PT mira evangélicos de Cury para ampliar voto de Lula
Campanha avalia que candidato atraiu fiéis de igrejas tradicionais e vê espaço para Lula avançar também entre pentecostais

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e escritor Augusto Cury (Avante). | Ricardo Stuckert / PR -- SBT
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mirar no segundo turno os eleitores evangélicos que votaram em Augusto Cury (Avante) e prepara uma estratégia específica para tentar ampliar a votação do petista entre os fiéis.
Integrantes da campanha ouvidos pela coluna avaliam que Cury conseguiu atrair no primeiro turno uma parcela de evangélicos ligados principalmente a igrejas consideradas tradicionais, como Batista, Metodista, Presbiteriana, Adventista e Luterana.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui.
A avaliação interna é que esse eleitorado representa uma oportunidade para Lula no segundo turno por ter rejeitado tanto o petista quanto Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da disputa.
O PT também vê espaço para avançar entre os pentecostais, segmento no qual a resistência ao presidente é considerada maior.
Segundo integrantes da campanha, levantamentos internos apontam que Lula recebeu cerca de 28% dos votos desse grupo no primeiro turno. A meta traçada para a reta final é alcançar pelo menos 30%.
O avanço de dois pontos percentuais é considerado importante pela campanha diante de uma disputa apertada com Flávio e do peso dos evangélicos no eleitorado brasileiro.
Pesquisas realizadas antes do primeiro turno já mostravam a dificuldade de Lula nesse segmento. Na última pesquisa Datafolha antes da votação, Flávio tinha 52% entre os evangélicos, enquanto Lula registrava 26%.
Campanha quer diálogo “sem se aproveitar do púlpito”
A estratégia faz parte de uma mudança mais ampla planejada pelo PT para o segundo turno. A campanha pretende regionalizar e setorizar a busca por votos, criando ações específicas de acordo com o perfil dos eleitores que pretende conquistar.
O eleitorado evangélico será um desses setores. A orientação, porém, é evitar transformar igrejas em espaços de campanha.
“Sem se aproveitar do púlpito”, resumiu à coluna um integrante da campanha envolvido nas discussões.
A ideia é promover encontros com evangélicos fora dos templos e intensificar a comunicação direcionada a esse público nas redes sociais.
A estratégia mantém uma orientação adotada pelo PT ainda no primeiro turno, quando a campanha já havia decidido ampliar a interlocução com evangélicos, mas evitar uma entrada forçada nos templos religiosos.
O partido também produziu durante a campanha materiais específicos para esse público, numa tentativa de reduzir a resistência histórica enfrentada por Lula entre parte das lideranças evangélicas.
Votos de Cury entram no radar
A atenção dedicada aos eleitores de Augusto Cury não ocorre por acaso.
Durante o primeiro turno, o escritor encontrou espaço entre eleitores cristãos que buscavam uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Levantamento BTG/Nexus divulgado em setembro chegou a mostrar Cury com 10% das intenções de voto entre evangélicos, atrás de Flávio, com 45%, e Lula, com 27%.
O desempenho de Cury entre esse público também foi associado a eleitores conservadores que não queriam votar em Flávio. Análises feitas durante a campanha apontaram crescimento principalmente entre mulheres evangélicas resistentes às duas principais candidaturas.
Cury também buscou interlocução direta com lideranças religiosas durante a campanha. Em setembro, reuniu-se com integrantes da Assembleia de Deus em São Paulo e afirmou ter uma relação de décadas com o público evangélico. Na ocasião, falou sobre família, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Para integrantes da campanha de Lula, o fato de parte desses eleitores ter optado por Cury no primeiro turno indica que o voto evangélico não está automaticamente consolidado em torno de Flávio Bolsonaro.
É nesse espaço que o PT pretende atuar. A avaliação é que, numa disputa decidida voto a voto, não é necessário vencer entre os evangélicos. A prioridade é diminuir a diferença para Flávio.
Por isso, a campanha trabalha com metas específicas dentro de diferentes denominações e pretende adaptar a comunicação a cada segmento, em uma estratégia que combina atuação territorial, encontros com grupos religiosos e mobilização nas redes sociais.
A aposta é que conquistar uma parcela dos evangélicos que escolheram Cury e avançar alguns pontos entre os pentecostais pode ser suficiente para reduzir uma das principais vantagens eleitorais de Flávio no segundo turno.
























