Superávit comercial sobe 1% e soma US$ 7,1 bi em julho
Exportações avançam 6,2%, puxadas pela alta dos preços; vendas aos Estados Unidos recuam 5% no mês
Caio Barcellos
Superávit comercial sobe 1% e soma US$ 7,1 bi em julho | Reprodução
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,07 bilhões em julho de 2026, alta de 1% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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As exportações somaram US$ 34,12 bilhões, crescimento de 6,2% na comparação anual. As importações aumentaram 7,6% e chegaram a US$ 27,05 bilhões. A corrente de comércio (soma das vendas e compras externas) avançou 6,8%, para US$ 61,17 bilhões.
O aumento dos valores negociados foi sustentado principalmente pelos preços. O volume de produtos exportados caiu 4,3%, enquanto os preços médios subiram 10,8%. Nas importações, a quantidade comprada recuou 3,2%, mas os preços cresceram 12,1%.
A agropecuária vendeu US$ 7,82 bilhões, alta de 9,3%, enquanto a indústria extrativa avançou 10,8%, para US$ 8,23 bilhões.
A indústria de transformação -que converte matérias-primas em produtos como veículos, máquinas, alimentos e roupas- cresceu 2,4% e somou US$ 17,83 bilhões, mais da metade das exportações.
Na indústria extrativa, o aumento foi determinado pela valorização dos produtos, já que os preços subiram 22,8%, apesar da queda de 10% no volume embarcado. Na indústria de transformação, a quantidade exportada diminuiu 5,6%, mas os preços avançaram 8,6%. A agropecuária foi o único dos 3 setores a registrar crescimento simultâneo de volume e preços.
O petróleo bruto deu a maior contribuição em valores absolutos para o crescimento das exportações. As vendas aumentaram 23,8%, com acréscimo de US$ 960 milhões.
A soja avançou 17,4%, adicionando US$ 870 milhões, enquanto os óleos combustíveis cresceram 63%, com aumento de US$ 530 milhões.
A carne bovina destoou do avanço de outros alimentos no mês. Os embarques de carne fresca, refrigerada ou congelada recuaram 5,8%, de US$ 1,54 bilhão em julho de 2025 para US$ 1,45 bilhão em julho de 2026. No acumulado do ano, contudo, as exportações cresceram 30,1% e alcançaram US$ 10,53 bilhões.
Também houve crescimento nas exportações de celulose, ouro e carne de aves. Em sentido contrário, recuaram as vendas de café não torrado, minério de ferro, açúcares e melaços, automóveis de passageiros e aeronaves.
As vendas brasileiras para os Estados Unidos recuaram 5% em julho e somaram US$ 3,64 bilhões. Já as importações de produtos norte-americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,28 bilhões, resultando em um déficit de US$ 640 milhões no comércio bilateral para o Brasil.
A queda ocorreu em meio ao aumento das barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano, mas os dados do mês ainda captam apenas parte dos efeitos da nova rodada de tarifas. A sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de julho e não alcançou mercadorias que já estavam em trânsito e chegaram aos EUA até o dia 29.
Além disso, o recuo já vinha sendo registrado antes das novas medidas. No primeiro semestre, as exportações brasileiras aos EUA caíram 13%, puxadas principalmente pela redução das vendas de petróleo bruto e de produtos de ferro e aço.
“Não é possível atribuir todo o movimento de julho à medida tarifária. O que normalmente ocorre é uma antecipação [das exportações]. Se tivéssemos observado crescimento das exportações, poderíamos atribuí-lo a uma espécie de antecipação. Mas como o comércio está muito afetado pelas tarifas e pela instabilidade, é difícil fazer essa avaliação”, disse Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC.
A China seguiu na direção oposta e reforçou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 8,6% em julho, para US$ 10,67 bilhões, enquanto as importações avançaram 7,8%, para US$ 6,42 bilhões. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 4,26 bilhões no comércio bilateral.
A pauta brasileira destinada ao mercado chinês permanece concentrada em produtos como soja, petróleo, minério de ferro e carnes. No 1º semestre, apenas soja, minério e petróleo responderam por 76,5% das vendas ao país asiático.
No sentido contrário, o Brasil compra principalmente produtos industrializados e de maior valor agregado, como máquinas, equipamentos eletrônicos e veículos eletrificados.
A indústria de transformação respondeu por US$ 25,09 bilhões das importações de julho, alta de 6,9%. O setor respondeu por cerca de 93% das compras externas
As importações da indústria extrativa tiveram a maior alta proporcional (31,4%) e chegaram a US$ 1,32 bilhão. Já as aquisições de produtos agropecuários recuaram 4,1%, para US$ 480 milhões.
Entre os produtos da indústria extrativa, as compras de petróleo bruto cresceram 36,3%, enquanto as de gás natural avançaram 26,6%. A importação de outros minérios e concentrados de metais básicos quase dobrou, com alta de 97,5%.
Na indústria de transformação, houve aumento de 31,4% nas compras de óleos combustíveis e de 44,1% nas de medicamentos e produtos farmacêuticos. As importações de máquinas de processamento de dados, categoria que inclui computadores e equipamentos para registro e leitura de informações, cresceram 216,7%.
O resultado foi parcialmente compensado pela queda de 76,9% nas importações de motores e máquinas não elétricas e de 88% nas compras de plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes. Também recuaram as aquisições de defensivos agrícolas, em 12,2%, e de fertilizantes brutos, em 24,6%.
De janeiro a julho, as exportações brasileiras somaram US$ 218,55 bilhões, alta de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. As importações cresceram em ritmo menor, de 5,5%, e totalizaram US$ 169,51 bilhões.
O superávit acumulado chegou a US$ 49,04 bilhões, expansão de 31,9%. A corrente de comércio cresceu 8,2% e atingiu US$ 388,06 bilhões.
Superávit comercial sobe 1% e soma US$ 7,1 bi em julhoExportações avançam 6,2%, puxadas pela alta dos preços; vendas aos Estados Unidos recuam 5% no mêsEconomia2026-08-06T18:15:47.332ZA balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,07 bilhões em julho de 2026, alta de 1% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 34,12 bilhões, crescimento de 6,2% na comparação anual. As importações aumentaram 7,6% e chegaram a US$ 27,05 bilhões. A corrente de comércio (soma das vendas e compras externas) avançou 6,8%, para US$ 61,17 bilhões. O aumento dos valores negociados foi sustentado principalmente pelos preços. O volume de produtos exportados caiu 4,3%, enquanto os preços médios subiram 10,8%. Nas importações, a quantidade comprada recuou 3,2%, mas os preços cresceram 12,1%. Petróleo e soja impulsionam exportações A agropecuária vendeu US$ 7,82 bilhões, alta de 9,3%, enquanto a indústria extrativa avançou 10,8%, para US$ 8,23 bilhões. A indústria de transformação -que converte matérias-primas em produtos como veículos, máquinas, alimentos e roupas- cresceu 2,4% e somou US$ 17,83 bilhões, mais da metade das exportações. Na indústria extrativa, o aumento foi determinado pela valorização dos produtos, já que os preços subiram 22,8%, apesar da queda de 10% no volume embarcado. Na indústria de transformação, a quantidade exportada diminuiu 5,6%, mas os preços avançaram 8,6%. A agropecuária foi o único dos 3 setores a registrar crescimento simultâneo de volume e preços. O petróleo bruto deu a maior contribuição em valores absolutos para o crescimento das exportações. As vendas aumentaram 23,8%, com acréscimo de US$ 960 milhões. A soja avançou 17,4%, adicionando US$ 870 milhões, enquanto os óleos combustíveis cresceram 63%, com aumento de US$ 530 milhões. A carne bovina destoou do avanço de outros alimentos no mês. Os embarques de carne fresca, refrigerada ou congelada recuaram 5,8%, de US$ 1,54 bilhão em julho de 2025 para US$ 1,45 bilhão em julho de 2026. No acumulado do ano, contudo, as exportações cresceram 30,1% e alcançaram US$ 10,53 bilhões. Também houve crescimento nas exportações de celulose, ouro e carne de aves. Em sentido contrário, recuaram as vendas de café não torrado, minério de ferro, açúcares e melaços, automóveis de passageiros e aeronaves. + Exportações aos EUA caem 5% As vendas brasileiras para os Estados Unidos recuaram 5% em julho e somaram US$ 3,64 bilhões. Já as importações de produtos norte-americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,28 bilhões, resultando em um déficit de US$ 640 milhões no comércio bilateral para o Brasil. A queda ocorreu em meio ao aumento das barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano, mas os dados do mês ainda captam apenas parte dos efeitos da nova rodada de tarifas. A sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de julho e não alcançou mercadorias que já estavam em trânsito e chegaram aos EUA até o dia 29. Além disso, o recuo já vinha sendo registrado antes das novas medidas. No primeiro semestre, as exportações brasileiras aos EUA caíram 13%, puxadas principalmente pela redução das vendas de petróleo bruto e de produtos de ferro e aço. “Não é possível atribuir todo o movimento de julho à medida tarifária. O que normalmente ocorre é uma antecipação [das exportações]. Se tivéssemos observado crescimento das exportações, poderíamos atribuí-lo a uma espécie de antecipação. Mas como o comércio está muito afetado pelas tarifas e pela instabilidade, é difícil fazer essa avaliação”, disse Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC. A China seguiu na direção oposta e reforçou sua posição como principal parceiro comercial do Brasil. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 8,6% em julho, para US$ 10,67 bilhões, enquanto as importações avançaram 7,8%, para US$ 6,42 bilhões. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 4,26 bilhões no comércio bilateral. A pauta brasileira destinada ao mercado chinês permanece concentrada em produtos como soja, petróleo, minério de ferro e carnes. No 1º semestre, apenas soja, minério e petróleo responderam por 76,5% das vendas ao país asiático. No sentido contrário, o Brasil compra principalmente produtos industrializados e de maior valor agregado, como máquinas, equipamentos eletrônicos e veículos eletrificados. Importações crescem 7,6% A indústria de transformação respondeu por US$ 25,09 bilhões das importações de julho, alta de 6,9%. O setor respondeu por cerca de 93% das compras externas As importações da indústria extrativa tiveram a maior alta proporcional (31,4%) e chegaram a US$ 1,32 bilhão. Já as aquisições de produtos agropecuários recuaram 4,1%, para US$ 480 milhões. Entre os produtos da indústria extrativa, as compras de petróleo bruto cresceram 36,3%, enquanto as de gás natural avançaram 26,6%. A importação de outros minérios e concentrados de metais básicos quase dobrou, com alta de 97,5%. Na indústria de transformação, houve aumento de 31,4% nas compras de óleos combustíveis e de 44,1% nas de medicamentos e produtos farmacêuticos. As importações de máquinas de processamento de dados, categoria que inclui computadores e equipamentos para registro e leitura de informações, cresceram 216,7%. O resultado foi parcialmente compensado pela queda de 76,9% nas importações de motores e máquinas não elétricas e de 88% nas compras de plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes. Também recuaram as aquisições de defensivos agrícolas, em 12,2%, e de fertilizantes brutos, em 24,6%. Saldo cresce 31,9% no ano De janeiro a julho, as exportações brasileiras somaram US$ 218,55 bilhões, alta de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. As importações cresceram em ritmo menor, de 5,5%, e totalizaram US$ 169,51 bilhões. O superávit acumulado chegou a US$ 49,04 bilhões, expansão de 31,9%. A corrente de comércio cresceu 8,2% e atingiu US$ 388,06 bilhões. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/superavit-comercial-sobe-1-e-soma-us-7-1-bi-em-julho
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