PT turbina monitoramento digital de olho na extrema direita
Campanha à reeleição do presidente Lula tenta mapear o processo de construção e disseminação de notícias falsas


A campanha à reeleição do presidente Lula (PT) decidiu investir no pleito deste ano em um sistema de monitoramento nas redes sociais voltado a acompanhar a repercussão de temas de interesse e a mapear o caminho da desinformação.
A estratégia passa por monitorar todo o processo de construção de notícias falsas ou com narrativas enviesadas, acompanhando da elaboração à disseminação das publicações.
Além do monitoramento nos moldes tradicionais, com a supervisão de temas de interesse e o engajamento deles - ou seja, se geram uma repercussão positiva ou negativa -, foi montado um núcleo de inteligência formado por especialistas em extrema direita com o objetivo de buscar a origem dessas informações.
A ideia é montar um ecossistema de fontes e atores que dão sustentação a notícias falsas ou que alimentam o campo adversário em narrativas de interesse. Um dos exemplos citados sobre o formato é o jurista Ives Gandra, que formulou a tese sobre o artigo 142 da Constituição Federal de que as Forças Armadas poderiam atuar como uma força moderadora - interpretação que ganhou adesão e propagação na direita, mas que acabou contestada pelo Supremo Tribunal Federal.
Responsáveis pelo time jurídico da campanha, coordenado pelo advogado Ângelo Ferraro, já constataram que há uma segmentação da propagação dessas notícias nas redes sociais, partindo da fonte que dá veracidade ao tema, seguindo por uma roupagem que dá um ar de informação jornalística e na sequência propagada em diversas camadas de pulverização. +Mendonça manda líder do PL remover post que liga PT ao PCC
Atualmente, o principal tema que os adversários políticos tentam colar no presidente Lula é a vinculação do petista com o crime organizado. Das 60 representações ingressadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo PT neste ano, metade pede a remoção de conteúdos do tipo.
Nesta semana, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, teve de excluir um conteúdo que dizia haver “grandes suspeitas” de que a facção PCC estaria financiando a campanha do presidente Lula. Do mesmo modo, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) teve de remover uma publicação que vincula o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) às milícias e ao Comando Vermelho.
As ações dão o tom de como as redes sociais devem promover um embate jurídico nas eleições. Conforme informações obtidas pelo analista Eduardo Gayer, o TSE já recebeu 300 ações neste ano, uma alta de 82% em relação à disputa de 2022, quando no mesmo período foram ingressadas 165 representações.























