Economia

9 milhões de empresas inadimplentes preocupam economia

Recorde histórico de CNPJs negativados revela pressão sobre caixa, crédito e sobrevivência dos pequenos negócios

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João Kepler
08/06/2026, 11:21 • Atualizado em 08/06/2026, 11:21
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Brasil registra recorde de 9 milhões de empresas inadimplentes, segundo a Serasa Experian | Reprodução/Magnific

Brasil registra recorde de 9 milhões de empresas inadimplentes, segundo a Serasa Experian | Reprodução/Magnific

O Brasil acaba de atingir uma marca preocupante. Pela primeira vez na série histórica da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes chegou a 9 milhões de CNPJs negativados. O dado representa um aumento de 1,5 milhão de empresas em apenas um ano e ajuda a dimensionar o tamanho do desafio enfrentado pelo setor produtivo nacional.

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Mais do que um indicador financeiro, a inadimplência empresarial funciona como um termômetro da saúde da economia real. São empresas que geram empregos, movimentam cadeias produtivas, pagam impostos e sustentam milhares de famílias. Quando o número de negócios com dificuldades financeiras cresce nesse ritmo, o impacto se espalha por toda a economia.

O aspecto mais relevante do levantamento é que 8,5 milhões dessas empresas são micro e pequenas empresas. Ou seja, justamente o segmento responsável pela maior parte dos empregos formais do país. Na prática, estamos falando de padarias, lojas, clínicas, escritórios, prestadores de serviço, pequenas indústrias e empreendedores que enfrentam diariamente um ambiente cada vez mais complexo para operar.

O total de dívidas negativadas também bateu recorde. São 63,7 milhões de débitos em atraso que somam R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possui mais de sete contas negativadas e uma dívida próxima de R$ 25 mil.

Juros altos e demanda fraca elevam inadimplência

O cenário chama atenção porque ocorre justamente em um momento em que o Banco Central iniciou um ciclo de redução da taxa básica de juros. Na teoria, juros menores deveriam aliviar a pressão sobre empresas e consumidores. Na prática, porém, esse alívio ainda não chegou de forma significativa na ponta. O crédito continua caro, seletivo e de difícil acesso para grande parte das pequenas empresas.

Outro fator que ajuda a explicar esse avanço da inadimplência é a desaceleração da atividade econômica. Muitas empresas enfrentam aumento de custos, margens comprimidas, queda de demanda em alguns setores e maior dificuldade para recompor caixa. O resultado é um efeito dominó que começa no faturamento e termina na capacidade de honrar compromissos financeiros.

Talvez o dado mais preocupante seja que o recorde atual não parece representar um teto. A própria Serasa alerta para a possibilidade de novos recordes ao longo de 2026 caso o ambiente econômico continue combinando juros elevados, crescimento moderado e restrição ao crédito.

Momento exige cautela e disciplina financeira

Para o empresário, a mensagem é clara: o momento exige atenção redobrada ao caixa, controle rigoroso de despesas, revisão de endividamento e busca por eficiência operacional. Em períodos como este, sobrevivem melhor não necessariamente as empresas que mais crescem, mas aquelas que conseguem preservar liquidez e capacidade de adaptação.

Os números mostram que a inadimplência deixou de ser um problema isolado de algumas empresas. Ela se tornou um fenômeno sistêmico que merece atenção de empresários, instituições financeiras e formuladores de políticas públicas. Afinal, quando 9 milhões de empresas enfrentam dificuldades para pagar suas contas, o desafio deixa de ser apenas financeiro e passa a ser econômico e social.

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