Economia

Apesar de corte na Selic, Fiesp critica juros altos

Mesmo com redução da taxa básica para 14% ao ano, entidade afirma que custo do crédito segue elevado, trava investimentos e agrava o endividamento das famílias

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André Barbeiro
Fiesp critica alto patamar dos juros, apesar de corte na Selic

Fiesp critica alto patamar dos juros, apesar de corte na Selic

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que a redução da taxa Selic anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira (5) ainda é insuficiente para aliviar os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira.

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Em nota, a entidade afirmou que, apesar de ser o quarto corte consecutivo da taxa básica, o atual patamar de 14% ao ano continua pressionando empresas, consumidores e as contas públicas.

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O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, em decisão que veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Desde o início do ciclo de flexibilização monetária, a taxa básica acumula queda de um ponto percentual, após permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.

Na avaliação da Fiesp, a Selic representa apenas o juro básico da economia e não reflete o custo efetivo do crédito. Segundo a entidade, as taxas cobradas de empresas superam 30% ao ano, enquanto, para pessoas físicas, passam de 60% ao ano.

Para a federação, esse cenário compromete o fluxo de caixa das empresas, reduz investimentos em inovação e modernização e amplia o ciclo de endividamento das famílias. A entidade também argumenta que a manutenção dos juros elevados por um longo período prejudica o crescimento econômico.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também atribuiu parte do cenário fiscal ao aumento dos gastos públicos. Segundo ele, "soma-se aos juros altos a gastança desmedida do governo". Skaf afirmou que a dívida pública já alcança 82% do Produto Interno Bruto (PIB) e supera R$ 10,8 trilhões.

De acordo com o presidente da entidade, por estar fortemente atrelada à Selic, a dívida gera encargos superiores a R$ 1 trilhão por ano aos cofres públicos, o que, segundo ele, sinaliza um quadro de "fadiga fiscal". "Sem resolver esta questão, o Brasil não volta a crescer de forma sustentada", declarou.

Mercado ainda espera nova redução

No início do ano, o mercado esperava que a taxa encerrasse 2026 em 12%, mas as projeções foram revisadas diante da persistência da inflação, do mercado de trabalho aquecido e das incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

Ao mesmo tempo, alguns indicadores recentes reforçaram a percepção de desaceleração da atividade econômica. A produção industrial caiu 1,8% em junho, enquanto a inflação corrente veio abaixo das expectativas. O IPCA avançou 0,16% em junho, e o IPCA-15 registrou alta de apenas 0,06% em julho.

Apesar desses resultados, as medidas de inflação subjacente — que refletem tendências mais persistentes, especialmente no setor de serviços — continuam pressionadas. Além disso, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seguem acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Próximas decisões do Copom

O Copom ainda realizará três reuniões neste ano, previstas para setembro, novembro e dezembro. Após o corte anunciado nesta quarta-feira, o mercado passa a acompanhar se o Banco Central fará uma nova redução da Selic na próxima reunião ou se optará por interromper temporariamente o ciclo para avaliar os efeitos acumulados da política monetária.

A decisão dependerá da evolução da inflação, do nível de atividade econômica, do mercado de trabalho, do comportamento do câmbio, da situação fiscal e do cenário internacional, marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos preços das commodities.

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