não conseguiu contatar imediatamente o advogado de Brigitte Macron ou os advogados dos condenados.

A decisão surge em meio a tensões transatlânticas mais amplas sobre a liberdade de expressão online, com o governo norte-americano classificando os esforços europeus para conter a desinformação como censura. No mês passado, Washington impôs proibições de visto a cinco europeus que combatem o ódio e as falsidades online, incluindo o ex-comissário francês da União Europeia, Thierry Breton, e ativistas contra a desinformação.

Alguns dos réus no caso Macron alegaram que seus comentários equivaliam a uma sátira, uma defesa que o tribunal rejeitou.

Bertrand Scholler, de 55 anos, galerista e escritor, disse que recorreria de sua sentença de prisão suspensa de seis meses.

"Isto é horrível. É abominável", disse ele aos repórteres no tribunal. "Isto mostra o quanto a sociedade francesa está se afastando da liberdade de expressão. A liberdade de expressão já não existe."

Primeira-dama fala

Em entrevista à TF1 no domingo (4) à noite, Brigitte Macron defendeu sua luta contra os agressores virtuais, dizendo esperar que ela servisse de exemplo para outros. Ela afirmou que os ataques online contra ela pareciam intermináveis e incluíam "pessoas que invadiram meu site de impostos e modificaram minha identidade".

Ela também lamentou que seus agressores tenham ignorado as fortes evidências de seu gênero.

"Uma certidão de nascimento não é pouca coisa. É um pai ou uma mãe que vai declarar seu filho, que diz quem ele ou ela é", disse ela. "Quero ajudar os adolescentes a lutarem contra o assédio, e se eu não der o exemplo, será difícil."

(Reportagem de Dominique Vidalon e Juliette Jabkhiro)

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