PT faz recall da campanha e Lula avalia mudanças no 2º turno
Campanha revê equipe, participação em debates e tom adotado
Murilo Fagundes
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Adriano Machado/Reuters - 01.10.2026
Integrantes da campanha do presidente Lula (PT) avaliam que o resultado do primeiro turno exige um “recall” imediato da estratégia adotada até aqui.
Ainda nesta segunda-feira (5), às 17h, Lula reúne, em um hotel em Brasília, candidatos e integrantes do conselho político da campanha para discutir as mudanças para o segundo turno.
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Aliados ouvidos pelo SBT News descrevem o presidente como sereno e confiante. Há, porém, o reconhecimento de que será preciso ter humildade para compreender o resultado das urnas e corrigir a rota.
Um dos principais pontos em discussão é a comunicação. Uma ala da campanha defende que o PT fale mais a língua do povo e reduza o espaço dedicado a assuntos considerados complexos ou distantes do cotidiano.
Entre os exemplos citados, estão minerais críticos e discussões mais acadêmicas sobre soberania.
A avaliação é de que uma linguagem mais acessível e de enfrentamento direto contra Flávio Bolsonaro, do PL, pode ajudar na busca por eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou anularam o voto.
A montagem da equipe também deve passar por ajustes. A campanha pretende incorporar experiências de estados onde o PT e seus aliados tiveram desempenho considerado positivo, como Ceará e Piauí.
No Piauí, Rafael Fonteles foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, o maior percentual entre os governadores eleitos nesta etapa. No Ceará, Elmano de Freitas também garantiu a reeleição no primeiro turno, com 53,19%, em uma disputa apertada contra Ciro Gomes, que teve 46,22%.
Nos bastidores, há divergências sobre a condução da estratégia, principalmente entre o presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência.
As diferenças passam principalmente pelo tom da comunicação e pela forma de ampliar o eleitorado de Lula.
Outro ponto que entrou na análise foi a decisão de Lula de defender a proibição das bets na reta final.
Integrantes da campanha reconhecem que o tema pode ter atrapalhado eleitoralmente em vez de ajudar e avaliam que foi um ponto fora da curva.
Segundo aliados, Lula tinha consciência do risco, mas decidiu bancar a posição depois de se dizer impactado por relatos de pessoas que perderam dinheiro e se endividaram com apostas.
O entendimento é que não faria sentido evitar o tema durante a eleição para depois não conseguir enfrentá-lo no governo.
Uma mudança já é considerada certa: Lula quer participar dos debates do segundo turno. A disposição é comparecer a todos os confrontos possíveis com Flávio Bolsonaro.
O presidente acredita que o enfrentamento direto pode ajudá-lo a virar o jogo. A campanha também avalia que a direita tradicional saiu derrotada em diferentes disputas, enquanto a extrema-direita mostrou força.
O resultado da campanha à reeleição ficou abaixo do esperado. As últimas pesquisas internas já captavam o crescimento do candidato do PL, mas mostravam Lula cerca de três pontos percentuais à frente de Flávio. Na reta final, Augusto Cury (Avante) marcava cerca de 5 pontos.
A leitura inicial é de que houve uma concentração de voto útil em Flávio maior do que a prevista, com a desidratação da terceira via.
Uma disputa apertada estava no radar, mas terminar o primeiro turno atrás não era o cenário esperado.
Nas urnas, a diferença se inverteu: Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, vantagem de 1,87 ponto percentual para o candidato do PL.
Agora, o PT procura nas abstenções e nos votos brancos e nulos espaço para crescer. A ordem é identificar onde Lula perdeu votos e redesenhar a campanha para as próximas três semanas, inclusive com possíveis reacomodações na linha de frente da equipe.
PT faz recall da campanha e Lula avalia mudanças no 2º turnoCampanha revê equipe, participação em debates e tom adotadoPolítica2026-10-05T14:24:18.276ZIntegrantes da campanha do presidente Lula (PT) avaliam que o resultado do primeiro turno exige um “recall” imediato da estratégia adotada até aqui. Ainda nesta segunda-feira (5), às 17h, Lula reúne, em um hotel em Brasília, candidatos e integrantes do conselho político da campanha para discutir as mudanças para o segundo turno. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Aliados ouvidos pelo SBT News descrevem o presidente como sereno e confiante. Há, porém, o reconhecimento de que será preciso ter humildade para compreender o resultado das urnas e corrigir a rota. + Um dos principais pontos em discussão é a comunicação. Uma ala da campanha defende que o PT fale mais a língua do povo e reduza o espaço dedicado a assuntos considerados complexos ou distantes do cotidiano. Entre os exemplos citados, estão minerais críticos e discussões mais acadêmicas sobre soberania. A avaliação é de que uma linguagem mais acessível e de enfrentamento direto contra Flávio Bolsonaro, do PL, pode ajudar na busca por eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou anularam o voto. A montagem da equipe também deve passar por ajustes. A campanha pretende incorporar experiências de estados onde o PT e seus aliados tiveram desempenho considerado positivo, como Ceará e Piauí. No Piauí, Rafael Fonteles foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, o maior percentual entre os governadores eleitos nesta etapa. No Ceará, Elmano de Freitas também garantiu a reeleição no primeiro turno, com 53,19%, em uma disputa apertada contra Ciro Gomes, que teve 46,22%. Nos bastidores, há divergências sobre a condução da estratégia, principalmente entre o presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência. As diferenças passam principalmente pelo tom da comunicação e pela forma de ampliar o eleitorado de Lula. Outro ponto que entrou na análise foi a decisão de Lula de defender a proibição das bets na reta final. + Integrantes da campanha reconhecem que o tema pode ter atrapalhado eleitoralmente em vez de ajudar e avaliam que foi um ponto fora da curva. Segundo aliados, Lula tinha consciência do risco, mas decidiu bancar a posição depois de se dizer impactado por relatos de pessoas que perderam dinheiro e se endividaram com apostas. O entendimento é que não faria sentido evitar o tema durante a eleição para depois não conseguir enfrentá-lo no governo. Uma mudança já é considerada certa: Lula quer participar dos debates do segundo turno. A disposição é comparecer a todos os confrontos possíveis com Flávio Bolsonaro. O presidente acredita que o enfrentamento direto pode ajudá-lo a virar o jogo. A campanha também avalia que a direita tradicional saiu derrotada em diferentes disputas, enquanto a extrema-direita mostrou força. O resultado da campanha à reeleição ficou abaixo do esperado. As últimas pesquisas internas já captavam o crescimento do candidato do PL, mas mostravam Lula cerca de três pontos percentuais à frente de Flávio. Na reta final, Augusto Cury (Avante) marcava cerca de 5 pontos. A leitura inicial é de que houve uma concentração de voto útil em Flávio maior do que a prevista, com a desidratação da terceira via. Uma disputa apertada estava no radar, mas terminar o primeiro turno atrás não era o cenário esperado. + Nas urnas, a diferença se inverteu: Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, vantagem de 1,87 ponto percentual para o candidato do PL. Agora, o PT procura nas abstenções e nos votos brancos e nulos espaço para crescer. A ordem é identificar onde Lula perdeu votos e redesenhar a campanha para as próximas três semanas, inclusive com possíveis reacomodações na linha de frente da equipe.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pt-faz-recall-da-campanha-e-lula-avalia-mudancas-no-2-turno
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