Economia

Apesar de corte na Selic, Fiesp critica juros altos

Mesmo com redução da taxa básica para 14% ao ano, entidade afirma que custo do crédito segue elevado, trava investimentos e agrava o endividamento das famílias

Avatar de André Barbeiro
André Barbeiro
Fiesp critica alto patamar dos juros, apesar de corte na Selic

Fiesp critica alto patamar dos juros, apesar de corte na Selic

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que a redução da taxa Selic anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta quarta-feira (5) ainda é insuficiente para aliviar os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

Em nota, a entidade afirmou que, apesar de ser o quarto corte consecutivo da taxa básica, o atual patamar de 14% ao ano continua pressionando empresas, consumidores e as contas públicas.

O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, em decisão que veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Desde o início do ciclo de flexibilização monetária, a taxa básica acumula queda de um ponto percentual, após permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.

Na avaliação da Fiesp, a Selic representa apenas o juro básico da economia e não reflete o custo efetivo do crédito. Segundo a entidade, as taxas cobradas de empresas superam 30% ao ano, enquanto, para pessoas físicas, passam de 60% ao ano.

Para a federação, esse cenário compromete o fluxo de caixa das empresas, reduz investimentos em inovação e modernização e amplia o ciclo de endividamento das famílias. A entidade também argumenta que a manutenção dos juros elevados por um longo período prejudica o crescimento econômico.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também atribuiu parte do cenário fiscal ao aumento dos gastos públicos. Segundo ele, "soma-se aos juros altos a gastança desmedida do governo". Skaf afirmou que a dívida pública já alcança 82% do Produto Interno Bruto (PIB) e supera R$ 10,8 trilhões.

De acordo com o presidente da entidade, por estar fortemente atrelada à Selic, a dívida gera encargos superiores a R$ 1 trilhão por ano aos cofres públicos, o que, segundo ele, sinaliza um quadro de "fadiga fiscal". "Sem resolver esta questão, o Brasil não volta a crescer de forma sustentada", declarou.

Mercado ainda espera nova redução

No início do ano, o mercado esperava que a taxa encerrasse 2026 em 12%, mas as projeções foram revisadas diante da persistência da inflação, do mercado de trabalho aquecido e das incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

Ao mesmo tempo, alguns indicadores recentes reforçaram a percepção de desaceleração da atividade econômica. A produção industrial caiu 1,8% em junho, enquanto a inflação corrente veio abaixo das expectativas. O IPCA avançou 0,16% em junho, e o IPCA-15 registrou alta de apenas 0,06% em julho.

Apesar desses resultados, as medidas de inflação subjacente — que refletem tendências mais persistentes, especialmente no setor de serviços — continuam pressionadas. Além disso, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seguem acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Próximas decisões do Copom

O Copom ainda realizará três reuniões neste ano, previstas para setembro, novembro e dezembro. Após o corte anunciado nesta quarta-feira, o mercado passa a acompanhar se o Banco Central fará uma nova redução da Selic na próxima reunião ou se optará por interromper temporariamente o ciclo para avaliar os efeitos acumulados da política monetária.

A decisão dependerá da evolução da inflação, do nível de atividade econômica, do mercado de trabalho, do comportamento do câmbio, da situação fiscal e do cenário internacional, marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos preços das commodities.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: São Paulo vence o Bolívar e avança na Sul-Americana

São Paulo vence o Bolívar e avança na Sul-Americana

Imagem da notícia: Ataques israelenses atingem base aérea na Síria

Ataques israelenses atingem base aérea na Síria

Imagem da notícia: Ao SBT, Cury não responde se houve tentativa de golpe no 8/1

Ao SBT, Cury não responde se houve tentativa de golpe no 8/1

Imagem da notícia: Mortos em queda de passarela na Fernão Dias eram mãe e filho

Mortos em queda de passarela na Fernão Dias eram mãe e filho

Imagem da notícia: São Paulo vence o Bolívar e avança na Sul-Americana

São Paulo vence o Bolívar e avança na Sul-Americana

Imagem da notícia: Ataques israelenses atingem base aérea na Síria

Ataques israelenses atingem base aérea na Síria

Imagem da notícia: Ao SBT, Cury não responde se houve tentativa de golpe no 8/1

Ao SBT, Cury não responde se houve tentativa de golpe no 8/1

Imagem da notícia: Mortos em queda de passarela na Fernão Dias eram mãe e filho

Mortos em queda de passarela na Fernão Dias eram mãe e filho

Últimas notícias

Sabatina SBT: Cury quer semipresidencialismo e reformar STF

Candidato do Avante defendeu mandato de oito anos para ministros do STF, pacto nacional com o Centrão e mudanças no Bolsa Família

Ao SBT, Cury defende uso da Petrobras para financiar MEIs

Escritor e candidato a presidente pelo Avante também sugeriu dividir BNDES em dois para focar apenas em microempreendedores

Ao SBT, Cury defende mandato de 8 anos para o STF

Candidato do Avante propôs mandato de oito anos para ministros e afirmou que o Supremo tem exercido funções legislativas

Ao SBT, Cury propõe que país se torne semipresidencialista

Escritor e candidato a presidente disse que a mudança seria uma forma de responsabilizar congressistas e alinhar atuação do Legislativo e do Executivo

Cury ao SBT: Bolsa Família perpetua os pobres na pobreza

Candidato do Avante afirmou que o benefício é importante, mas deve ser associado ao emprego formal e ao empreendedorismo

Cury ao SBT: Centrão é importante e equilibra as coisas

Candidato do Avante afirmou que pretende formar um pacto nacional e negociar com o grupo político sem permitir que ele controle o governo