Alvo dos EUA e PF era doleiro de bets e de influencers
Investigação da PF aponta que Victor Shimada usou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico de drogas; defesa diz que não teve acesso às decisões

Victor Henrique de Oliveira Shimada, principal alvo da operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (3) e considerado foragido, já era conhecido do Ministério Público de São Paulo por lavar dinheiro de bets e influencers pagos para fazer propaganda de jogos ilegais.
Os agentes federais cumpriram mandados de prisão temporária na capital paulista depois que Shimada foi citado em um processo na Justiça norte-americana por um de seis acusados de envolvimento com a rede de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que foram presos em janeiro deste ano pelo FBI, no estado da Flórida.
Shimada não foi encontrado pela PF nesta sexta-feira (3). Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelo governo dos EUA como parente e cúmplice de Shimada, foi presa.
O promotor Lincoln Gakiya afirma ao SBT News que as investigações do Ministério Público de São Paulo nunca apontaram vínculo direto de Victor Shimada com o PCC. Ele foi denunciado pelo MP-SP por envolvimento no esquema fraudulento que desviou recursos do Corinthians no escândalo VaideBet, que culminou no impeachment de Augusto Melo da presidência do clube.
Gakiya explica que o doleiro foi citado em investigação nos Estados Unidos por um traficante que mandava haxixe para o Brasil.
O promotor diz que a principal operação de Shimada era usar empresas de pagamento digital para lavar dinheiro de bets e influencers. Gakiya relembra que o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, e que tem mais de 15 milhões de seguidores, usou uma dessas empresas de Shimada para lavar dinheiro.
O influenciador está preso desde outubro de 2025, pela Polícia Federal, depois de ter sido alvo da operação Narco Bet, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e tráfico internacional de drogas que também teria o envolvimento do PCC. A defesa de Buzeira nega qualquer envolvimento do influenciador com atividades ilícitas.
Sobre a sanção norte-americana depois da classificação das facções como organizações terroristas, Gakiya diz que é preciso monitorar se, além das empresas suspeitas de envolvimento com o esquema, outras instituições financeiras brasileiras que em algum momento possam ter recebido o dinheiro que circulou em contas digitais poderão sofrer punições.
Em nota, a defesa de Shimada diz que não teve acesso às decisões judiciais e que por isso qualquer manifestação seria precipitada no momento.
"Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis", afirma o advogado Yuri Cruz.























