Setor calçadista se organiza para pedir isenção nos EUA
Principal destino das exportações do calçado brasileiro é justamente os Estados Unidos, que ameaçam aplicar um novo tarifaço contra os produtos brasileiros


Fachada da Casa Branca, em Washington D.C. | Foto: Kylie Cooper/Reuters - 24.10.2025
A gerente de Relacionamento de Negócios da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados ), Letícia Masselli, é uma das representantes brasileiras inscritas para falar na, próxima terça-feira (7), na audiência organizada pelo Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o novo tarifaço que está sendo avaliando contra produtos nacionais. A presença do setor calçadista na audiência não é à toa. O segmento indusrial pode ser um dos mais atingidos, caso a Casa Branca confirme as sanções relacionadas à investigação cobtra o Brasil, que tem como base a seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos.
Historicamente, os norte-americanos são os maiores compradores do calçado brasileiro, absorvendo mais de 20% de todo o valor gerado pelas vendas internacionais do setor. O foco principal desse mercado são os produtos de maior valor agregado, principalmente calçados de couro, por isso, o impacto seria grande com a redução do volume enviado para os Estados Unidos.
Números recentes já mostram uma retração no setor calçadista por causa da tarifa global de 10% imposta pelo governo Trump em 2025. Em maio, por exemplo, foram exportados 984,5 mil pares fabricados pela indústria brasileira, que geraram US$13,65 milhões, uma queda de 21,8% e 42,3%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado, as exportações para os Estados Unidos somaram 4,8 milhões de pares e US$ 68,16 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 25% em divisas em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
De acordo com a programação divulgada pelo USTR, a Abicaçaldos tentará demover os americanos de aplicar um tarifaço contra o Brasil no mesmo dia em que o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, também falará no USTR. Tanto Letícia quanto Flávio falarão no mesmo painel, o de número 8, que contará com participação ainda do embaixador Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi inscrito para representar a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Além do setor calçadista, representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); da Associação Brasileira da Indústria de Arroz, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), e da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também devem participar da audiência, que é focada em representantes do setor empresarial e da sociedade civil organizada. O governo brasileiro faz as tratativas com o USTR através dos diplomatas brasileiros, que tiveram, no último ano, reuniões e encaminharam documentos rebatendo a justificativa do governo Trump para impor as sanções econômicas.






















