MP dá 5 dias para governo de SP explicar abordagem a Haddad
Investigação atende a pedido de coligação que aponta possível uso da máquina pública, abuso de poder político e retaliação eleitoral, após críticas em debate

Haddad em entrevista ao SBT News | Foto: reprodução/SBT News
O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP), instaurou uma apuração formal e fixou prazo de cinco dias para que o Governo do Estado de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), preste esclarecimentos sobre a conduta de policiais militares em um episódio de suposta intimidação e perseguição ao motorista e ao candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT).
A determinação consta no Despacho nº 11417/2026, assinado pelo Procurador Regional Eleitoral Paulo Taubemblatt.
O procedimento atende a uma representação apresentada pela Coligação "Desperta São Paulo", que aponta indícios de abuso de poder político, abuso de autoridade e conduta vedada a agentes públicos por uso indevido da máquina estatal.
Segundo o relato oficial encaminhado ao MP, os fatos ocorreram na noite da última terça-feira (11). Após sair de um evento acadêmico, Fernando Haddad se dirigia à sua residência, no Planalto Paulista, quando a viatura policial se aproximou de forma atípica, utilizando lanternas para identificar os ocupantes do veículo, sem que houvesse qualquer suspeita.
Após o desembarque do candidato, os policiais militares teriam iniciado uma perseguição "ostensiva e velada" ao motorista Alessandro Caseri, ao longo da Avenida 23 de Maio.
A denúncia ressalta que os agentes mantiveram os faróis e o giroflex apagados durante o acompanhamento, conduta estranha aos protocolos operacionais padrão da corporação.
A ação culminou em um cerco no estacionamento de um hotel na região do Parque Ibirapuera, na Vila Mariana, onde os policiais ordenaram que o condutor se retirasse do local, sem apresentação de justificativa legal.
A coligação correlacionou o episódio com as críticas feitas à gestão da Segurança Pública por Haddad em um debate televisivo, realizado dois dias antes, sugerindo uma possível retaliação institucional.
Exigências da Procuradoria Eleitoral
Para elucidar o caso, o MPE determinou caráter de urgência, com prazo de cinco dias, para que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) esclareça se houve ordem, autorização ou ciência da pasta para o patrulhamento ostensivo no bairro Planalto Paulista na data informada, bem como os motivos da ação.
Além disso, o Comando-Geral da PM-SP deve encaminhar as ordens de serviço, o plano estratégico do batalhão, itinerários de patrulhamento e a identificação exata dos policiais e da viatura empregados na ocorrência.
No mesmo prazo, o hotel envolvido na ação tem de entregar a totalidade das imagens gravadas pelas câmeras de segurança na noite de 11 de agosto, depois das 21h40.
Por fim, a área criminal do MPSP precisa enviar a cópia dos autos, para o MPE investigar se houve prática dos crimes de constrangimento ilegal e ameaça, previstos nos Artigos 146 e 147 do Código Penal.
O que diz o Governo de São Paulo
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que abriu uma apuração preliminar na tarde do dia 12, assim que tomou conhecimento das alegações.
De acordo com a SSP, já foram auditadas imagens de cerca de 40 câmeras privadas de comércios e residências do trajeto, além da checagem do sistema de geolocalização (GPS) das viaturas.
A pasta afirma que, até o momento, não foram identificados indícios de abordagem irregular nem de interação das equipes da PM com o candidato ou seus assessores.
A apuração prossegue e, caso sejam encontradas falhas operacionais, será instaurado inquérito disciplinar.
















