MPF denuncia influenciador Buzeira por organização criminosa
Criador de rifas e sorteios online é acusado de integrar esquema investigado na Operação Narco Bet, que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas



Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira | Reprodução/Redes sociais
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo, o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, por suposta participação em uma organização criminosa investigada na Operação Narco Bet.
A acusação também inclui outros quatro investigados e atribui ao grupo crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e, em alguns casos, falsidade ideológica (saiba mais sobre os outros investigados abaixo).
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF e inicialmente distribuída à 5ª Vara Federal de Santos. O processo, porém, foi redistribuído à 6ª Vara Federal, que ficará responsável por analisar o recebimento da acusação e decidir se os investigados se tornarão réus.
Segundo os procuradores, Buzeira teria atuado como "financiador, controlador oculto e beneficiário econômico final" de estruturas ligadas às marcas de apostas BRXBET e RICOBET. O MPF afirma que, embora o influenciador não aparecesse formalmente nos quadros societários das empresas, ele exerceria controle material sobre as operações e seria o destinatário final dos recursos movimentados.
De acordo com a denúncia, a organização utilizaria empresas do setor de apostas esportivas, operações internacionais, estruturas offshore e movimentações com criptomoedas para ocultar a origem e a titularidade dos recursos. Os investigadores apontam ainda o uso de "testas de ferro" e de empresas criadas para conferir aparência de legalidade à circulação dos valores.
Buzeira participava da definição de estratégias empresariais, da criação de marcas e da utilização de terceiros para ocultar sua participação nos negócios, segundo a denúncia. O MPF afirma ainda que ele estaria ligado à movimentação de recursos por meio de criptoativos e a fluxos financeiros considerados sem transparência adequada sobre origem e beneficiários.
Além de Buzeira, foram denunciados o empresário Rodrigo Morgado, que também se apresenta como contador e "expert" em redução de impostos nas redes sociais; Abelardo Dantas Alvares, Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda e Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos.
Operação Narco Bet
A denúncia representa uma nova etapa da Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Narco Vela, que investiga uma organização ligada ao tráfico internacional de drogas por rotas marítimas entre a América do Sul e a Europa.
Em outubro de 2025, Buzeira foi preso durante uma ofensiva da PF contra um esquema de lavagem de dinheiro supostamente relacionado ao tráfico internacional de drogas. Na ocasião, a PF apreendeu duas pedras gigantes identificadas como esmeraldas milionárias na casa do influenciador. O par de pedras estava junto de um certificado de autenticidade que as avaliava em US$ 323 milhões (mais de R$ 1,6 bilhão na cotação atual).
A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que ultrapassavam R$ 630 milhões. Segundo a PF, parte dos recursos teria sido direcionada a empresas ligadas ao setor de apostas eletrônicas.
Com mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, Buzeira ganhou notoriedade promovendo rifas e sorteios de carros, joias e outros itens de luxo. A defesa do influenciador já havia afirmado, em fases anteriores da investigação, que suas movimentações financeiras foram declaradas e que ele mantinha relação profissional com alguns dos investigados.















