Endividamento cresce e atinge 82% das famílias, diz CNC
Pesquisa da CNC mostrou que o Desenrola 2.0 tem sido pouco eficaz para frear as dívidas das famílias
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Artur Maldaner
Imagem: José Cruz/Agência Brasil
Apesar da prorrogação do Desenrola 2.0 para o fim de agosto, o endividamento no Brasil continua aumentando, e, em julho, atingiu 82% das famílias em julho. A taxa é a maior da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
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O resultado representa um avanço de 0,4 p.p, em relação à junho, quando eram 81,6% das famílias endividadas. Já na comparação com julho de 2025, quando eram 78,5% dos entrevistados, o indicador aumentou em 3,5 p.p.
Por contrapartida, a parcela de famílias inadimplentes se estabilizou no último mês, com crescimento marginal de 29,9%, em junho, para 29,8%, em julho. O nível também está estável em relação a julho do ano anterior, que teve uma taxa de 30%.
A CNC aponta que a inadimplência teve uma leve queda, entre junho e julho, atribuída ao recuo nas camadas sociais com ganhos acima de três salários mínimos. No entanto, as famílias de menor renda, que recebem até três salários, tiveram um avanço de 38,3% para 38,5% no mesmo período.
Também atingiram uma taxa de endividamento de 84,9% em julho, 2 p.p a mais do que o valor de junho, de 84,7%, e 3,7 p.p a mais do que o valor de julho de 2025, de 81,2%.
As famílias de menor renda também lideraram, de forma isolada, o crescimento dos consumidores que declararam não ter condições de pagar suas dívidas. O indicador da população foi de 17,6% para 17,8% nos últimos dois meses. Já no recorte completo, foram 12,3% dos entrevistados que declararam insolvência financeira.
Além disso, a pesquisa revela um aumento na parcela de consumidores com alto comprometimento financeiro, ou seja, que empregam mais da metade de seus ganhos mensais para o pagamento de dívidas. Em julho, eram 19% das famílias, o maior nível desde março.
De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o setor tem observado sinais positivos de resiliência dos consumidores, com um crescimento na renda e emprego, além da quitação de dívidas com o Desenrola.
No entanto, alerta para os níveis negativos de endividamento e os impactos que poderão ser sentidos no comércio e em outros setores. “Os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, destaca.
Desenrola 2.0 é prorrogado
Com início em 5 de maio, a segunda edição do programa Desenrola teria previsão para acabar em 3 de agosto. No entanto, teve seu fim prorrogado para até o fim do mês, por meio de decisão publicada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
De acordo com o ministro, mais de 9 milhões de famílias já foram beneficiadas pelo programa, sendo que, entre elas, 2,5 milhões pagaram os acordos negociados à vista, recuperando o acesso ao crédito.
Além disso, 1,6 milhão de participantes estão pagando as novas parcelas do programa e outros 5 milhões deixaram de se tornar inadimplentes após a retirada de dívidas de pequeno valor. Durigan disse que a previsão é que o Desenrola alcance a marca de 10 milhões de beneficiários.
Endividamento cresce e atinge 82% das famílias, diz CNCPesquisa da CNC mostrou que o Desenrola 2.0 tem sido pouco eficaz para frear as dívidas das famílias
Economia2026-08-06T18:54:41.592ZApesar da prorrogação do Desenrola 2.0 para o fim de agosto, o endividamento no Brasil continua aumentando, e, em julho, atingiu 82% das famílias em julho. A taxa é a maior da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O resultado representa um avanço de 0,4 p.p, em relação à junho, quando eram 81,6% das famílias endividadas. Já na comparação com julho de 2025, quando eram 78,5% dos entrevistados, o indicador aumentou em 3,5 p.p. Por contrapartida, a parcela de famílias inadimplentes se estabilizou no último mês, com crescimento marginal de 29,9%, em junho, para 29,8%, em julho. O nível também está estável em relação a julho do ano anterior, que teve uma taxa de 30%. A CNC aponta que a inadimplência teve uma leve queda, entre junho e julho, atribuída ao recuo nas camadas sociais com ganhos acima de três salários mínimos. No entanto, as famílias de menor renda, que recebem até três salários, tiveram um avanço de 38,3% para 38,5% no mesmo período. Também atingiram uma taxa de endividamento de 84,9% em julho, 2 p.p a mais do que o valor de junho, de 84,7%, e 3,7 p.p a mais do que o valor de julho de 2025, de 81,2%. As famílias de menor renda também lideraram, de forma isolada, o crescimento dos consumidores que declararam não ter condições de pagar suas dívidas. O indicador da população foi de 17,6% para 17,8% nos últimos dois meses. Já no recorte completo, foram 12,3% dos entrevistados que declararam insolvência financeira. Além disso, a pesquisa revela um aumento na parcela de consumidores com alto comprometimento financeiro, ou seja, que empregam mais da metade de seus ganhos mensais para o pagamento de dívidas. Em julho, eram 19% das famílias, o maior nível desde março. De acordo com o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o setor tem observado sinais positivos de resiliência dos consumidores, com um crescimento na renda e emprego, além da quitação de dívidas com o Desenrola. No entanto, alerta para os níveis negativos de endividamento e os impactos que poderão ser sentidos no comércio e em outros setores. “Os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo”, destaca. Desenrola 2.0 é prorrogado Com início em 5 de maio, a segunda edição do programa Desenrola teria previsão para acabar em 3 de agosto. No entanto, teve seu fim prorrogado para até o fim do mês, por meio de decisão publicada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. De acordo com o ministro, mais de 9 milhões de famílias já foram beneficiadas pelo programa, sendo que, entre elas, 2,5 milhões pagaram os acordos negociados à vista, recuperando o acesso ao crédito. Além disso, 1,6 milhão de participantes estão pagando as novas parcelas do programa e outros 5 milhões deixaram de se tornar inadimplentes após a retirada de dívidas de pequeno valor. Durigan disse que a previsão é que o Desenrola alcance a marca de 10 milhões de beneficiários. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/endividamento-cresce-e-atinge-82-das-familias-diz-cnc
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