Durigan: dívida vem dos juros, não dos gastos públicos
Ministro da Fazenda admitiu preocupação da equipe econômica com a dívida pública, mas negou que o governo tenha gastado mais do que arrecada
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Ighor Nóbrega
O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Washington Costa/MF
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (6) que o patamar atual da dívida pública se deve aos altos juros e não aos gastos do governo. Ele declarou que o objetivo da equipe econômica é reduzir a taxa básica para estabilizar a trajetória do endividamento.
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“O governo não está gastando mais do que arrecada. A dívida pública tem que rolar, o governo paga a antiga e emite título novo para pagar a dívida antiga. É nessa gestão da dívida que estamos falando do aumento do endividamento. Não é no que o governo está gastando durante o ano”, declarou o ministro em entrevista à GloboNews.
Durigan lembrou que o governo bloqueou R$ 17,9 bilhões no orçamento no primeiro semestre como um sinal de contenção em ano eleitoral. Disse ainda que o foco do governo para o futuro é controlar a política fiscal.
Segundo o chefe da equipe econômica, o orçamento do governo é equilibrado e o mercado vê com bons olhos a estratégia do Executivo federal para reduzir os juros e assim discutir reduzir a rolagem da dívida. Ele prometeu manter esse esforço no caso de reeleição de Lula (PT) por mais quatro anos.
Apesar do discurso otimista, Durigan admitiu que a escala da dívida preocupa. O economista falou da dificuldade do ponto de vista democrático e de gestão de endereçar esse combate, mas também atribuiu o cenário atual à guerra no Oriente Médio e à pressão no mercado de petróleo, que têm afetado o mundo inteiro.
“Há sim uma preocupação minha com o tamanho da nossa dívida. Ela já foi maior no passado, houve redução, e nós precisamos trabalhar para reduzir a taxa de juros com esforço fiscal para diminuir o endividamento do país ou pelo menos projetar a médio e longo prazo uma situação mais estável para o nosso país”, afirmou.
Durigan comparou a situação atual com a encontrada pelo governo Lula após a vitória nas eleições de 2022. Segundo o ministro, o presidente herdou um déficit de 2% do PIB e um “câmbio estourado”, com o dólar próximo dos R$ 5,30. Ele declarou que o atual governo zerou esse déficit e reduziu a cotação da moeda norte-americana para cerca de R$ 5,10.
Vencida essa recuperação, o ministro atribui o maior desafio agora ao grau de incerteza global destacada por agentes mercado. “Acho que dentro de alguns momentos de instabilidade, se tem uma coisa que temos certeza hoje é que vamos passar por um mundo de muita incerteza”, completou.
Para encerrar, Durigan negou que o déficit das estatais seja um problema. Ele creditou o rombo de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre à situação dos Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025.
“As estatais não têm problema generalizado. O resultado dos Correios impactou muito no geral. [...] É uma estatal apenas, as outras não têm resultado ruim como se quer fazer valer”, finalizou.
Durigan: dívida vem dos juros, não dos gastos públicosMinistro da Fazenda admitiu preocupação da equipe econômica com a dívida pública, mas negou que o governo tenha gastado mais do que arrecadaEconomia2026-08-06T14:54:50.116ZO ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (6) que o patamar atual da dívida pública se deve aos altos juros e não aos gastos do governo. Ele declarou que o objetivo da equipe econômica é reduzir a taxa básica para estabilizar a trajetória do endividamento. “O governo não está gastando mais do que arrecada. A dívida pública tem que rolar, o governo paga a antiga e emite título novo para pagar a dívida antiga. É nessa gestão da dívida que estamos falando do aumento do endividamento. Não é no que o governo está gastando durante o ano”, declarou o ministro em entrevista à GloboNews. Durigan lembrou que o governo no primeiro semestre como um sinal de contenção em ano eleitoral. Disse ainda que o foco do governo para o futuro é controlar a política fiscal. Segundo o chefe da equipe econômica, o orçamento do governo é equilibrado e o mercado vê com bons olhos a estratégia do Executivo federal para reduzir os juros e assim discutir reduzir a rolagem da dívida. Ele prometeu manter esse esforço no caso de reeleição de Lula (PT) por mais quatro anos. Apesar do discurso otimista, Durigan admitiu que a escala da dívida preocupa. O economista falou da dificuldade do ponto de vista democrático e de gestão de endereçar esse combate, mas também atribuiu o cenário atual à guerra no Oriente Médio e à pressão no mercado de petróleo, que têm afetado o mundo inteiro. “Há sim uma preocupação minha com o tamanho da nossa dívida. Ela já foi maior no passado, houve redução, e nós precisamos trabalhar para reduzir a taxa de juros com esforço fiscal para diminuir o endividamento do país ou pelo menos projetar a médio e longo prazo uma situação mais estável para o nosso país”, afirmou. Durigan comparou a situação atual com a encontrada pelo governo Lula após a vitória nas eleições de 2022. Segundo o ministro, o presidente herdou um déficit de 2% do PIB e um “câmbio estourado”, com o dólar próximo dos R$ 5,30. Ele declarou que o atual governo zerou esse déficit e reduziu a cotação da moeda norte-americana para cerca de R$ 5,10. Vencida essa recuperação, o ministro atribui o maior desafio agora ao grau de incerteza global destacada por agentes mercado. “Acho que dentro de alguns momentos de instabilidade, se tem uma coisa que temos certeza hoje é que vamos passar por um mundo de muita incerteza”, completou. Para encerrar, Durigan negou que o déficit das estatais seja um problema. Ele creditou o à situação dos Correios, que registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. “As estatais não têm problema generalizado. O resultado dos Correios impactou muito no geral. [...] É uma estatal apenas, as outras não têm resultado ruim como se quer fazer valer”, finalizou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/durigan-divida-vem-dos-juros-nao-dos-gastos-publicos