Eleições

Lula quer explorar medo de perder benefícios contra Flávio

Presidente cobrou campanha mais agressiva na pauta social, em estratégia semelhante à adotada pelo PT em 2014

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Eduardo Gayer
Lula em reunião com coordenação da campanha (05/10) | Imagem: reprodução

Lula em reunião com coordenação da campanha (05/10) | Imagem: reprodução

Em reunião a portas fechadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a aliados que a campanha precisa de um “chacoalhão” no segundo turno e abordar, de maneira mais agressiva, a pauta social. De acordo com dois auxiliares participantes do encontro, o candidato à reeleição determinou a abordagem, em peças publicitárias, que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia colocar em risco direitos e benefícios considerados consagrados pela população.

A ordem de Lula à sua equipe é reforçar, por exemplo, que o reajuste real do salário mínimo e das aposentadorias não é uma obrigação do governante e poderia deixar de existir caso o PT deixe o Palácio do Planalto. Embora não tenha abordado o assunto em seu plano de governo, Flávio assegurou, em entrevista ao SBT News em junho, que não vai mexer no reajuste do mínimo.

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A estratégia em curso lembra a adotada pela então presidente e candidata Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2014. Antes em terceiro lugar nas pesquisas, a petista conseguiu virar e ser reeleita com o discurso de que os rivais poderiam reverter benefícios sociais. Ficou famosa uma inserção na TV em que ela associou a eventual vitória de Marina Silva, hoje aliada ao petismo, ao esvaziamento gradual de um prato de comida.

Para aliados do presidente, parte da população vê o reajuste real do salário mínimo e das aposentadorias como algo estabelecido e não credita o tema ao PT. A campanha de Lula vai relembrar que o governo Bolsonaro não concedeu aumento acima da inflação no piso salarial durante os quatro anos de mandato.

A reunião desta segunda-feira (5) levou a campanha ao divã, e, daqui para frente, vários pontos serão modificados. O marqueteiro Otávio Antunes, que atuou na campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo e é conhecido pelo estilo mais incisivo, vai reforçar a estratégia de Lula daqui para frente.

Durante o encontro, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu que Lula faça mais vídeos e fotos em formato de “selfie” para se conectar com a população no terreno digital. Após conquistar um novo mandato com 70,9% dos votos, o maior porcentual do País, e emplacar as duas vagas ao Senado em disputa, Fonteles é visto como a principal renovação dentro do PT.

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